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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Estudo analisa variação do desempenho hospitalar segundo fontes de pagamento


No Brasil, a convivência público-privado, no âmbito do financiamento e da prestação dos cuidados em saúde, ganha nítidos contornos na assistência hospitalar. Se por um lado é histórica a dependência do sistema público de saúde do cuidado hospitalar prestado por organizações privadas, com ou sem fins lucrativos, por outro, a consolidação do mercado de planos de saúde privados ampliou a área de atuação do prestador privado. As possíveis combinações entre as fontes de pagamento de internações adotadas pelos hospitais brasileiros, denominadas arranjos de financiamento, podem afetar os resultados do cuidado. Alguns estudos buscam associar a razão de mortalidade hospitalar padronizada (RMHP) a melhorias na qualidade. Pensando nisso, os pesquisadores da ENSP, Iuri da Costa Leite e Monica Martins, em parceria com a pesquisadora da Agencia Nacional de Saúde Suplementar (ANS) Juliana Pires Machado, elaboraram o artigo Variação do desempenho hospitalar segundo fontes de pagamento nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, Brasil. A pesquisa aponta iniquidades no resultado do cuidado e destaca o fato de que os esforços voltados para a melhoria da qualidade de serviços hospitalares, independentemente das fontes de pagamento, são prementes.

Publicado no volume 32, número 7, da revista Cadernos de Saúde Pública, o artigo teve como objetivo analisar a razão de mortalidade hospitalar padronizada segundo fonte de pagamento da internação e arranjo de financiamento do hospital (RMHP). Foram analisados dados secundários e causas responsáveis por 80% dos óbitos hospitalares. De acordo com os autores, a RMHP foi calculada para cada hospital e fonte de pagamento. Conforme apontaram os resultados, os hospitais com desempenho pior que o esperado foram majoritariamente públicos de maior porte. Além disso, a razão de mortalidade hospitalar padronizada nas internações SUS foi superior, inclusive entre internações no mesmo hospital. “Mesmo com os limites, os resultados desse estudo indicam riscos diferenciados na RMHP em função da fonte de pagamento da internação (SUS ou Não SUS), com desvantagens para os pacientes do SUS, agregando complexidade às análises sobre o tema”, reforçaram.

Para os autores, a sobreposição das redes pública e privada e as diferenças de oferta e acesso da população, conforme fontes de pagamento, constituem um fenômeno específico do sistema de saúde brasileiro, cujos efeitos sobre a qualidade demandam debates não apenas à luz dos métodos de pesquisa em avaliação, mas também de aspectos políticos, econômicos e sociais que o condicionam. “A categorização dos hospitais em arranjos de financiamento proposta para esse estudo tem importância para as análises sobre o tema, especialmente porque as iniquidades mais graves parecem ocorrer dentro dos hospitais, quais sejam, naqueles de arranjo misto”, avaliaram Iuri, Monica e Juliana.

Rede hospitalar e qualidade do cuidados precisam ser equânimes

De acordo com os pesquisadores, esforços devem ser feitos para tornar o acesso à rede hospitalar e à qualidade do cuidado mais equânimes no país, baseando-se na necessidade de saúde, independentemente da fonte de pagamento. Além do alinhamento de esforços públicos e privados às necessidades da população, o monitoramento regular da qualidade desses serviços deve fazer parte do arcabouço de informações usadas no direcionamento de políticas e regulamentações na área da atenção hospitalar no Brasil, aproximando o planejamento em saúde e a prática do cuidado das discussões teóricas e científicas sobre a qualidade dos serviços, em prol de ganhos para a sociedade e o país.

“É consenso entre pesquisadores e gestores que atingir determinado padrão de qualidade no sistema de saúde é fundamental não apenas do ponto de vista clínico ou da gestão, mas também para sua legitimação perante a população. Desse modo, o papel da avaliação e de estratégias de melhoria da qualidade da assistência vem ao encontro das preocupações com equidade, acesso, adequação, efetividade e segurança no cuidado, constituindo parte importante no projeto de implantação do sistema de saúde desejado para o Brasil”, defenderam os autores. 

