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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Artigos: Conceito e ambiente de Marketing

Antes da Segunda Guerra Mundial, em sua maioria os bens e serviços eram desenvolvidos e oferecidos sem que se pensasse muito no cliente. A idéia inovadora de um engenheiro era transformada em um produto que, logo em seguida, era passado a um vendedor para vendê-lo. Em alguns casos havia a necessidade de produto, mas, na maioria das vezes, cabia ao pessoal de vendas criar tanto a necessidade quanto executar as vendas. A ênfase recaía sobre o produto que estava sendo ofertado e as necessidades da empresa que o oferecia, e não sobre as necessidades daquele que o estava comprando, não se levava em consideração o que o cliente queria de verdade. Após a guerra, a produção dos tempos de paz passou a identificar a necessidade de satisfazer os desejos do consumidor, os quais haviam negligenciados em conseqüência das necessidades militares. Em função da grande capacidade de produção das empresas, principalmente em países que se desenvolveram com grande intensidade na guerra, a indústria aumentou também a produção de bens. Entretanto, com o aumento da oferta de bens e das empresas concorrentes, os velhos conceitos e métodos já não serviam mais também à indústria. Os consumidores passaram a ter escolha maior de produtos e os fabricantes constataram que somente poderiam lucrar se levassem em consideração, antes de tudo, as necessidades e desejos do consumidor.
Desse modo, por imposição do próprio consumidor, muitas empresas foram forçadas a mudar sua filosofiade atuação. Inicialmente pensou-se na obtenção do lucro como objetivo final da empresa através de volumes maiores de vendas, onde os meios eram os métodos de vendas e de promoção e o produto em si, o elemento enfatizado.
Em seguida, o lucro passou a ser obtido não mais em função do volume de vendas, mas através da satisfação das necessidades do consumidor, onde todas as áreas ou setores da empresa atuavam de forma integrada para satisfazer da melhor maneira possível o consumidor daquele produto ofertado.
Com o passar dos anos, muitas empresas reconheceram as diferenças de conceitos e se orientaram para o cliente. Em um moderno sistema de marketing, os produtos não são mais fabricados e encaminhados para o pessoal de vendas, mas passam por um cuidadoso exame que é preciso para satisfazer seus consumidores potenciais.
Assim, pode-se afirmar que o comprador forma um julgamento de valor e age sobre o mesmo. Se ele fica satisfeito após a compra, depende do desempenho da oferta em relação as suas expectativas.
"Satisfação é o nível de sentimento de uma pessoa, resultante da comparação do desempenho (ou resultado) de um produto em relação a suas expectativas." 
Assim o nível de satisfação é uma função da diferença entre o desempenho percebido e as expectativas do indivíduo. Se o desempenho ficar longe das expectativas, ele estará insatisfeito. Se o desempenho exercer as expectativas, o consumidor estará altamente satisfeito, gratificado ou encantado. As expectativas são formadas por experiências de compra, recomendações de amigos e colegas e informações e promessas de vendedores e concorrentes. Neste atual momento, o desafio é criar uma cultura organizacional, de modo que todos dirigentes e funcionários estejam dispostos a encantar o consumidor.
Embora as empresas centradas nos consumidores procurem criar alta satisfação, não podemos afirmar que elas estão maximizando a satisfação de seus consumidores. Primeiro, a empresa pode aumentar a satisfação dos consumidores baixando seus preços ou aumentando os serviços, mais isso pode resultar em lucros menores. Segunda a empresa, pode ser hábil em aumentar sua rentabilidade de outras maneiras, como melhorando a produção ou investindo mais em pesquisa e desenvolvimento. Terceiro, as empresas tem muitos interessados, incluindo funcionários, revendedores, fornecedores e acionistas. Gastar mais para aumentar a satisfação dos consumidores desviaria o dinheiro que aumentaria a satisfação de outros sócios. Finalmente, a empresa deve orientar-se na filosofia de que está tentando entregar um alto nível de satisfação a seus consumidores, nível este pelo menos aceitável pelos outros interessados, limitado às restrições de seus recursos totais.
A maneira pela qual a pressão da concorrência levou a uma abordagem de marketing orientada para o consumidor é claramente ilustrada pelo desenvolvimento da indústria automobilística nos EUA. Lá, uma maior popularidade do automóvel começou durante a década de 1930. Este porém, foi um período de depressão econômica, bem como uma era durante a qual as pessoas haviam se acostumado a uma modalidade de transporte completamente nova. Havia mais fabricantes de automóveis do que atualmente e a concorrência era aguda para o pequeno mercado em disponibilidade. Entretanto, a maioria dos fabricantes orientava-se para a produção, área em que tinha maior conhecimento, e projetava seus carros sem pensar muito nas características de veículos que os clientes queriam. Por exemplo, Henry Ford, o pioneiro na produção de automóveis em massa, dizia que os clientes podiam ter a cor que quisessem, desde que esta fosse preta. Em meados da década de 1920, a General Motors iniciou a venda de veículos em outras cores e modelos. Daquela data em diante nunca mais deixou de dominar o mercado interno americano.
Quando a segunda guerra terminou e o mercado de automóveis se expandiu, os fabricantes que alcançavam maior êxito fabricavam automóveis que atendiam às necessidades dos compradores em potencial. Para que estas necessidades fossem identificadas e satisfeitas, muito contribuíram os resultados das pesquisas de marketing que apontaram exatamente o que os consumidores importantes, como motores mais eficientes. Com efeito, um fabricante de automóveis usa um apelo em sua propaganda do tipo "Você pediu, aí está". Este é, em poucas palavras, o conceito de marketing. 


