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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

RIO WINE AND FOOD FESTIVAL 2017

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RIO WINE AND FOOD FESTIVAL ACONTECE DE 21 A 27 DE AGOSTO NO RIO DE JANEIRO

 Festival chega a seu quinto ano consagrando-se como um dos maiores eventos do setor, registrando crescimento e com novas atrações. Seu formato inovador democratiza a enogastronomia por toda a cidade. É para beber bons vinhos. É para se deliciar com boa gastronomia. É para aprender e/ou aprofundar o conhecimento. É para discutir o segmento. Mas acima de tudo, é para se divertir! Durante mais de uma semana, de 21 a 27 de agosto, o Rio de Janeiro será palco do Rio Wine and Food Festival (RWFF), evento que acontece em vários pontos da cidade, de norte a sul, provando que o vinho pode ser plural e estar ao mesmo tempo num mercadão, numa balada, numa feira de negócios, num jantar ultra sofisticado, ou num ônibus de turismo. Democratizar e desmitificar o vinho sempre foi o desafio do Grupo Baco, idealizador e promotor do evento, que já está em sua quinta edição. “Desde o primeiro ano que fizemos o Festival, nosso objetivo foi pensar em ações que pudessem mostrar a versatilidade do vinho e da gastronomia para o grande público, desde aquele que frequenta o restaurante mais chique até o mais carioca dos botecos, e ao mesmo tempo dar espaços para produtores de vinho, além de discutir assuntos específicos do setor”, relembra Sergio Queiroz, sócio do Grupo Baco. “Conseguimos isso implementando um formato inovador, com diversos eventos e ações por toda a cidade, voltadas tanto para o trade como para o consumidor final”, faz coro Marcelo Copello, seu sócio e renomado jornalista especializado em vinho. Não por acaso, o festival ganhou a chancela da Secretaria de Turismo (SETUR) e da RIOTUR, e entrou para a agenda oficial de eventos da cidade do Rio de Janeiro. A edição 2017 do RWFF tem seu calendário ampliado para nove dias - incluindo dois finais de semanas -, por conta da abertura informal no CADEG e diversas ações paralelas Produtores dos cinco continentes já confirmaram presença e o número de entidades, restaurantes e promotores de ações não para de crescer. Por isso é bom anotar a data na agenda e se programar para curtir uma temporada na cidade maravilhosa. Destaques da Programação do RWFF 2017: Antes da abertura oficial acontece uma informal. No sábado 19 de agosto, no CADEG, o mercado municipal do RJ em Benfica, em ambiente descontraído e com música ao vivo, milhares de pessoas terão a oportunidade de provar vinhos em diversas ações, como festivais de vinho em taça com preços acessíveis, promoção em restaurantes, palestras, uma Master Class e em um inédito Encontro de Confrarias. A abertura oficial acontece no dia 21 de agosto com um jantar de gala para convidados, no qual são entregues os troféus Vinha Velha para empresas e personalidades que se destacam no mercado de vinhos, além do troféu de Sommelier do Ano, concurso realizado em parceria com a Associação Brasileira de SommeliersRJ. Na terça-feira dia 22, das 8h às 17h é hora de ver o vinho sob o ponto de vista do trade. O Seminário Vinho & Negócios, promovido em parceria com a Fundação Getúlio Vargas – FGV, com entrada franca (mediante inscrição), promete repetir o sucesso de edições anteriores reunindo palestrantes do primeiro time da indústria mundial com centenas de profissionais na plateia. Nesta mesma noite, um evento original e de grande charme rouba a cena: o Degusta Talk Show, no qual uma personalidade é entrevistada enquanto o público prova seus vinhos O ápice da semana, como sempre, é a Feira Show De Vinhos, que acontece este ano no dia 24, quinta-feira, no Clube Piraquê. O Rio de Janeiro, um dos melhores mercados para os vinhos do país, é bastante apreciado pelo trade por seu grande consumo, além de atrair muita gente de outras cidades – inclusive compradores e jornalistas. Este ano a feira, que conta com o apoio do IBRAVIN - Instituto Brasileiro do Vinho, terá uma série de ações sobre vinhos brasileiros, tornando a ALA BRASIL ainda mais atraente e visitada. No mesmo dia e local, acontecem as concorridas Master Classes, onde os participantes poderão desfrutar da esperada prova que reunirá alguns destaques da Grande Prova Vinhos do Brasil 2017, que este ano acontecerá imediatamente antes do festival. Outra Master Class que promete ser disputada é a da empresa francesa Juss Millésimes, que trará ao festival uma seleção de luxo de vinhos da Borgonha e resto da França. Mais um destaque será a degustação "Brasil de Guarda", com rótulos a partir da década 1970. A iniciativa se propõe a afirmar a capacidade de envelhecimento dos vinhos nacionais, comprovando a nossa evolução qualitativa. Nesta edição, haverá também feiras exclusivas de países e regiões, como a que acontece no dia 23, reunindo alguns dos melhores produtores do Chile, no evento oficial da Wines of Chile, líder isolado do mercado de vinhos importados no Brasil, que acontecerá no recém-reinaugurado Gran Meliá Nacional. No dia seguinte, é a vez do Tannat Tour, através do seu órgão oficial, Wines of Uruguai, trazendo o melhor dos vinhos do país vizinho. O fim de semana final do RWFF será totalmente voltado ao consumidor final, com a saída do Wine Bus (ônibus de dois andares que harmoniza um city tour pelas paisagens da Cidade Maravilhosa com degustação de vinhos) e com o Wine Out, um outlet de venda promocional de vinhos, enriquecido com aulas e provas dirigidas ao público em geral, junto muitos food trucks e música ao vivo. O RWFF oferece ao longo da semana uma série de outras ações, como promoções em supermercados, lojas, bares, restaurantes, clubes de vinho, wine diners e menus harmonizados pela cidade; e o Rio Rolha Zero, promoção na qual participam mais de 100 restaurantes que durante os dias de evento não cobram taxa de rolha. 