XXII Forum Internacional Supply Chain & Expo Logística

Programação Caixa Cultural Rio de Janeiro de 24 a 28 Agosto/2016

Seminario "El papel de España en la formación de Brasil como nación: Territorio y población"

terça-feira, 23 de agosto de 2016

"Cidade Correia" encerra a mostra Comunidade em Ação, no Galpão Gamboa

Com direção de Adriana Schneider e Lucas Oradovschi, a peça terá duas apresentações gratuitas nos dias 27 e 28/08
Link vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=_Xtwt2yIR8g&feature=youtu.be


Com o foco artístico totalmente voltado à produção teatral nas comunidades do Rio, o projeto Comunidade em Ação, parte do programa Fomento Cidade Olímpica da Secretaria Municipal de Cultura, chega a sua última semana. O Coletivo Bonobando foi o grupo convidado para encerrar a mostra com apresentações do espetáculo "Cidade Correria", dirigido por Adriana Schneider e Lucas Oradovschi. As sessões serão gratuitas, aos sábados e domingos, sempre às 19h, com tradução em libra.

A peça, que fez uma temporada de sucesso no Teatro Sérgio Porto em junho, foi inspirada coletivamente em imagens, filmes, situações cotidianas, histórias de vida e contos literários. O Coletivo Bonobando fala sobre uma cidade inventada, a deriva, que poderia ser a nossa, ou qualquer outra. O público é levado a conhecer a cidade caos, cidade contradição, cidade maravilhosa, cidade impedida, cidade carnaval, cidade invenção, cidade revolução. A montagem se revela como um transbordamento das urgências cotidianas, mostrando as contradições, alegrias, delírios, feridas e potências urbanas.

A direção artística e preparação do elenco, formado por jovens de territórios populares do Rio, foi realizada por Adriana Schneider, Lucas Oradovschi, Ricardo Cotrim, Mariana Mordente e Cátia Costa. Parte do processo envolveu o artista Thiago Florencio que conduziu uma experiência a partir de seu trabalho sobre objetos em deriva etnográfica e suas relações com espaços marcados por feridas coloniais. Este trabalho resultou em performances e instalações realizadas na favela da Vila Cruzeiro.

Para Cesar Augusto, curador do projeto, apresentar uma mostra com espetáculos criados em comunidades durante as Olimpíadas é uma forma de revelar o Rio de Janeiro em toda a sua diversidade cultural. "Queremos que moradores do Rio e turistas tenham acesso à atividade cultural produzida nas comunidades. A ideia é fazer com que se conectem com os questionamentos desses jovens grupos", acrescenta.

Ao longo de seus cinco anos de atividades, o Galpão Gamboa tem o objetivo de promover encontros entre as mais variadas formas de arte, atendendo ao público da Zona Portuária e de toda a cidade. Com o Comunidade em Ação, a plateia pode assistir trabalhos que focam em ações artísticas elaboradas e praticadas em comunidades do Rio de Janeiro.

Sobre o Coletivo Bonobando:

O Coletivo Bonobando foi criado em 2014 a partir das experiências vividas na Residência Artística do Teatro da Laje, na Arena Carioca Dicró, na Penha.
Com o objetivo de conectar a cidade e ocupar diferentes espaços os integrantes são de todas as partes do Rio e as cenas acontecem na rua, no beco, na praça e também no teatro.

Os artistas exercem uma territorialização dinâmica, a partir da descentralização e a democratização dos recursos e acessos à arte e à cultura, celebrando e mostrando a contribuição que as práticas cotidianas da juventude das periferias cariocas podem dar para a criação de um outro teatro possível.
Sobre o Galpão Gamboa:

Localizado na Zona Portuária da cidade, o Galpão Gamboa surge em 2011 como um espaço voltado a experimentações artísticas, para dar oportunidade a grupos e artistas de apresentarem seus trabalhos e para apresentar uma programação de qualidade e a preços populares, que atendesse aos bairros e comunidades do entorno, como Morro da Providência, Saúde, Santo Cristo, Centro e Gamboa. Espaço cultural e democrático, o Galpão Gamboa apresenta atividades de teatro, dança, circo, música, entretenimento e experimentação artística, que convivem harmoniosamente. O alcance do público, independentemente de classes sociais, abrangendo de crianças a idosos.

Todo esse processo de reurbanização da Zona Portuária e redescobrimento desse berço cultural carioca fez com a população de outras regiões voltassem a frequentar o Centro. E, sobretudo, possibilitou que a população local passasse a ter acesso facilitado a esses equipamentos culturais, privados e públicos. Numa relação de intercâmbio, onde os olhares se cruzam, se completam e se fundem num movimento em que não há zonas delimitadas, dar continuidade a essa convergência é o objetivo principal do espaço.