O Composto de Marketing

Nem todos os produtos podem ser tratados da mesma maneira. As necessidades do consumidor em relação a um produto podem variar com as estações do ano, mudanças de estilo ou diversos outros fatores. O sucesso ou o fracasso de um produto no mercado depende da maneira pela qual os vários elementos de decisão do administrador de marketing chamados de composto de marketing, são mesclados.
Os elementos do composto de marketing são os seguintes:
Decisões de produtos. Incluem, mas não se limitam aos atributos físicos do produto. As decisões a respeito do projeto da embalagem, marcas registradas, nomes, garantias, a vida de mercado prevista para o produto etc. também são parte de seu planejamento. O produto precisa ser desenvolvido de maneira a relacionar-se com a satisfação das necessidades do consumidor.
Decisões de distribuição. A distribuição envolve uma série de atividades que vão desde os aspectos físicos de levar o produto para o consumidor até a seleção dos canais de distribuição apropriados. Estes podem incluir atacadistas, varejistas e outros distribuidores se o produto visar ao consumo geral. Para um produto industrial pode haver necessidade de pessoal de vendas diretamente para as fábricas, representantes de fabricantes ou distribuidores por localizações regionais. Essencialmente, esta fase do composto de marketing é considerada como aquela que inclui todos os intermediários, não importando como estes sejam definidos.
Decisões de Comunicação. Incluem venda pessoal, propaganda, promoção de vendas e publicidade. Quaisquer que sejam os métodos usados, é importante que sejam cuidadosamente mesclados para produzirem o resultado desejado. Quando se investe recursos em propaganda e o seguimento de vendas do produto não é adequadamente planejado e implantado, esses recursos poderão estar sendo desperdiçados.
Decisões de preço. Os preços de produtos, até há pouco controlados em muitos setores da economia, estão tomando um dos principais componentes do composto de marketing. Os preços devem ser estabelecidos a um nível em que haja possibilidade de lucro e que, seja justificável para o consumidor e competitivo com os produtos similares dos concorrentes.
Composto de marketing sob medida para problemas. Por ocasião do desenvolvimento do plano de marketing precisamos todos os elementos do composto de marketing. Entretanto, dependendo de condições específicas, alguns elementos podem ser mais importantes que outros. Por exemplo, uma empresa que planeje vender roupas nas áreas rurais e de difícil acesso precisa pensar muito sobre o problema de distribuição. Uma loja em uma área pouco povoada poderia ter sua administração onerosa em função do volume de negócios que lá poderiam ser realizados. Contudo, vender roupa nesta mesma área por intermédio de mala direta acarreta um sistema de distribuição que custará menos, porém, muito provavelmente esta loja teria prejuízos. Naturalmente, têm de ser considerados todos os demais elementos do composto de marketing; entretanto, o elemento-chave do sucesso poderia estar na escolha de um canal de distribuição apropriado.  