SERVIÇO

Evento: 5º Rio Wine and Food Festival Data: de 21 a 27 de agosto de 2017 (pré-abertura dia 19 de agosto) 
Local: Rio de Janeiro (vários espaços da cidade) 

Programação completa: www.riowineandfoodfestival.com.br 
Inscrições e compra de ingressos: ingressocerto.com (a partir de 01/07) 

1º ENCONTRO DE INFLUENCIADORES DIGITAIS no Rio de Janeiro - 27 de agosto - LAPA

La Esquina, na Lapa, recebe o “1º Encontro de Influenciadores Digitais” dia 27 de agosto, das 14 às 21h

Evento reúne profissionais da área para discutir oportunidades, ideias e conteúdos relevantes em Marketing digital.
Evento voltado para criadores de conteúdo de diversos nichos, seus seguidores, Blogueiros e Youtubers interessados em conhecer como funciona esse universo.

Estamos vivendo uma era de reformulação digital e com isso, novos influenciadores vão surgindo a cada dia. São empreendedores que têm papéis importantes e estratégicos para o Marketing Digital, que, com suas presenças fortes de social media, valem mais que peças publicitárias bem elaboradas.

Por conta de os influenciadores digitais ganharem cada vez mais destaque no mercado devido ao grande apelo que têm junto ao público, e ao fato de eles estarem na mira das marcas que buscam novas maneiras de atrair os clientes, a Espaço 55 Produções Artísticas promove o 1º Encontro de Influenciadores Digitais no Rio de Janeiro, dia 27 de agosto.

O evento criado com foco nesses profissionais contará com as presenças de blogueiros e youtubers como Priscila Barbosa (Auto Estima Diva), Laine Souza (Gorda Bem Resolvida), Carol Moreira (Filha de Oyá), Priscila Rodriguesz e Thiago Martins (Tem que ter Borogodó) entre outros. O blogueiro de moda Ricardo Tassilo também estará presente em um estande com desapegos do seu guarda roupa e mediará a roda de conversa com os Youtubers convidados que discutirão sobre empoderamento, universo plus size, beleza negra, racismo, moda, religião e aceitação, dentre outros temas relacionados à importância do Youtuber.

O encontro acontece no La Esquina, na Avenida Mem de Sá, 61, Lapa, entre 14 e 21h, aberto ao público, bastando doar apenas 1 kg de alimento não perecível. Essas doações serão entregues ao Retiro dos Artistas.

Para Elis Oliveira, idealizadora e produtora do evento, o 1º encontro de influenciadores digitais irá agregar e esclarecer muitas dúvidas junto a esses criadores de conteúdo on line que estão abrindo novos mercados, além de debater boas práticas na rede.

Além da presença dos Youtubers e Blogueiros, o evento contará com um bazar que trará marcas que possuem identificação com os segmentos dos convidados. São elas: Belezoca Cosméticos (Maquiagem e Perfumaria), GG.rie (Lingerie Plus Size), Boutique Jurema (Bijouterias Afro Religiosas), Doces Soninha (Brownies, Bolo de Pote e Doces em Geral), G Girl (Brechó e desapegos plus size), Bases Negra Rosa (Cosmético especializados em peles negras), Camisas Tipo Diferente (Moda Afro), DueTati (Bijouterias finas e semi joias), Apple Queen
(Bolsas e Artesanatos) entre outros.

“Tornou-se comum ver personalidades da web realizando ações e divulgando produtos conhecidos para seus próprios fãs. Eles constroem nichos específicos que se identificam com um determinado tipo de conteúdo, linguagem e caraterísticas, permitindo às marcas identificar de forma mais precisa o público daquele canal. Essas informações são valiosíssimas para o marketing contemporâneo, uma boa estratégia de marketing dentro de um nicho específico que pode gerar grandes resultados com ótimo custo benefício. Esse é um dos trunfos dos influenciadores, Youtubers, Vlogers, Blogers e afins. De modo geral, sempre haverá espaço e oportunidades para boas ideias e conteúdos relevantes no relacionamento entre marcas e clientes.” – Conclui Elis Oliveira

SERVIÇO:
1º Encontro de Influenciadores Digitais
Data: 27 de agosto
Local: La Esquina
Endereço: Rua Mem de Sá, 61 - Lapa – Próximo aos Arcos da Lapa
Horário: Das 14 às 21h
Valor: 1 kg de alimento não perecível – Serão doados ao Retiro dos Artistas
Classificação: Livre
Capacidade: 300 lugares
Informações: Telefone (21) 99568 1885 / produção@espaco55.com

Café Literário ABRH

Seminário ISOP: Pioneiro da Psicologia

SEMINARIO ISOP - PIONEIRO DA PSICOLOGIA
INSCRIÇÕES - SEMINARIO ISOP - PIONEIRO DA PSICOLOGIA

Autor de poesias terá o maior estande independente na Bienal do Rio

Mauro Felippe lança livro de poemas e provocações “Humanos” na XVIII Bienal Internacional do Livro no Rio
                                                                                                                              
Advogado é o autor independente com maior estande no evento literário


Apaixonado pelo universo das letras desde a infância, o advogado catarinense Mauro Felippe vem ao Rio para lançar, de forma independente, seu quarto livro de poemas durante a 18ª Edição da Bienal Internacional do Livro, que acontecerá de 31 de agosto a 10 de setembro de 2017, no Riocentro. O título “Humanos” é o quarto livro do autor e reúne poemas que provocam reflexões sobre a vida em sociedade e/ou solitária. Mauro fará seu lançamento oficial no sábado, dia 2, em seuestande de 40 metros quadrados – o maior, segundo a organização do evento, entre os estandes de autores independentes.

Com um estilo próprio, o autor coloca em seus poemas pitadas de realismo, envolvendo temas psicológicos e filosóficos. Poemas que, segundo ele, chegam sem hora marcada, quase prontos em seus pensamentos para que possam refletir sobre a sociedade e a vida cotidiana. “As virtudes e desgraças do ser humano são o centro de tudo o que passo aos leitores”, explica.

O novo escritor, hoje com de 51 anos de idade, iniciou seus primeiros rascunhos ainda na adolescência, mas só resolveu lançar a sua primeira publicação há três anos. “A literatura sempre fez parte do meu convívio familiar. Fui muito incentivado pelos meus pais desde criança e até hoje. Somos de uma família que lê muito, principalmente grandes temas literários”, revela. A descoberta pelo Direito e a ideia de se lançar como autor vieram – como Mauro costuma mencionar – “num estalo”.