Serviço
"CIDADE CORRERIA"
Dias: 27 e 28/08
Horário: Às 19h
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Local: Galpão Gamboa - Teatro
Endereço: Rua da Gamboa, 279 - Centro - RJ
Ingressos gratuitos
Capacidade: 80 lugares
Tradução em libra

Ficha técnica
Com: Daniela Joyce, Hugo Bernardo, Igor da Silva, Jardila Baptista, Karla Suarez, LiviaLaso, Marcelo Magano, Patrick Sonata, Thiago Rosa, Vanessa Rocha.
Dramaturgia: Criação Coletiva
Direção: Adriana Schneider e Lucas Oradovschi
Metodologia de dramaturgia: Adriana Schneider
Direção de movimento: Cátia Costa e Mariana Mordente
Direção musical e trilha original: Ricardo Cotrim
Funk "Xô sai pra lá": Marcelo Magano e Ricardo Cotrim
Direção de arte: Fabiana Mimura
Iluminação: Nina Balbi
Preparação corporal: Cátia Costa
Treinamento de máscaras balinesas: Lucas Oradovschi
Assistência de arte: Filipe Duarte
Direção de produção: Karla Suarez
Produção executiva: Marcelo de Brito

Legado Paralímpico da Alemanha para o Rio

O Programa Pulsar foi criado pela AHK-RJ em parceria com o Instituto Superar, a Firjan e a Universidade de Esportes de Colônia
A Câmara Brasil-Alemanha do Rio de Janeiro (AHK-RJ) comemora 100 anos em 2016 e deixará um legado de cunho social para o estado. A AHK-RJ vai criar o Pulsar - Programa de Capacitação para Profissionais Paradesportivos - que vai ensinar para profissionais de diferentes áreas da saúde a lecionar práticas esportivas para pessoas com deficiência. A metodologia foi desenvolvida por professores da Universidade de Esportes de Colônia, na Alemanha, instituição com grande conhecimento na área de Educação Física Adaptada. O curso de extensão conta com a parceria do Instituto Superar, da Firjan e da Universidade de Esportes de Colônia.

O curso é focado no aprimoramento de profissionais de educação física, fisioterapia, psicologia, nutrição e áreas afins que lidam com pessoas com deficiência. O objetivo é desenvolver competências estratégicas com ênfase no cenário paradesportivo, com aulas práticas e teóricas. O programa dura seis meses e é dividido em nove módulos: Desenvolvimento do Esporte Adaptado, Aspectos Sociológicos de Pessoas com Deficiência, Fundamentos Médicos, Saúde, Nutrição, Fundamentos Treino e Aprendizagem de Exercício Físico, Psicologia, Comunicação e Educação Física Inclusiva. Além de oficinas práticas de basquete sobre rodas, vôlei sentado, fut 5 e natação.

De acordo com a Coordenadora do Pulsar, Viktoria Rohde, a AHK-RJ aproveitou o espírito olímpico da cidade e o centenário da câmara para deixar um legado para o estado. "Muito se fala em inclusão, mas não em como preparar profissionais que vão lidar com pessoas com deficiência. Com maior conhecimento de causa, é possível passar o máximo de conhecimento e aprendizado a elas. Percebemos essa carência no Brasil e resolvemos trazer o curso da Universidade de Esportes de Colônia, especializada no assunto na Alemanha, para os profissionais daqui", conta.

Segundo o diretor-executivo da AHK-RJ e idealizador do Programa, Hanno Erwes, a ideia da Câmara Brasil-Alemanha é, após o início do curso no Rio, expandir para São Paulo e outros estados do Brasil. "O programa tem capacidade de ser realizado também nas demais cidades do país e acreditamos que seria muito enriquecedor, tanto para os profissionais quanto para as pessoas com deficiência", explica.

O programa conta com o patrocínio dos Laboratórios B.Braun; Bayer; Escritórios Dannemann e Stüssi-Neves; Lufthansa e Compactor.

Sobre a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK-RJ)

A Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, conhecida como AHK-RJ, é uma instituição sem fins lucrativos que tem como objetivo servir de plataforma mediadora e viabilizadora de novos negócios entre empresários de ambos os países, através de ações estratégicas de relacionamento. A entidade foi fundada em 1916, faz parte da AHK Brasil e reúne 200 associados, entre empresas alemãs e brasileiras e áreas de atuação.