Como medir a satisfação do consumidor

Em um ambiente empresarial, um dos aspectos mais importantes está relacionado com a maneira de interagir com os clientes no sentido de atender às suas necessidades e expectativas buscando satisfazer seus desejos, a um preço que ele esteja disposto a pagar e com lucro para a empresa fornecedora de produto e serviço. Desta maneira, a qualidade do serviço é um fator que em última instância determina a satisfação dos clientes, contribuindo para o processo de retenção destes clientes, além de conquistar outros mercados. Um grande desafio para uma organização, é como aumentar a satisfação do cliente em face da concorrência num ambiente de negócios sempre de mudanças. As empresas estão cada vez mais percebendo evidências de que o investimento na qualidade do serviço paga altos dividendos na forma de expansão da reputação, elevação de lucros e aumento da moral dos empregados.
Melhorar o desempenho do serviço e a satisfação do cliente; melhorar a produtividade e a eficiência, e reduzir custos; e aumentar a participação no mercado. Para obter tais benefícios, um sistema da qualidade para serviços deve também levar em conta os aspectos humanos envolvidos na prestação de serviços, devendo para tanto: gerenciar os processos sociais envolvidos em um serviço; considerar as interações humanas como parte crucial da qualidade do serviço; reconhecer a importância da percepção que o cliente tem da imagem, da cultura e do desempenho da organização; desenvolver as habilidades e a capacidade do pessoal; e motivar o pessoal a melhorar a qualidade e atender às expectativas do cliente.
Uma questão frontal que os gerentes defrontam é: como medir esta abstração intangível chamada satisfação do cliente? Uma abordagem para medir a satisfação do cliente baseada em seis premissas de trabalho, e que constituem num sistema de auto-ensinamento para a melhoria da satisfação do serviço. Estas premissas são descritas a seguir.
- Premissa um: A satisfação do serviço é formada pela interseção da experiência, expectativa e desejo. Esta premissa faz uma clara distinção entre medição de: experiência do serviço, expectativas do cliente sobre o serviço e desejos do cliente com relação ao serviço. Esta distinção contribui para criar um sistema de medida que encoraja e alimenta estratégias para melhorar o serviço. Cada um destes conceitos são tratados como elementos distintos que formam uma corrente de satisfação. A experiência do serviço é simplesmente a qualidade percebida pelo cliente no encontro do serviço, tendo como base as características mais salientes para este cliente.
As expectativas são as suposições antecipadas com relação ao encontro do serviço. Normalmente, os clientes consideram expectativas sobre a natureza do prestador do serviço, as mensagens que o prestador de serviço usará (informação técnica, instruções), o seu comportamento (amigável, profissional, indiferente), o processo passa a passo através do qual o serviço se desencadeará e a duração do encontro. Os clientes formam expectativas com base em experiências prévias através de informações importantes e por inferência. Os desejos, por outro lado, é o que os clientes gostariam de ver no futuro. Em outras palavras, se o cliente examina o "espetáculo", sem considerar o preço ou outros constrangimentos, ele considera como gostaria de mudar o serviço.
- Premissa dois: Para medir a satisfação, examine as qualidades críticas de experiência modeladas por expectativas e desejos. Para medir a satisfação, é necessário observar de perto a experiência do serviço do ponto de vista do cliente. A meta é examinar os fatores que são verdadeiramente salientes para o cliente. O fator-chave é lembrar que o cliente pode valorizar a qualidade do serviço tendo como base qualquer critério que ele deseja. A realidade percebida e o critério de julgamento usados para a concepção desta realidade são fundamentais. Percebendo que os clientes formulam suas opiniões baseadas em uma lógica formal, torna-se clara a necessidade de iniciar uma profunda investigação sobre a percepção do cliente.
O importante é usar um formato onde os clientes podem descrever em detalhes porque eles estão satisfeitos ou insatisfeitos com os seus mais recentes encontros com o serviço. Deve-se empregar um formato onde os clientes possam explicar com suas próprias palavras. Estes dados colhidos podem ser usados para criar um modelo de satisfação que reflete aqueles atributos mais importantes para os clientes. A seguir é apresentado como exemplo, um modelo de serviço de cliente desenvolvido a partir de um estudo qualitativo com os clientes de uma importante empresa de utilidades. Esta pesquisa conduzida através de uma amostra representativa de clientes, encontrou seis dimensões diretamente relacionadas com a percepção da qualidade de serviços: acessibilidade, amabilidade, serviço responsivo, impotência, controle sobre o encontro e aspecto favorável com relação á empresa. Acessibilidade é definida como a percepção pelo cliente da disponibilidade do prestador de serviço para o contato. O cliente deveria ser capaz de determinar, com um mínimo de esforço, onde ir ou com quem falar a fim de resolver o problema.
Se o cliente é desviado para uma pessoa que não pode prestar o serviço apropriado, caracteriza-se uma perda de tempo que pode levar a altos níveis de frustração. Por exemplo, se um cliente em dificuldades com a necessidade de um serviço, for transferido para um empregado que não está autorizado a emitir uma ordem de serviço, provavelmente sentirá que está falando com a pessoa errada. Desta maneira, a disponibilidade é uma função da facilidade com que um cliente pode identificar ou contatar a pessoa que pode assisti-lo.
- Premissa três: Um indicador confiável de satisfação permite a uma empresa estabelecer um nítido benchmark ou referencial de excelência que é caracterizado por um indicador de líder reconhecido, usado para comparação. Uma empresa que trabalha com um modelo adequado de satisfação de serviço constrói um sistema de medição que constitui um instrumento acurado para medir a satisfação do cliente. Por exemplo, uma entrevista de dois a três minutos por telefone pode aferir a satisfação do cliente, podendo ser utilizado para acessar qualquer companhia. Estudos periódicos usando instrumentos dirigidos a modelo de satisfação, podem estabelecer nítidos benchmarks para uma companhia. O resultado de tais estudos fornecem aos gerentes, subsídios para enfatizar treinamentos e estratégias de serviços. Além disso, as empresas pode utilizar empregados ou representantes de serviços altamente valiosos no sentido de colher feedbacks de oportunidades junto ao cliente. É preciso saber explorar adequadamente este flanco para obter uma vantagem competitiva.
- Premissa quatro: Através das medidas expectativas e desejos dos clientes, uma empresa pode decidir como estrategicamente exceder as expectativas assim como influir na satisfação do serviço. Entrevistas adequadas que exploram as expectativas e desejos dos clientes fornecem aos prestadores de serviços, estratégias específicas para sua melhoria. A melhoria da satisfação do grau em que a experiência, ou satisfaz a expectativa de um cliente. A existência de expectativa é vista como um padrão através do qual um serviço futuro será julgado. Por exemplo, se uma pessoa espera que o seu refrigerador seja consertado em dois dias e isto leva quatro, ela estará insatisfeita e provavelmente transtornada. Com a mesma expectativa, receber o serviço de reparo em um dia significará um aumento de satisfação. Os pontos críticos mais relevantes a serem analisados com relação às expectativas de um cliente, dizem respeito à: representantes da empresa, mensagens de serviço, encontro com o serviço, produto do serviço. Informações desta natureza permitem que uma empresa meça o alcance total das expectativas de um cliente e passe a formular políticas e procedimentos que servirão para exceder estas expectativas em níveis significativos.
- Premissa cinco: Um indicador de satisfação obtido através de um benchmark permite a uma companhia observar mudanças na satisfação de um cliente devido a ações estratégicas tomadas por esta companhia ou mudanças no ambiente de mercado (política, economia, social e outras). Através da avaliação da satisfação do cliente num período básico, uma empresa pode estabelecer nítidos benchmarks para serviços, que podem ser usados como indicadores de desempenho de qualidade ou estabelecer a necessidade para mudanças nas políticas ou ações da empresa. Em períodos de incerteza, um forte benchmark pode também ser usado para avaliar a seriedade de um problema ou verificar a tendência atual da empresa.
- Premissa seis: Os efeitos corretos de estratégias podem ser medidos de forma acurada pela observação da mudança na medida da satisfação. Através de um indicador confiável da satisfação, uma empresa pode seguir a pista dos efeitos de estratégias específicas. As estratégias delineadas para melhorar o serviço e a satisfação do cliente devem constituir um teste final. Se mudanças no indicador de satisfação não puderem ser distinguidas no período especificado, as estratégias provaram ser ineficazes e desnecessárias. Análises podem fornecer aos gerentes a avaliação do custo/benefício sobre as estratégias que tiveram impacto. Muitas empresas testam as suas idéias isoladamente antes de implementá-las no processo de serviço, utilizando-se de uma área limitada ou região para julgar a sua eficácia. Uma empresa que explora adequadamente várias maneiras de medir a satisfação do cliente, ligando experiências, expectativas e desejos, encontra seguramente um caminho para obter uma posição competitiva.


O comportamento do consumidor

Ao estudar as diferentes políticas para colocar um produto no mercado, a direção de uma empresa pode optar por uma estratégia de venda, de produto ou de consumidor.
Se a orientação preferida é a de venda, o empresário parte do pressuposto de que os consumidores não comprarão o produto a não ser sob um importante esforço de promoção e de vendas. Esta pressuposição baseia-se no princípio: "se você pode fabricar, eu posso vender". Por conseguinte, a empresa direcionará todos os seus esforços para a propaganda, a promoção, a venda pessoal e os pontos de venda. Se tal política é levada às suas últimas conseqüências, a estratégia  descrita converte-se numa espécie de venda forçada, que pode ser ofensiva para muitos consumidores.
A orientação estratégica baseada no produto fundamenta-se no princípio: "construir uma ratoeira melhor". São característicos desse enfoque os elevados custos de pesquisa e desenvolvimento, uma atenção preferencial à tecnologia de vanguarda e freqüentes modificações no produto. Como conseqüência disso, os aspectos da comercialização recebem pouca atenção e quase não se fazem estudos sobre o que o consumidor deseja ou precisa.
A orientação estratégica de consumidor funda-se na frase: "procure saber o que eles querem para oferecê-lo". As principais linhas desta orientação resumem-se, portanto, na determinação das necessidades e dos desejos dos consumidores e na motivação da empresa para satisfazê-los com mais acerto e eficácia do que os competidores. A pesquisa marketing recebe uma atenção especial, mas o desenvolvimento do produto, sua promoção e outras variáveis da comercialização são igualmente importantes. Por isso, a direção desenvolve um plano, cujo objetivo é a colocação do produto no mercado, a partir de uma filosofia da gestão comercial orientada para o consumidor.