“Após anos cursando Engenharia de Alimentos, “um estalo”, inexplicável, me fez seguir outro caminho profissional. Com dois Diplomas, optei pelo de Direito. Hoje sou uma pessoa realizada, profissionalmente. Sou daquele tipo incansável e apaixonado pelo que faço e ainda tenho muito a aprender. Há 23 anos não vejo jamais a ideia de um dia encerrar esta carreira. É a minha vida”, conta.

Em 2014, “outro estalo” o fez pensar em lançar um livro como um troféu pessoal por duas décadas de carreira na área jurídica. Mas, o livro nada tem a ver com Direito, mas com poesia, aquela inspirada, profunda, do fundo da alma. “Eu lancei o meu primogênito, “Nove” e no mesmo ano participei da 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, considerado o maior encontro literário do País e um dos mais importantes do mundo. E, inesperadamente, sem qualquer ambição, esse livro vendeu muito bem em todos os estados brasileiros. Aquilo que eu jamais havia sonhado se tornou um negócio sério”, comemora.

Na Bienal seguinte, em 2016, lançou simultaneamente dois livros: o “Ócio” eo “Espectros”, respectivamente. Segundo Mauro, todos os seus livros são completamente distintos e independentes entre si. “Um não é a sequência do outro, como, aliás, não são cada um dos textos. Por isso até, as páginas não são sequer numeradas. São como livros de cabeceira, para a cada dia ler um texto novo e refletir, pois a temática é a mesma: a essência da alma”, comenta. Todos eles têm mais uma coisa em comum: são ilustrados pelo artista Rael Dionisio. Todas as ilustrações são surrealistas.

Em pouco tempo, suas publicações ultrapassaram mais de 135 mil curtidas nas redes sociais.  “Nunca imaginei que meus poemas fossem agradar tantos leitores. Até hoje, ainda não mensurei o tamanho de tudo isto. Resta-me, apenas, o sincero agradecimento a todos”, acrescenta. Mauro Felippe é de Urussanga, pequena cidade com pouco mais de 20 mil habitantes, de Santa Catarina. Também fã de futebol, torce pelo time carioca Botafogo. É casado, tem dois filhos pequenos e já teve uma banda de rock.

Além da participação como expositor das duas últimas edições da Bienal de São Paulo, esta é a primeira participação do autor na Bienal Internacional do Rio. Este ano, participará também da X Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em outubro.


Incentivo à leitura e apoio a entidades
Estimular as crianças à leitura. Foi com essa intenção que o escritor se propôs a colocar em prática uma publicação com a participação de alunos das escolas municipais de sua cidade natal e região. O livro “Sociedade dos Poemas Vivos” foi o pontapé inicial para um projeto que está sendo levado como incentivo às crianças e seus pais de todas as idades e colégios. A distribuição às bibliotecas é de forma gratuita e outros novos trabalhos como este estão previstos para os próximos meses. “A única essência deste livro é acordar as crianças para o mundo da leitura e da escrita. Sabendo ler bem, saberão escrever também muito bem. Consegui os textos com as professoras, e as crianças e seus pais somente souberam que suas obras passariam a ser imortais no dia do lançamento do livro”, conta. Mauro Felippe também destina os recursos arrecadados com a venda de seus títulos às entidades assistenciais, principalmente nas áreas da saúde e dignidade humanas.


Mauro Felippe na XVIII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro
De 31 de agosto a 10 de setembro de 2017
Riocentro – Rua Salvador Allende, 6.555 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro
Mais informações: www.bienaldolivro.com.br

Obras
Humanos (2017)
Ócio: Poesia & Provocações (2016)
Espectros: Poesia & Provocações (2016)
Sociedade dos Poemas Vivos (2014)
Nove : Poesia, Reflexões e Crônicas (2014)

Artigos científicos debatem o uso de agrotóxicos e os riscos ao ambiente e à saúde humana

Dois artigos científicos recentes analisam o uso de agrotóxicos e os riscos ao ambiente e à saúde humana. Um deles, A flexibilização da legislação brasileira de agrotóxicos e os riscos à saúde humana: análise do Projeto de Lei nº 3.200/2015, reflete sobre a temática dos agrotóxicos, à luz do arcabouço legal brasileiro, na perspectiva da proteção à saúde humana e ao meio ambiente. Pesquisadores da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, entendem que o PL representa um dos maiores retrocessos às conquistas legislativas para a regulamentação dos agrotóxicos, de modo a alertar para os riscos à saúde humana frente à exposição a esses produtos e ao agravamento por outras propostas similares. Já o artigo Associação entre malformações congênitas e a utilização de agrotóxicos em monoculturas no Paraná, Brasil, da ENSP,  examina a associação entre o uso de agrotóxicos e as malformações congênitas em municípios com maior exposição aos agrotóxicos no estado, entre 1994 e 2014. No estudo foi encontrada uma tendência crescente nas taxas de malformação congênita, com destaque aos municípios de Francisco Beltrão e Cascavel. Os pesquisadores acreditam que essas malformações podem ser advindas da exposição da população a agrotóxicos, sendo uma sinalização expressiva nos problemas de saúde pública. 
 
De acordo com as pesquisas, a partir da década de 1970, o governo brasileiro adotou a monocultura e o uso intensivo de agrotóxicos como política agrícola de modernização no campo, incentivada por meio de isenções fiscais cedidas às indústrias químicas formuladoras de agrotóxicos. Ao longo dos anos, esse modelo vem causando uma rápida e intensa mudança no uso da terra, produzindo impactos ambientais antes inexistentes, como erosão hídrica e eólica, perda de habitats, alteração dos povoamentos e populações faunísticas, diminuição da vazão dos rios que drenam a região, assoreamento, erosão genética e redução da biodiversidade. Essa situação vem tornando questões como a conservação dos solos e da água cada vez mais relevantes.
 