Estudo explora como a incidência de dengue varia em função da idade e difere nas capitais brasileiras

Com o propósito de caracterizar o padrão de incidência de dengue ao longo do tempo, segundo a faixa etária, no período de 2007 a 2012 nas capitais estaduais brasileiras, a aluna do mestrado em Epidemiologia em Saúde Pública da ENSP, Rayane Cupolillo Ferreira desenvolveu sua dissertação sob a orientação das pesquisadoras Paula Mendes Luz e Cláudia Torres Codeço. As capitais selecionadas, segundo a maior taxa de incidência entre as séries de dengue e dengue grave por faixa etária, em cada região do país para modelagem estatística, foram: Rio Branco, Aracaju, Cuiabá, e Vitória. As capitais pertencentes à região sul do país mantiveram suas curvas de incidência próximas de zero, tendo sido excluídas desta etapa da análise. De acordo com a pesquisa, há maior ocorrência de dengue entre os indivíduos com 15 anos ou mais quando comparados com o grupo de idade inferior, em 3 das 4 capitais (Rio Branco, Aracaju e Vitória). Adicionalmente, como a presença do termo de interação dos grupos etários ao longo do tempo foi significativa para as capitais estudadas, o estudo sugere que, há possibilidade de um deslocamento do padrão etário nas taxas de incidência de dengue no período observado. Além disso, não há diferenças significativas entre as curvas de incidência de dengue grave em Rio Branco, Cuiabá e Vitória para as diferentes faixas etárias no período observado, com exceção de Aracaju, cujas curvas de incidência foram significativamente diferentes para os grupos etários em questão com maior expressão de dengue grave entre os menores de 15 anos.
 
A pesquisa fez uma análise exploratória das séries temporais de dengue em cada uma das 27 capitais brasileiras (26 capitais e Brasília), e selecionou 4 capitais (Rio Branco, Aracaju, Cuiabá, e Vitória). Depois foi realizada a regressão das curvas de incidência de dengue e dengue grave utilizando Modelos Lineares Generalizados com distribuição de probabilidade de Poisson (que expressa a probabilidade de uma série de eventos ocorrer num certo período de tempo se estes ocorrem independentemente de quando ocorreu o último evento). Em vários países onde a ocorrência de dengue é relevante, a distribuição dos casos por faixa etária não é homogênea, levantando dúvidas sobre quais os fatores interferem na dinâmica da incidência de dengue segundo a idade.
 
Rayane lembrou que a dengue é uma doença viral provocada por quatro sorotipos de arbovírus e transmitida aos seres humanos por mosquitos do gênero Aedes. “A dispersão geográfica dos vetores e dos vírus levou a uma reemergência global deste agravo, com destaque para as epidemias e o aparecimento de formas graves nos últimos anos.” Se, por um lado, as recentes publicações revelam baixo impacto nas estratégias de controle vetorial para dengue, explica Rayane, por outro lado, há grande expectativa com o lançamento de vacinas para a prevenção da doença. Em vários países onde a ocorrência de dengue é relevante, acrescenta a aluna, a distribuição dos casos por faixa etária não é homogênea, levantando dúvidas sobre quais os fatores interferem na dinâmica da incidência de dengue segundo a idade.
 
Segundo o Portal Brasil, a vacina contra a dengue já possui registro concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde dezembro de 2015. A Dengvaxia® - vacina dengue 1, 2, 3 e 4 (recombinante, atenuada) foi registrada como produto biológico novo, de acordo com a Resolução - RDC nº 55, de 16 de dezembro de 2010. O registro permite que a vacina seja utilizada no combate à dengue. Porém, vale destacar que a vacina não protege contra os vírus Chikungunya e Zika. A vacina está aprovada para uso pediátrico e adulto, dos nove aos 45 anos de idade. Os limites de idade foram determinados com base, principalmente, nas informações de segurança da vacina, obtidas durante a realização dos estudos clínicos. Para crianças com menos de nove anos, o risco de complicações mais sérias ainda não foi determinado; para aqueles com mais de 45 anos de idade, não há dados suficientes para garantir a segurança da vacina. O médico responsável poderá avaliar o risco/benefício de se utilizar a vacina em idades diferentes das recomendadas no texto da bula.
 
Sobre a autora
 
Rayane Cupolillo Ferreira tem graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2011), Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade pela ENSP (2014) e especialização em Medicina Tradicional Chinesa/Acupuntura na Universidade Federal Fluminense (2016). Compõe ainda o corpo de preceptoria do Programa de Residência Médica de Medicina de Família e Comunidade da Universidade Estadual do Rio de Janeiro desde setembro/2015. Adicionalmente, atua como supervisora do Programa Mais Médicos para o Brasil no estado do Rio de Janeiro.

Imagem: Portal Fiocruz