Vantagens da orientação de consumidor

A adoção de uma estratégia orientada para o consumidor permite à empresa obter uma imagem mais exata da estrutura de seu mercado. Como as necessidades do consumidor têm duração maior que o ciclo de vida dos produtos, uma política orientada para satisfazê-las porá em evidência a verdadeira capacidade de substituição e complementaridade daqueles.
Além disso, haverá menos desperdício e se conseguirá maior rendimento do esforço de comercialização, diminuindo seus custos e aumentando a rentabilidade dos investimentos, visto que, se a empresa é capaz de proporcionar aos consumidores aquilo que precisam ou desejam, já não será necessário persuadi-los. Aumentará também a receptividade frente às mensagens comerciais, o que resultará na redução da promoção necessária.
O desenvolvimento do produto é fruto das mudanças dos desejos dos consumidores do que das inovações tecnológicas. Portanto, uma estratégia orientada para o consumidor implica estruturar melhor a pesquisa do produto, diminuindo com isto o risco de eventuais equívocos na sua escolha. Por outro lado, os produtos que já não tem demanda no mercado são postos de lado e substituídos com maior facilidade por produtos novos, capazes de propiciar êxitos mais rápidos. Dessa forma, a empresa se terá convertido em líder, em vez de ser imitadora de outras.
A estratégia de orientação baseada no consumidor aumenta sua satisfação por que recebe aquilo que deseja. Essa maior satisfação tem efeito multiplicador, já que com freqüência favorece as recomendações pessoais do produto, provavelmente o meio de promoção mais eficaz para gerar nova demanda. Uma satisfação maior reforça também a fidelidade para com a marca, tornando a opinião pública mais positiva.


Críticas à orientação do consumidor

Recentemente, certos teóricos e pesquisadores de marketing apontaram aquilo que, na opinião deles, constitui incovenientes potenciais da orientação do consumidor. Em primeiro lugar, sustentam que esta estratégia se traduziu numa ênfase excessiva nas pequenas mudanças do produto, que a expressão "novo e melhorado" resume perfeitamente. Mas a principal objeção funda-se no fato de que, como resultado da atenção preferencial ao consumidor, as empresas interromperam quase por completo todos os esforços de pesquisas destinados ao desenvolvimento de novos avanços tecnológicos revolucionários.
Embora tais críticas tenham seu fundamento, em grande parte são uma interpretação errônea daquilo que representa esse tipo de orientação, segundo a qual uma empresa não deve apenas adivinhar as necessidades do consumidor, mas antecipar-se às suas necessidades futuras. No contexto de uma estratégia de orientação do consumidor, uma empresa não deve renunciar ao desenvolvimento de novas tecnologias, mas converter este objetivo em uma preocupação central.


Unidades de consumo

Quando se analisa o comportamento do consumidor não é suficiente considerar a motivação dos indivíduos. O grupo, como unidade de vida em comum, é também um ponto focal para a análise. Normalmente, o centro da atenção volta-se para a família tradicional como unidade de consumo mas, a partir dos anos 60, foram tendo importância sempre maior as unidades familiares não tradicionais, formadas por casais não casados formalmente ou grupos mais amplos que vivem em comunidade.
Além disso, também as organizações devem ser consideradas como consumidoras de bens e serviços. Os tipos dominantes de organização em nossa economia são as indústrias, as instituições públicas (hospitais, escolas), as instituições privadas (lojas varejistas, clubes, restaurantes) e o governo (local, estadual e federal). O mais importante e mais destacado membro deste grupo de unidades de consumo é sem dúvida o governo.
Convém recordar que existem também outras unidades de consumo formadas por seres vivos, ainda que não sejam verdadeiros compradores dos produtos e serviços. Os animais domésticos e o gado precisam de coisas tão diversas como alimento, abrigo, cuidados médicos e transporte.

"Cosmocartas - Hélio Oiticica e Lygia Clark" retoma temporada



Após recesso de fim de ano, espetáculo em cartaz no Centro de Artes Hélio Oiticica volta hoje, dia 2/1, e fica em cartaz até o dia 8/2

"Cosmocartas - Hélio Oiticica e Lygia Clark" leva para o teatro o pensamento dos artistas plásticos

Com os atores Álamo Facó e Cristina Flores, direção de Renato Linhares e dramaturgia de Pedro Kosovski e Álamo Facó, o espetáculo estreia no dia 6/12, no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica

Uma imersão no universo de dois dos maiores ícones das artes visuais no Brasil é a proposta central de "Cosmocartas - Hélio Oiticica e Lygia Clark", que estreia dia 6 de dezembro, no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica. Com os atores Álamo Facó e Cristina Flores, a peça tem direção de Renato Linhares e colaboração artística de Cesar Augusto. O espetáculo é inspirado no livro "Lygia Clark/Hélio Oiticica: Cartas 1964-1974" (Ed. UFRJ) e ganhou tratamento dramatúrgico assinado pelo próprio Álamo Facó e Pedro Kosovski. As apresentações acontecem dentro de uma instalação do coletivo de artes Opavivará!, de quinta a sábado, até o dia 8/02. A entrada é gratuita.

Tendo como ponto de partida a correspondência entre Lygia e Hélio, o espetáculo traz a troca de pensamentos e experiências entre um e outro, durante o período de dez anos em que ela morou em Paris e ele, no Rio de Janeiro, Londres e Nova York.
Ao longo de 40 cartas, transparecem as angústias, os desejos e o cotidiano de suas vidas e, sobretudo, um enorme desejo de transformação na arte e no Brasil.

A dramaturgia e a encenação desconstroem uma abordagem figurativa ao posicionar os intérpretes, Álamo e Cristina, como leitores ativos de Hélio Oiticica e Lygia Clark, respectivamente. Cria-se, então, um jogo de espelhos, uma zona fantasmática, um "caos especular" em que a dupla de leitores-artistas inaugura percepções, experiências e pensamentos em parceria imaginária com a consagrada dupla de artistas plásticos. E-mails trocados por Álamo e Cristina, durante o processo de criação, se misturam às cartas de Hélio e Lygia; a favela da Mangueira e a escadaria de Selarón tornam-se penetráveis-urbanos remontando à obra de Oiticica; proposições sensoriais vividas entre os intérpretes e o público atualizam a pesquisa de Clark sobre os limites entre arte e psicologia.