Vários estudos têm demonstrado o desequilíbrio ambiental ocasionado pelo uso de agrotóxicos, que além de desenvolver a capacidade de resistência das pragas agrícolas e estes produtos, levando à necessidade de aumentar as doses aplicadas ou recorrer a novos produtos, tem proporcionado o surgimento de novas pragas e vem impactando sobre comunidades de insetos controladores de vetores de doenças. Nos últimos dez anos, o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, sendo que o mercado brasileiro teve um crescimento de 190%; e dentre os estados brasileiros com maior consumo de agrotóxicos, destaca-se o estado do Paraná representando 14,3% desse quantitativo, de acordo com dados de 2013 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
 
Entre os anos de 2007 e 2015, foram notificados 84.206 casos de intoxicação por agrotóxicos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), sendo que, em 2014, foi identificada a maior incidência de casos, de 6,26 por 100 mil habitantes. Apesar de se observar uma melhoria do processo de notificação, a subnotificação é, historicamente, muito expressiva, em especial das intoxicações crônicas, não permitindo revelar a magnitude do problema no país.  A exposição aos agrotóxicos ocorre, principalmente, no setor agropecuário, nas atividades de controle de vetores em saúde pública, nas empresas desinsetizadoras e durante o transporte, a comercialização e a produção de agrotóxicos. Além da exposição ocupacional, destaca-se a contaminação alimentar e ambiental, que coloca em risco a saúde de outros grupos populacionais, como as famílias dos agricultores, a população circunvizinha a uma unidade produtiva e a população em geral que se alimenta do que é produzido no campo.
 
Para os pesquisadores, o PL 3.200/2015 preza por questões econômicas do mercado produtor de agrotóxicos e contribuirá para maximizar os impactos sociais e ambientais de curto, médio e longo prazos, gerados pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, a serem custeados por toda a população. Segundo eles, o PL representa um retrocesso às conquistas legislativas, suprimindo conceitos importantes da Lei nº 7.802/1989, como uma manobra para fragilizar ainda mais a fiscalização e o registro dos agrotóxicos mais utilizados do país. “A exposição humana a esses produtos representa, portanto, um problema de saúde pública que, certamente, será agravado, ferindo a própria Constituição Federal, que estabelece o Estado como garantidor da redução do risco de doença e de outros agravos mediante políticas sociais e econômicas.”
 
Já a pesquisa da ENSP mostra que vários agrotóxicos podem afetar o sistema reprodutivo masculino de animais e também o desenvolvimento embriofetal após exposição intrauterina, dentre as quais, ressaltam-se as Malformações Congênitas (MC). “Apesar de existirem múltiplos mecanismos que podem resultar na alteração da secreção das glândulas hormonais, destaca-se a participação dos disruptores endócrinos, compostos capazes de mimetizar hormônios verdadeiros devido a semelhanças entre as suas estruturas moleculares. Há uma grande quantidade de substâncias que são consideradas disruptoras endócrinas e, entre estas, estão presentes diversos agrotóxicos.”. As MC afetam de 3% a 5% de todos os nascimentos, sendo que um terço desses defeitos põe em perigo a vida, alertam os autores. No Brasil e na América Latina, os óbitos por MC no primeiro ano de vida vêm crescendo, a exemplo do que acontece nos países desenvolvidos, e é hoje considerado de relevância para a saúde pública. 
 
Segundo os pesquisadores, as Unidades Regionais (URS) com maior consumo de agrotóxico (média 2014-2015) foram Cascavel (5.107,46 toneladas), Ponta Grossa (3.526,73 toneladas) e Toledo (3.336,95 toneladas). Das 20 URS apresentadas, 11 tiveram consumo de agrotóxicos acima de 1 tonelada. Exatamente em Cascavel foi encontrada uma taxa maior de malformação congênita. “As tendências crescentes nessas taxas sugerem maior exposição ambiental à população dos municípios envolvidos e de toda a população do estado do Paraná ao longo do tempo.” Além de todos os problemas já citados, explica o estudo, o controle efetivo da exposição a esses pesticidas é muito pequeno e escasso no cenário brasileiro. Os dados referentes ao uso dos produtos não são sistematizados em bancos de dados informatizados para a grande maioria dos estados do País. Isso dificulta a mensuração do impacto da exposição ambiental desses produtos sofrida pela população, garantem os autores do artigo. “O lobby exercido pelas grandes corporações impede, quase sempre, o acesso à informação. Muitas são as dificuldades no estabelecimento da relação entre MC e a exposição a agrotóxicos, a despeito de se ter substâncias reconhecidamente disruptoras endócrinas presentes nesses químicos”, alertam.
 
O artigo A flexibilização da legislação brasileira de agrotóxicos e os riscos à saúde humana: análise do Projeto de Lei nº 3.200/2015 é de autoria de Mirella Dias Almeida, Thais Araújo Cavendish, Priscila Campos Bueno, Iara Campos Ervilha, Luisa De Sordi Gregório, Natiela Beatriz de Oliveira Kanashiro, Daniela Buosi Rohlfs e Thenille Faria Machado do Carmo, sendo publicao pela revista Cadernos de Saúde Pública (volume 33 número 7), de julho de 2017. E o artigo Associação entre malformações congênitas e a utilização de agrotóxicos em monoculturas no Paraná, Brasil, produzido por Lidiane Silva Dutra e Aldo Pacheco Ferreira, saiu na revista Saúde em Debate (volume 41 número especial), de junho de 2017, publicação do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde .

Reunião do Conselho Nacional de Saúde termina com assinatura de Carta de Intenções

O terceiro e último dia da reunião do Conselho Nacional de Saúde (CNS), na sexta-feira (11/8), começou com a participação da presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima. O presidente do CNS, Ronald Santos, disse que, no momento atual, "o Estado está esvaziado e o mercado, privilegiado". Fazendo uma alusão ao Dia do Estudante, comemorado a sexta-feira, ele disse que "somos, todos, eternos estudantes, sempre aprendendo". Ao final da participação de todos os conselheiros inscritos para falar, os presidentes do CNS e da Fiocruz assinaram uma carta de intenções que prevê capacitação de recursos humanos, a elaboração de estratégias e ações comuns, o desenvolvimento de pesquisas e o compartilhamento de dados entre as duas instituições.