A abordagem histórica de Hélio e Lygia (entre 1964-74) politiza-se no presente histórico (2013-14) em que Álamo e Cris estão mobilizados por experiências poéticas de liberação e direito sobre o próprio corpo. Segundo os idealizadores, a criação desta peça é uma resistência ativa frente às forças de repressão que impedem a manifestação, a erotização e os desvios do corpo.

Ao fazer com que atores e público percorram três salas do Centro de Artes, em uma grande instalação criada pelo coletivo Opavivará!, há o objetivo de fazer com os espectadores entrem no universo singular da dupla de artistas plásticos, transformem e ampliem as fronteiras entre arte e vida. Mas o essencial deste percurso é ativar a experiência do sensível e reposicionar as zonas de intensidade e erotismo que unem pensamento e corpo. Durante o trajeto, a plateia se vê diante da possibilidade não apenas de assistir a uma peça, mas de criá-la em parceria com os atores.

A concepção do projeto teve início há cerca de cinco anos, quando Pedro travou o primeiro contato com o livro. "Peguei o livro da biblioteca e, encantado com a obra, mostrei-o a Álamo. Nós morávamos juntos nessa época. Em seguida, Álamo entregou o livro para Cristina, que o passou a Renato. Criou-se, assim, uma cadeia de roubos e encantamentos. Hoje já nem sei com quem o livro está.". Outros amigos foram se unindo ao projeto, que, ao fim do processo, virou uma invenção de Álamo Facó, Cristina Flores, Pedro Kosovski, Maria Flor Brazil, Renato Linhares e do coletivo Opavivará!. Integram ainda a ficha técnica Ticiana Passos, que assina o figurino, Tomás Ribas, responsável pela luz, e Gabriel Fomm, à frente da trilha sonora.

A peça não cobrará ingresso de entrada, entendendo que o espectador já pagou pelo mesmo quando o projeto ganhou o edital FATE 2012 (Fundo de Apoio ao Teatro), da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Cultura. Este é também um posicionamento ideológico, que traz à tona conceitos gerados por Hélio e Lygia, tais como a "deselitização da arte" e "a arte e o não-objeto comercializável".

"Cosmocartas - Hélio Oiticica e Lygia Clark" é o primeiro espetáculo inspirado no livro "Lygia Clark/Hélio Oiticica: Cartas 1964-1974", que conta com o apoio das famílias tanto de Hélio Oiticica, quanto de Lygia Clark.


Currículos

Álamo Facó
Nascido no Rio de Janeiro, Álamo Facó já participou de mais de 30 peças teatrais e eventos performáticos pelo Brasil, Inglaterra, Argentina, Chile e Portugal. Entre eles, destacam-se "Talvez", solo de sua autoria, realizado pela Cia dos Atores, "Pterodátilos", "Exilados", "On the edge", "Jornada de um poema", "O lobo nº1 - A estepe", "Inimigo da classe", "Desesperados" e "Capitães da areia". Em 1996, ganhou o Prêmio Sustain de melhor ator, tendo sido indicado, um ano antes, ao prêmio Novos Talentos da Cidade do RJ. Em cinema, atuou nos longas-metragens "O palhaço", "Tropa de elite", "Qualquer gato vira-lata", "Billi pig", "Totalmente inocentes", "O maior amor do mundo", "Não se pode viver sem amor", "Apenas o fim", "Paraíso aqui vou eu" e "Vida de balconista". Álamo está atualmente na novela "Amor à vida", como o psicólogo Renan, e atuou também em "Lado a lado", "A grande família", "Mulher invisível", "Esperança", entre outras.

Cristina Flores
Cristina Flores foi duas vezes indicada ao prêmio Shell de melhor atriz ("Dilacerado" e "Memória afetiva de um amor esquecido"), três vezes indicada ao Prêmio Qualidade Brasil ("Dilacerado", "Memória afetiva de um amor esquecido" e "A estupidez"), indicada ao Prêmio Questão de Crítica ("As horas entre nós"), indicada ao prêmio Coca-Cola de Teatro ("As viagens de Gulliver"). A atriz é fundadora de Os Dezequilibrados, companhia teatral dirigida por Ivan Sugahara, com 18 espetáculos montados e diversas indicações a prêmios nos últimos 15 anos.

Pedro Kosovski
Formou-se no teatro O Tablado, onde atualmente é professor. Graduou-se em psicologia pela PUC-Rio, instituição em que também concluiu seu mestrado e atualmente é professor da pós-graduação Psicologia Junguiana, Arte e Imaginário. Desde 2005, criou Aquela Cia de Teatro - núcleo artístico de criação e pesquisa da linguagem teatral. Em 2008, realizou Aquela Cia ocupa Teatro Gláucio Gill e, em 2013, realizou a residência artística Processos Criativos da Aquela Cia, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Entre os trabalhos mais recentes, destacam-se: "Cara de Cavalo" (2012), com Aquela Cia de Teatro - vencedor do Prêmio Questão de Critica e indicado ao Prêmio Shell 2012, na categoria Melhor Texto; "Enquanto estamos aqui" (2012), criação em parceria com os artistas Marcio Abreu e Marcia Rubin; "Outside" (2011), com Aquela Cia de Teatro - indicado ao Prêmio Questão de Critica, na categoria Dramaturgia e Prêmio APTR, na categoria Melhor Texto; vencedor do Prêmio FITA de Melhor Texto. A peça Outside foi publicada, em 2012, na coleção dramaturgias do selo Questão de Critica. Escreveu ainda "Do artista quando jovem" (2010) e "Lobo Nº1 - A estepe" (2008). Como diretor, realizou, em parceira com Marco André Nunes, "Malentendido", de Albert Camus (2009).

Renato Linhares
Encenador e performer, Renato Linhares vive no Rio. Fez parte do grupo de novo circo Intrépida Trupe por oito anos, tendo dirigido o espetáculo "Metegol" e participado como coreógrafo e intérprete de "Sonhos de Einstein" e "Flap". Na Intrépida desenvolveu pesquisas em acrobacia aérea, ministrando cursos durante toda sua passagem pelo grupo. Seus trabalhos mais recentes foram os espetáculos "Horses Hotel", com direção de Alex Cassal e Clara Kutner, e "Pequena coleção de todas as coisas", com a Cia Dani Lima, ambos realizados em 2013, e "O maravilhoso museu da caça e da natureza", que concebeu e dirigiu no primeiro semestre de 2012. É integrante do Coletivo Improviso, dirigido por Enrique Diaz, tendo participado dos espetáculos "Otro" e "Não olhe agora", apresentado em festivais em países como França, Bélgica, Alemanha, Japão, Suíça e Holanda. Com o diretor espanhol Fernando Renjifo, participou dos espetáculos "Impromptus" e "Paisaje Invisible". Com a coreógrafa Cristina Moura, participou dos espetáculos "A mulher que matou os peixes... e outros bichos", "To beauty or not to beauty", "I was born to die" e "Homens". Faz parte do grupo Foguetes Maravilha, tendo participado do espetáculo "Ninguém falou que seria fácil", "Síndrome de Chimpanzé" e da cocriação com o grupo português Mundo Perfeito, "Mundo maravilha", atualmente em turnê. Iniciou seus estudos em teatro em 1998, com o grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, realizando o espetáculo "A exceção e a regra", de Bertolt Brecht.

Opavivará!
Coletivo de arte do Rio de Janeiro, que desenvolve ações em locais públicos da cidade, galerias e instituições culturais, propondo inversões dos modos de ocupação do espaço urbano, por meio da criação de dispositivos relacionais que proporcionam experiências coletivas. Desde sua criação, em 2005, o grupo participa ativamente do panorama das artes visuais do Brasil.


Biografias

Lygia Clark (1920-1988)
Pintora e escultora, Lygia Clark nasceu em Belo Horizonte e, em 1947, iniciou seus estudos artísticos no Rio de Janeiro, sob a orientação de Roberto Burle Marx e Zélia Salgado. Em 1950, foi a Paris, onde frequentou o ateliê de Fernand Léger (1950-1952). Sua primeira exposição individual ocorreu no Institut Endoplastique de Paris. De volta ao Rio, integrou o Grupo Frente (1954 e 1956), liderado por Ivan Serpa. Com o objetivo de estabelecer uma nova linguagem para a arte abstrata brasileira, fundou o neoconcretismo (1959). Em suas primeiras pinturas (1954-1958), mudou a natureza e o sentido do próprio quadro. Estendeu a cor até a moldura, anulando-a ou até mesmo trazendo-a para dentro da tela, criando obras como Superfícies Modulares e os Contra-Relevos. No período de 1960 a 1964, surgiu Bichos: esculturas articuladas, manipuláveis pelo público. Com eles, Lygia indicava sua busca pela participação do espectador em seu trabalho, por meio de objetos sensoriais (sacos plásticos, pedras, conchas, luvas etc.), para despertar sensações e fantasias. Mais tarde, elaborou trabalhos como Nostalgia do Corpo: Diálogo (1968), que propõe sentir coisas simples, do sopro da respiração ao contato com uma pedra na palma da mão; A Casa É o Corpo: Labirinto (1968), que simula um útero a ser penetrado pelo visitante, que é levado a experimentar sensações táteis ao passar por compartimentos; e Baba Antropofágica (1973), no qual várias pessoas derramam, sobre alguém deitado, fios que saem de suas bocas. Lygia desenvolveu ainda experiências terapêuticas com seus objetos sensoriais, principalmente entre seus alunos da Sorbonne, onde lecionou (1970-1975). No Rio de Janeiro, passou a dar consultas terapêuticas particulares (1978-1985).

Hélio Oiticica (1937 - 1980)
Artista performático, pintor e escultor, Hélio Oiticica inicia, com o irmão César Oiticica, estudos de pintura e desenho com Ivan Serpa no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1954. Nesse mesmo ano, escreve seu primeiro texto sobre artes plásticas. A partir daí, o registro escrito de reflexões sobre arte e sua produção se torna um hábito para Hélio. Participa do Grupo Frente em 1955 e 1956 e, em 1959, passa a integrar o Grupo Neoconcreto. Abandona os trabalhos bidimensionais e cria relevos espaciais, bólides, capas, estandartes, tendas e penetráveis. Em 1964, começa a fazer as chamadas Manifestações Ambientais. Na abertura da mostra Opinião 65, no MAM/RJ, Hélio protesta quando integrantes da escola de samba Mangueira, seus amigos, são impedidos de entrar. Depois de ser expulso, realiza uma manifestação coletiva em frente ao MAM, na qual os os sambistas voltam vestidos com os parangolés, marca do trabalho de Hélio. Participou das mostras Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira, apresentando, nesta última, a manifestação ambiental Tropicália. Em 1968, realiza novamente no Aterro do Flamengo a manifestação coletiva Apocalipopótese, da qual fazem parte seus parangolés e os Ovos, de Lygia Pape. Em 1969, realiza na Whitechapel Gallery, em Londres, o que chama de Whitechapel Experience, apresentando o projeto Éden. Vive em Nova York na maior parte da década de 1970, período no qual é bolsista da Fundação Guggenheim e participa da mostra Information, no Museum of Modern Art - MoMA. Retorna ao Brasil em 1978. Depois de sua morte, é criado, em 1981, no Rio de Janeiro o Projeto Hélio Oiticica, destinado a preservar, analisar e divulgar sua obra, dirigido por Lygia Pape, Luciano Figueiredo e Waly Salomão. Entre 1992 e 1997, o Projeto HO realiza grande mostra retrospectiva, que é apresentada nas cidades de Roterdã, Paris, Barcelona, Lisboa, Mineápolis e Rio de Janeiro. Em 1996, a Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro funda o Centro de Artes Hélio Oiticica, para abrigar todo o acervo do artista e colocá-lo à disposição do público. Em 2009, um incêndio na residência de César Oiticica, destrói parte do acervo de Hélio Oiticica.