Logo depois, a presidente Nísia destacou que a comunidade da Fiocruz se sente honrada e orgulhosa de sediar um evento como a reunião do CNS. "Isso faz parte do entendimento que temos do nosso papel no campo de C&T&I. O pensamento crítico, que é uma marca da Fiocruz, é também do CNS. Esperamos que a Fundação possa contribuir, cada vez mais, para a apropriação do conhecimento pelas políticas públicas. Pesquisadores e sanitaristas de duas das nossas unidades, a Escola Nacional de Saúde Pública, e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, tiveram uma participação importante na discussão sobre a atenção básica, que foi um dos pontos fortes desta reunião do CNS", afirmou Nísia, acrescentando que o ocorreu nestes três dias foi uma "festa da democracia".

Confira, ao final da matéria, a galeria de fotos da reunião do Conselho Nacional de Saúde.

"Esta é uma instituição que respira história. E o Ano Oswaldo Cruz (iniciativa que lembra os 100 anos da morte do cientista Oswaldo Cruz e que tem como slogan Ciência e saúde no projeto nacional) vem reforçar essa característica". Há mais de 100 anos, quando Oswaldo Cruz dirigia o Instituto que viria a ser o embrião da Fiocruz, o Brasil era um país onde o analfabetismo grassava e vastos territórios do interior sequer dispunham de atendimento médico.

"Oswaldo atuou firmemente nesse amplo processo de intervenção nacional que se deu quando os sanitaristas adentraram os sertões e conheceram a realidade da saúde pública. Desde aquela época eles sabiam que sem melhorar as condições de saúde não se constrói uma nação", observou a presidente, lembrando ainda que, segundo pesquisas, a Fiocruz é a instituição pública de C&T mais conhecida pelos brasileiros.

Nísia também recordou a 100ª reunião do CNS, ocorrida na Fiocruz em 2000 - até agora a única realizada na instituição. Ela mostrou fotos do evento, citou a participação da médica Zilda Arns, que à frente da Pastoral da Criança fez um importante trabalho pela redução da mortalidade infantil, e comentou uma manifestação feita à época na frente do Castelo, para salientar que a democracia sempre foi algo muito valioso para a instituição.

Em seguida, Nísia apresentou números sobre a produção de vacinas na Fundação, as pesquisas desenvolvidas, os mais recentes avanços obtidos pela Fiocruz, as parcerias com outras instituições de pesquisa públicas e privadas. Atualmente são 271 linhas de pesquisa e 1.665 projetos de desenvolvimento tecnológico. A Fiocruz 275 patentes depositadas no exterior e 83 no Brasil. Cerca de 1,8 mil pesquisadores trabalham com tecnologias para o SUS. "Aqui funciona uma parte significativa do SUS, aqui trabalham companheiros que defendem a vida, a saúde e a ciência e tecnologia nacionais". Ao final da fala, o presidente do CNS disse que "fortalecer a Fiocruz é fortalecer a capacidade de fazer ciência e saúde em defesa da vida".

Santos passou então a palavra aos conselheiros inscritos para participar. O conselheiro Geraldo Adão, de Nova Lima (MG), elogiou a atuação e a programação do Canal Saúde e pediu que a abrangência da emissora atinja todo o país. Antônio Lacerda Souto, representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) no CNS, afirmou que os agentes comunitários de saúde (ACS) representam o Estado naqueles lugares onde ele não se faz presente, como favelas, periferias e comunidades rurais.

Francisca Valda Silva, da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), pediu que os profissionais de saúde precisam "tirar a roupa de trabalhadores e vestir a de usuários do SUS", para assim defender melhor o Sistema. As presidentes dos conselhos Estadual e Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, respectivamente Étila Elane de Oliveira Ramos e Maria de Fátima Gustavo Lopes, criticaram os gestores e o que chamaram de desmonte do SUS.

A enfermeira Rebeca Santos, da residência multiprofissional em saúde da família da Fiocruz, emocionou os presentes ao fazer uma veemente e apaixonada defesa do Sistema Único de Saúde. "Todos aqui temos que lutar pelo SUS. Há pessoas que passam fome, outras que morrem de diarreia ou, em pleno século 21, apresentam doenças como sarna. Não podemos permitir que isso continue a acontecer. Viva a saúde pública!", bradou emocionada e chorando.

O representante do Ministério da Saúde no CNS, Neilton Araújo dos Santos, discordou da quase totalidade dos presentes à reunião. Sob vaias e chamado de "golpista", ele disse que "existe um esforço para construir um projeto que atenda a maioria e esses encontros também servem para se ouvir o contraditório. "A partir do debate é que vamos encontrar os pontos que temos em comum, que acredito serem muitos. O que hoje pode ser visto como retrocesso terá outra avaliação no futuro". O presidente Ronald Santos precisou intervir para que Neilton conseguisse expor seu pensamento, devido às vaias.

Depois das participações de todos os conselheiros, a presidente Nísia voltou a se manifestar. Ela disse que está consciente da missão que é estar à frente da Fiocruz neste momento e se declarou confiante na força da democracia. Nísia afirmou que a comunicação pública é fundamental para o processo de defesa do SUS e citou as experiências da Fundação na área, como o Canal Saúde, a revista Radis e o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz). Por fim, os dois presidentes assinaram uma Carta de Intenções da Fiocruz com o Conselho, para formalizar o início de uma agenda de colaboração, com ações futuras a serem definidas por uma assessoria técnico-científica. Santos convidou as presidentes dos conselhos Estadual e Municipal de Saúde, Étila Elane e Maria de Fátima, para servirem de testemunhas da assinatura.

A última atividade dos conselheiros foi uma visita ao campus da Fiocruz, na qual puderam conhecer o Castelo da instituição, a unidade de produção de vacinas (Bio-Manguinhos) e outros espaços.

CNS promove 296ª Reunião Ordinária em Manguinhos (RJ)

A 296ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS) foi marcada por uma série de atividades no auditório da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), em Manguinhos (RJ). A Comissão Intersetorial de Orçamento e Financiamento (Confin) da CNS esteve reunida e manifestou preocupação com a escassez de recursos e o esvaziamento da saúde pública no Brasil. Durante o encontro, os conselheiros debateram o relatório do 1º Quadrimestre (ampliado para junho de 2017) e aprovaram, por unanimidade, uma proposta de minuta. Também foi aprovado, por unanimidade, a Programação Anual de Saúde (PAS) 2017.

Outro item de pauta em votação foi a proposta de atualização da Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde. Após debater as contribuições apresentadas pelo Grupo de Trabalho e pela consulta à sociedade, os conselheiros aprovaram, por unanimidade, uma nova versão da carta.  No último ponto de pauta da reunião de quinta-feira (10/8), também foram apreciados encaminhamentos para a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde (1ª CNVS) e a 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres (2ª CNSMu).

Prevista para acontecer entre 21 e 24 de novembro em Brasília, a 1ª CNVS já teve seu documento guia aprovado e terá como tema principal a Vigilância em Saúde: Direito, Conquista e Defesa de um SUS Público de Qualidade. Entre os seus principais desafios está o estabelecimento de um modelo de atenção à saúde voltado para a redução do risco da doença e de outros agravos, em que a promoção, a proteção e prevenção recebam a mesma importância do que a recuperação e a assistência.

A etapa nacional da 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres está programada para acontecer entre os 17 a 20 de agosto, em Brasília, 31 anos após a realização da sua primeira edição. Com o tema de “Saúde das mulheres: Desafios para a integralidade com equidade”, a 2ª CNSMu terá como eixo principal a implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres. De acordo com os membros do CNS, a meta é ampliar a mobilização e o engajamento das mulheres com a agenda de resistência e de lutas contra os retrocessos na saúde.

Confira aqui o documento orientador da 2ª CNSMu.

*César Guerra Chevrand e Ricardo Valverde são jornalistas da Agência Fiocruz de Notícias.

Conselho Nacional de Saúde examina nova Política Nacional de Atenção Básica

Teve início na quarta-feira (9/8) na Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), no campus da Fiocruz em Manguinhos (RJ), a 61ª reunião extraordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS). No primeiro de seus três dias, o colegiado que gerencia a saúde pública no Brasil discutiu principalmente a revisão da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), cuja consulta aberta encerrou na quinta-feira (10/8). Na abertura do evento, o presidente do órgão, Ronald Ferreira dos Santos, afirmou que o CNS é "um espaço da democracia, que reúne usuários, trabalhadores e gestores", e que a reunião aconteceu em Manguinhos para homenagear o centenário da morte de Oswaldo Cruz. Santos observou que o CNS "não é uma entidade, mas sim uma instituição do estado brasileiro, com um conjunto de obrigações legais e processos legais a desenvolver". Segundo ele, no fato do órgão contar com obrigações, direitos e provisões legais "reside a fortaleza e a possibilidade de resistência, de usar o instrumento do CNS para resistir a qualquer ataque ao SUS".


Representando a presidência da Fiocruz - posto que a presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima, estava em Brasília para sessão solene no Congresso em homenagem ao seu fundador -, o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde, Marco Menezes, afirmou que “a consulta pública [ao PNAD] teve tempo exíguo. Movimentos e populações querem discutir mais, e precisamos avançar com essa discussão. Ela passa por uma revisão ampla do sistema, que inclui também a violência que estamos vivendo. Precisamos repensar o processo de cidadania nesse país”. O chefe de gabinete da presidência, Valcler Rangel, por sua vez manifestou a expectativa de que a reunião “fortaleça a luta pelo SUS, pela saúde pública e pelo estado de direito”.

Desafios são tema de debate

A primeira mesa de debates do encontro reuniu as pesquisadoras Lígia Giovanella (Ensp/Fiocruz), Márcia Valéria Morosini (Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio/Fiocruz) e Luciana Dias de Lima (Ensp/Fiocruz), focando-se nos desafios à atenção básica no país. Observando que o conceito de atenção básica corresponde ao que internacionalmente se denomina “Atenção Primária à Saúde” (APS), Giovanella diferenciou em sua apresentação dois entendimentos distintos deste direito: “uma concepção seletiva, com cesta restrita de intervenção custo-efetivas, limitada à atenção materno-infantil e doenças infecciosas. Em outras palavras, uma medicina pobre, para pobres”; e, em oposição a esta, uma concepção da APS como “atenção ambulatorial de primeiro nível: como os serviços de primeiro contato direcionados a cobrir as infecções e condições mais comuns, e a resolver a maioria dos problemas de saúde de uma população”. Segundo a pesquisadora, esta APS “abrangente ou integral” consiste também em uma “estratégia para organizar sistemas de atenção e para a sociedade promover a saúde”.



Colocando-se explicitamente favorável a uma APS robusta, Giovanella observou que seu posicionamento é endossado por um relatório de 2008 da OMS que “defende a atenção primária robusta como a resposta mais importante para enfrentar doenças crônicas”. A pesquisadora citou o subfinanciamento do SUS como principal responsável pelas deficiências do atendimento básico no país – segundo ela, o estado brasileiro gasta metade do que seria recomendado com a saúde de seus cidadãos. Ela defendeu também o custo-benefício dos investimentos na área: “a APS não é barata: requer investimentos consideráveis, mas é mais eficiente do que qualquer outra alternativa”, disse.

Márcia Morosini, por sua vez, fez apresentação com resultados de uma pesquisa recente sobre dificuldades de trabalhadores técnicos da saúde da família. Entre estes obstáculos estão a falta de qualificação adequada, a ausência de formação para os gestores, a precariedade do vínculo de trabalho, dificuldades na contratação de médicos em regimes de 40h e, mais recentemente, o aprofundamento da lógica gerencialista na área.

De acordo com a pesquisadora, além destes, há também problemas por vezes menos comentados, incluindo a diferenciação de tratamento entre os técnicos, auxiliares e agentes em relação aos trabalhadores de nível superior e distinções no investimento para a qualificação dos trabalhadores. “Não se reconhecem os profissionais de nível médio e técnico como responsáveis pela qualidade e pelos resultados”, resumiu Morosini.

Encerrando a mesa da manhã, Luciana Dias de Lima fez uma reflexão sobre a revisão da PNAB à luz do pacto federativo na saúde. Segundo a pesquisadora, a PNAB atual “teve papel fundamental na conformação do pacto federativo na saúde”. Lima exaltou avanços propiciados por ela, como a expansão da Estratégia de Saúde da Família (ESF), a descentralização dos serviços, a consolidação de um modelo nacional para atenção básica no SUS e a redistribuição de recursos financeiros para privilegiar regiões mais carentes. Em paralelo a estes avanços, a pesquisadora identificou limitações como a persistência de desigualdades regionais e fragmentação e dificuldades de integração regional de políticas, ações e serviços.