Ficha técnica
Invenção: Álamo Facó, Cristina Flores, Pedro Kosovski, Maria Flor Brazil, Renato Linhares e Opavivará!
Elenco: Álamo Facó e Cristina Flores
Dramaturgia: Pedro Kosovski e Álamo Facó
Colaboração dramatúrgica: Cristina Flores e Renato Linhares
Direção: Renato Linhares
Diretora assistente: Laura Samy
Colaboração artística: Cesar Augusto
Luz: Tomás Ribas
Figurino: Ticiana Passos
Direção de arte: Opavivará!
Trilha sonora/Som: Gabriel Fomm
Projeto gráfico: Estúdio▲ | www.triangulo.nu
Documentação e vídeo: Maria Flor Brazil
Fotografia: João Penoni e Maria Flor Brazil
Administração financeira: Rodrigo Gerstner
Produtora assistente: Luana Carvas
Produção executiva: Daniela Paita
Direção de produção: Camila Vidal


Serviço
Temporada: de 06/12/2013 a 08/02/2014 (quinta a sábado) *com recesso entre 15/12 e 01/01
Horário: 19 horas
Apresentações extras: dias 15 e 22/01/2014, às 16h
Local: Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica
Endereço: Rua Luís de Camões, 68, Centro
Telefone: 2232-4213
Classificação: 18 anos
Duração: 90 minutos
Capacidade: 50 pessoas
Gênero: DocCaos
Entrada gratuita 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Artigos: Trabalho Infantil

É proibido por lei que crianças com menos de quatorze anos realizem qualquer trabalho infantil. Até esta idade a criança pode até ser aprendiz de algum trabalho, mas em hipótese alguma pode exercê-lo. 

Este aprendizado é considerado como uma formação técnico-profissional, que tem que garantir o tempo do infantil no ensino regular, com freqüência obrigatória; não pode ser uma atividade que prejudique o desenvolvimento do adolescente e tem que ser realizada em horários especiais para não ser caracterizado como trabalho infantil. 

Desde a época de Getúlio Vargas, os adolescentes maiores de quatorze anos têm um percentual garantido no mercado de trabalho, mas as funções noturnas, insalubres ou perigosas são absolutamente proibidas, fazendo com que seja difícil que empregadores se interessem por este tipo de mão-de-obra. 

Quando o infantil menor de quatorze anos é aprendiz, a lei garante a ele o direito à bolsa de aprendizagem, o que nem sempre se cumpre na prática, e quando maior de quatorze anos, os direitos trabalhistas e previdenciários têm que ser respeitados. Apesar de todas estas condições legais, a realidade social de alguns países, como o Brasil, gera a necessidade de aumento de renda nas famílias mais pobres que, muitas vezes, têm nos filhos uma fonte de renda. Neste caso, quanto mais crianças na família, mais pedintes ou vendedores de rua para aumentar a renda familiar. O trabalho infantil, tanto nos grandes centros, quanto nas zonas rurais, são uma grande preocupação de ONGs e pessoas envolvidas com este assunto. 

É comum que o infantil seja explorado com salários que podem não passar de um prato de comida e com atividades que provocam sérios danos físicos e psicológicos em cada uma delas, afastando-as da escola e submetendo-as ao trabalho escravo. Falar de trabalho infantil é delicado e difícil, porque, numa situação de miséria absoluta, é muito difícil convencer os pais de que as crianças não devem trabalhar, e os empregadores são violentamente contra denúncias e medidas.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Artigos: Medicamentos Genéricos

Os medicamentos genéricos são um dos caminhos para diminuir os custos referentes à saúde no Brasil e no mundo e torná-la, portanto, mais acessível. O preço final dos genéricos é, em média, 35% mais baixo do que o dos medicamentos de marca.


Que são os Medicamentos Genéricos?

O medicamento genérico é aquele que contém o mesmo fármaco - princípio ativo responsável pelo efeito terapêutico - de um remédio de marca ou referência, adotando como título a denominação desse fármaco, em substituição a marcas de natureza comercial. São administrados de forma e em dosagens idênticas aos medicamentos de referência, apresentando os mesmos níveis de eficácia e segurança.
São, ainda, mais acessíveis que os medicamentos com marca comercial, pois dispensam pesquisas de desenvolvimento e campanhas de publicidade (o genérico é fabricado a partir de uma fórmula já consagrada e não há marca a ser divulgada).
Em todo o mundo, o medicamento genérico é hoje uma realidade. A explicação é simples: apesar do crescente avanço das pesquisas e do desenvolvimento de novos fármacos, boa parte do arsenal terapêutico disponível tem mais de 20 anos. Segundo as regras mundiais de patentes, a fórmula de um determinado medicamento deixa de ser propriedade da indústria farmacêutica que a desenvolveu, após decorridos aproximadamente vinte anos de seu lançamento.


Medicamentos Genéricos no Brasil e Regras de Comercialização 

Como visto, os medicamentos genéricos abrem um leque de opções para a ampliação do acesso da população brasileira e mundial à saúde. Ademais, o custo dos medicamentos é um dos fatores determinantes do aumento progressivo das despesas com saúde nos orçamentos nacionais. Assim, já há alguns anos as autoridades vêm-se empenhando em criar as condições necessárias ao surgimento de um segmento de genéricos bem estruturado no Brasil.
A política de medicamentos genéricos no país teve como primeiro marco a Lei 9.787, de 10 de fevereiro de 1999 (Lei dos Genéricos). Os primeiros registros desse tipo de medicamento ocorreram em fevereiro de 2000, tendo-se sua efetiva comercialização iniciado em junho daquele ano.
Por ocasião da regulamentação da Lei, em setembro de 1999, foi publicada uma lista com 99 produtos de referência que já poderiam começar a ser copiados. Hoje, a lista de fármacos prioritários com autorização para serem reproduzidos conta 197 itens. Desde a publicação da primeira lista, numerosos pedidos de registro de novos genéricos têm sido apresentados.
Espera-se que até 2004 a fatia dos genéricos chegue a 30% do total do mercado farmacêutico. O crescimento seria de 95,36% em relação ao valor de vendas em 2001. A idéia é que no futuro próximo as farmácias possam oferecer grande variedade desses produtos e seu preço influencie o mercado.
Coerente com essa política, o Sistema Único de Saúde (SUS), coordenado pelo Governo federal e responsável pelo consumo de 25% dos medicamentos produzidos no Brasil, adquire preferencialmente genéricos.
Os medicamentos genéricos estão sujeitos às mesmas condições de introdução no mercado exigidas para remédios com marca comercial. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em documento intitulado "Glossário de Termos Especializados para Avaliação de Medicamentos", propõe, a esse respeito, que só seja autorizada a comercialização de um genérico caso sejam comprovadas e documentadas sua segurança, eficácia e qualidade.
Em consonância com as diretrizes da OMS, a legislação brasileira determina que um medicamento só poderá ser considerado genérico caso seja comercializado sob denominação genérica e uma vez comprovadas sua segurança, eficácia e qualidade, por intermédio de testes de equiparação de qualidade(relativamente ao medicamento original) e de bioequivalência (com referência aos efeitos sobre o organismo), realizados em instituições reconhecidas e habilitadas pelo Governo e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde (ANVISA).
Uma vez constatadas essas características, o medicamento genérico será considerado equivalente ao medicamento de referência do qual é cópia e receberá a chancela do Ministério da Saúde, passando a ser comercializado com a frase "Genérico de acordo com a Lei 9.787/99", estampada no rótulo (as embalagens virão, ademais, com uma tarja amarela contendo a inscrição Medicamento Genérico, com a letra "G" em destaque, para melhor identificação pelo usuário e distinção relativamente aos demais medicamentos).
Ao regulamentar e fazer cumprir a Lei dos Genéricos, o Governo brasileiro, por intermédio do Ministério da Saúde, busca tornar mais acessível ao cidadão um tratamento medicamentoso barato e de boa qualidade, sem o qual qualquer outro esforço no sentido de bem assistir à saúde da população poderia ficar comprometido.