Em relação à revisão da PNAD, Lima lançou três questionamentos: a flexibilização do modelo de atenção e do uso dos recursos transferidos, que, em suas palavras, “substitui o certo pelo duvidoso”; a perda do poder coordenador do Ministério da Saúde e manutenção da fragilidade dos estados na regulação da implantação da atenção básica, que cria um vácuo na coordenação do PNAB em nível supra e intermunicipal; e, finalmente, o fato de as mudanças estarem sendo propostas e serem implementadas “em um contexto de ameaças aos direitos sociais, forte restrição fiscal e orçamentária com agravamento da situação de subfinanciamento do SUS. Por que e o que se pode esperar dessas mudanças nesse contexto?”, disse, defendendo como uma alternativa ao PNAB “a ampliação da discussão democrática e aprofundada para o pleno desenvolvimento da AB e aperfeiçoamento do SUS”.

A discussão da parte da manhã foi encerrada após a exposição de Lima, uma vez que um ato em defesa do SUS acontecia do lado de fora da Ensp neste mesmo momento. Os participantes foram convidados a se juntar à manifestação, que, segundo seus organizadores, reuniu mais de mil pessoas.

Representante de Ministério afirma que PNAB é “fruto de amplo debate”

Na parte da tarde, o diretor do Departamento de Atenção Básica (DAB) da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Allan Nuno Alves de Sousa, representou o órgão na discussão sobre a revisão da PNAB. Sousa disse que desde 2015 o MS vem discutindo o aperfeiçoamento da Política, ouvindo acadêmicos, especialistas e entidades do setor. “Fizemos um exercício de acomodação, desejos e interesses. Esta é a primeira vez que uma PNAB foi fruto de um amplo debate, com o escrutínio de todos os envolvidos. E vamos continuar priorizando a Estratégia de Saúde Família (ESF), com cuidado longitudinal e multiprofissional”.

Sousa, que foi vaiado em alguns momentos de sua apresentação, afirmou que a discussão da minuta não foi açodada nem feita às pressas e que houve 5 mil contribuições à consulta pública. Ele comentou que também é usuário do SUS. O presidente do CNS, Ronald Santos, pediu que a plateia não vaiasse e respeitasse a fala de Sousa.

Em seguida falou a representante do Centro de Estudos Brasileiros de Saúde (Cebes), Liu Leal. Segundo ela, a proposta do MS pode significar um desmonte do trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde e da capilaridade do SUS, colocando em risco muitos empregos. “Conseguimos construir uma política pública capilarizada e de muita potência no país. A gente fez uma opção há mais de 20 anos pela interlocução com a comunidade e pela identificação de um trabalhador [com essa política], que é o Agente Comunitário. Nesse momento de desmonte das políticas públicas, esse trabalhador está sendo preterido enquanto interlocutor estratégico”. Ela lembrou que a discussão não “é exclusiva do gestor e que o conjunto da sociedade tem que ser ouvido e participar ativamente do debate. Essa consulta pública nos uniu, mas não vamos concordar com o que prejudica a população, os trabalhadores e o SUS. A luta dos ACS é nossa”.

Para Liu, não há sentido em revisar a PNAB neste momento. “Por que agora? Essa ‘conta de padaria’ apresentada pelo governo não fecha e é irresponsável. Saúde não é custo, é investimento. A aprovação dessa Política é um crime contra a população. A emenda constitucional (EC) 95 afeta despesas com medicamentos, exames, recursos humanos etc. Cerca de 40% dos ACS poderão ser demitidos. Não vamos aceitar”. Em julho o CNS lançou um abaixo-assinado contra a EC 95, a do Teto dos Gastos Públicos, que congelou os gastos em saúde e educação por 20 anos. Em seguida o plenário viu a apresentação do grupo que trabalhou na atualização da Carta dos Direitos e Deveres da Pessoa Usuária da Saúde.

A oradora seguinte foi a vice-presidente da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), Shirley Marshal Díaz Morales. Ela afirmou que conhece a atenção básica “na raiz” e, assim como a maioria dos trabalhadores “não se enxerga no texto proposto pelo MS”. De acordo com Shirley, “não houve conversa com os trabalhadores. Quem conhece as Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde falta tudo, sabe a precariedade em que funcionam. Este debate tem que chegar aos rincões e aos locais de trabalho, não pode ficar limitado aos gabinetes. Não podemos aceitar essa minuta, pelo futuro dos nossos filhos”.

*André Costa e Ricardo Valverde são jornalistas da Agência Fiocruz de Notícias (ANF/Fiocruz).

FGV Energia | Energia em Foco: Evolução e Perspectivas do Setor Energético no Brasil


FGV ENERGIA
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11º Seminário Internacional de Sustentabilidade

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Mulheres no Mercado Financeiro: EESP promove palestra sobre o tema em São Paulo

A Escola de Economia de São Paulo da FGV (EESP) recebe, no dia 17 de agosto, a partir das 15h, a investidora Thais Fernandes, para o bate-papo “Mulheres no Mercado Financeiro”. A convidada vai abordar sua trajetória profissional, os desafios da carreira no mercado financeiro e o sucesso do Fundo Verde, o maior do país com 32 bilhões de reais em ativos.
Formada em 2007 na primeira turma de graduação em Economia da EESP, com MBA pela Columbia University, Thais iniciou sua carreira como analista de ações na FAMA Investimentos. Trabalhou por seis anos na Brasil Capital, empresa a qual se tornou sócia em 2011. Trabalhou também no First Manhattan Co. em Nova York e, atualmente, é responsável pela análise de bonds globais no Verde Asset Management.
Para mais informações e inscrições, acesse o site.

FGV promove Jornada de Iniciação Científica

A Fundação Getulio Vargas realiza, de 22 a 24 de agosto, das 9h às 18h, o Seminário de Iniciação Científica 2016/2017 das Escolas da FGV no Rio de Janeiro. O evento será realizado na sede da FGV, no Rio de Janeiro, e tem como objetivo a apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos bolsistas do Programa de Iniciação Científica (PIBIC).
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que visa apoiar a política de Iniciação Científica das Instituições de Ensino e Pesquisa, por meio da concessão de bolsas de Iniciação Científica (IC) a estudantes de graduação integrados na pesquisa científica.
O PIBIC FGV é apoiado pelo CNPq tem o objetivo de: despertar vocação científica;  incentivar novos talentos entre estudantes de graduação; contribuir para a formação científica de recursos humanos que se dedicarão a qualquer atividade profissional; estimular uma maior articulação entre a graduação e pós-graduação; contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa; estimular pesquisadores produtivos a envolverem alunos de graduação nas atividades científica, tecnológica e artístico-cultural; proporcionar ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimular o desenvolvimento do pensar cientificamente e da criatividade, decorrentes das condições criadas pelo confronto direto com os problemas de pesquisa; e ampliar o acesso e a integração do estudante à cultura científica.
Essa parceria com o CNPq tem gerado excelentes frutos. As bolsistas Marina Bichara Faria Coelho (Escola de Ciências Sociais – FGV CPDOC) e Eliana Lins Morandi (Escola de Administração de Empresas de São Paulo - FGV EAESP) receberam o Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica do CNPq, na edição de 2014 e 2016, respectivamente.
Para mais informações sobre o PIBIC acesse o site. Para mais informações referentes aos trabalhos dos bolsistas PIBIC da FGV, acesse o site.

Pesquisa revela hábitos alimentares de crianças e adolescentes nas cantinas escolares

O relatório anual do Center for Behavioral Research (CBR) da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV (EBAPE) e da Nutrebem, avaliou os “Hábitos alimentares de crianças e adolescentes em cantinas de escolas privadas no Brasil em 2016”.
A pesquisa, coordenada pelos professores da EBAPE Eduardo Bittencourt Andrade e Rafael Glodszmidt, analisou 1,2 milhão de compras efetuadas em 2016 por mais de 19 mil alunos em cantinas de 97 escolas localizadas em 25 cidades de sete estados brasileiros, além do Distrito Federal (SP, RJ, MG, DF, RS, PA, SC e BA).
Em torno de 65% do que foi consumido é de baixo valor nutricional, 22% é de médio valor nutricional, 7% é de alto valor nutricional, e 9% ainda não foi classificado pela Nutrebem. Da mesma forma, em torno de 65% do que é oferecido nas cantinas é de baixo valor nutricional, 20% é de médio, 8% é de alto valor. 7% ainda não foi classificado pela Nutrebem.
Duas maiores metrópoles do país, São Paulo e Rio de Janeiro apresentam resultados distintos. Os alunos fluminenses consomem mais produtos de baixo valor nutricional (76,9%), ao passo que os estudantes paulistas com esse perfil de consumo representam 59,3%. Os produtos mais consumidos em uma determinada categoria nutricional também variam entre os estados. No Rio, os refrescos de guaraná industrializado são os produtos de baixo valor nutricional mais populares. Em São Paulo, predominam os refrigerantes, seguidos dos achocolatados.
A pesquisa também verificou que os padrões de consumo variam ligeiramente por gênero. A proporção de produtos nutritivos (isto é, de alto e médio valor nutricional) consumidos por alunos do sexo masculino e feminino é semelhante até o 5º ano do ensino fundamental. A partir do 6º ano, as meninas passam a consumir mais produtos nutritivos em comparação com os meninos das mesmas séries.
Parceiros desde 2015, a FGV e a Nutrebem fazem pesquisas conjuntas no intuito de melhor compreender os hábitos alimentares de alunos e adolescentes em cantinas escolares no Brasil. A Nutrebem é responsável por fornecer e atualizar os dados (sempre em formato anônimo) sobre as compras efetuadas pelos alunos e o valor nutricional dos itens. Através de análises estatísticas e compreensão das ciências comportamentais, o CBR da EBAPE é responsável por converter os dados em conhecimento de relevância acadêmica, prática, e social.
A pesquisa na íntegra está disponível no site.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Chamada de Soluções Baseadas na Natureza

Você tem uma proposta de solução baseada na natureza para resolver um problema real?
Empresas, governos, pesquisadores ou representantes da sociedade civil organizada podem enviar propostas de iniciativas já implantadas e com resultados ou ainda não implantadas ou em fase inicial de implantação, desde que baseadas em demandas reais. Os cases devem trazer uma proposta de solução de um problema real, identificado em qualquer setor da sociedade, que tenha Soluções Baseadas na Natureza como resposta predominante ao problema apresentado, com demonstração de benefícios sociais, econômicos ou ambientais, além de seu potencial na contribuição às estratégias de adaptação à mudança do clima.
As propostas recebidas serão analisadas por um comitê formado por especialistas da Fundação Grupo Boticário, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP (GVces) e convidados. Os cases selecionados serão divulgados em uma edição especial sobre Soluções Baseadas na Natureza da P22_ON, uma publicação da Revista Página22 voltada para um público antenado com novidades do mercado e da sustentabilidade. Não perca a oportunidade de mostrar seu case de sucesso para o mundo!
ADAPTAÇÃO BASEADA EM ECOSSISTEMAS
Os impactos da mudança do clima são o maior desafio que a humanidade terá que enfrentar. As propostas apresentadas devem ter esse olhar sobre o impacto da mudança do clima na região e identificar se a iniciativa consegue reduzir esses impactos na sociedade, de certa forma, ou contribuir para o processo de adaptação e aumento de resiliência. Para ajudar a identificar os impactos dessas mudanças, o regulamento da chamada traz um mapa anexo, com as principais projeções de impacto da mudança do clima no Brasil.
Clique aqui e inscreva sua proposta até 15/08/2017.
Mais informações no Regulamento.

4º Congresso brasileiro de economia e finanças comportamentais

Local: FGV São Paulo - Salão Nobre FGV 9 de julho  
Endereço: Rua Itapeva, 432, 4º andar - Bela Vista, São Paulo/SP
Data:16 Agosto 2017
Horário: 08h00

O Encontro Brasileiro de Economia e Finanças Comportamentais tem como objetivo difundir estudos e trabalhos relacionados à Economia e Finanças Comportamentais, reunindo os praticantes do mercado e da academia.