Oportunidades de Mercado 

Em diversas pesquisas realizadas para se conhecer a opinião do brasileiro sobre os medicamentos genéricos, o saldo tem sido bastante positivo. Em geral, mais de 65% dos entrevistados conhecem, confiam e já consumiram genéricos, evidenciando a grande aceitação do produto.
O Governo vem implementando um conjunto de medidas práticas para sedimentar a política de medicamentos genéricos no Brasil e para estimular e facilitar o investimento privado no setor, dentre as quais caberia destacar:
  • criação de lista de medicamentos prioritários para registro - criada a partir de análise dos principais medicamentos consumidos pela população, em função das doenças mais freqüentes, do preço do medicamento em relação à obrigatoriedade de seu uso continuado, dentre outros aspectos – de modo a orientar a produção das indústrias para os remédios de maior demanda. Essa lista está disponível no site http://www.anvisa.gov.br/hotsite/genericos/industria/index.htm, juntamente com a lista dos pedidos de registros depositados junto à ANVISA;
  • criação de unidade específica para atendimento às indústrias, no esclarecimento de dúvidas sobre a montagem de processos para registro de genéricos;
  • concessão de registros em prazo médio de 30 dias, desde que atendidas todas as exigências regulamentares;
  • reformulação do site http://www.anvisa.gov.br/hotsite/genericos/index.htm e criação de áreas informativas específicas, com dados de interesse das indústrias, profissionais da saúde e cidadãos em geral;
No que se refere a medidas para estimular o aumento da demanda de genéricos, no ano de 2001, estão sendo executadas as seguintes atividades:
  • criação, junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de linha de financiamento específica para indústrias e laboratórios, visando cobrir custos de testes de equivalência farmacêutica e de bioequivalência, fomentar a implantação ou ampliação de linhas de produção de medicamentos genéricos e a preparação e habilitação de laboratórios para realização dos testes exigidos pelas autoridades de saúde para a concessão de novos registros de genéricos;
  • realização de treinamento de pessoal, em parceria com sindicatos de indústrias farmacêuticas, para melhorar a qualidade de processos e agilizar análises;
  • divulgação dos medicamentos genéricos junto a médicos e profissionais da saúde, por intermédio de correspondências, participações em seminários e congressos, apresentações em associações e sindicatos de classe;
  • divulgação dos medicamentos genéricos junto à população em geral, com o auxílio de campanhas publicitárias veiculadas na televisão e em rádio, promovidas pelo Ministério da Saúde;
  • articulação com planos de saúde para divulgação dos medicamentos genéricos registrados a conveniados e definição de lista de medicamentos para reembolso;
  • estabelecimento de convênio com entidades de defesa do consumidor para atendimento específico aos cidadãos sobre os medicamentos genéricos;
  • criação de cartilhas sobre os medicamentos genéricos, para serem distribuídas aos usuários do Sistema Único de Saúde e conveniados de planos de saúde.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Crônicas: O AMOR SE OFERECE COMO UM BANQUETE CONTÍNUO PARA SER CONSUMIDO

O AMOR SE OFERECE COMO UM BANQUETE CONTÍNUO PARA SER CONSUMIDO

Quanto mais possamos viver sem exigir ou esperar (exceto de nós mesmos), mais estaremos livre de desilusões e desapontamentos. Esperar alguma coisa de alguém por ser nosso direito é procurar a infelicidade. Os outros podem e só darão aquilo que tem e não o que deseja que lhe seja dado. Quando pararmos de impor condições, teremos dado um gigantesco passo no aprendizado do amor.
A pessoa que procura o amor descobrirá que o amor é paciente. Quem ama sabe que cada pessoa pode aumentar seu conhecimento sobre o amor e aproxima-lo mais dele. Sabe que a experiência e o conhecimento de cada um sobre o amor é diferente. Estimula-se com a idéia de que um relacionamento é uma revelação mútua do conhecimento de cada um sobre o amor. Sabe que cada pessoa tem uma capacidade interminável de amar, mas que essa capacidade se desenvolve diferentemente em cada um.  
Cada um crescerá de sua própria maneira, em seu próprio tempo, por si só. Então, não ajuda nada censurar, julgar, prejulgar, exigir ou assumir. O amor deve ser paciente. O amor espera. Isso não significa que o amor espere passivamente para sempre, até que a pessoa cresça.

O amor é ativo, não é passivo. Está permanentemente engajado no processo de abrir novas portas e janelas, de modo que novas idéias e questionamentos possam ser admitidos.  
Compartilha conhecimentos e oferece espaço para experimentação do que é aprendido. É uma mesa apetitosa e atraente, mas não pode forçar ninguém a comer. Dá  a cada um a liberdade de aceitar e rejeitar de acordo com seu gosto.

O presente é uma composição do passado com as perspectivas do futuro, o aprendizado é a relação gradativa do amadurecer com a ação contínua de transformar e projetar suas ações.
Fantasias são desmascaradas com o tempo e com as mudanças pessoais, mas a realidade de cada um e seu sentimento é eterna. 
Eterno são os que amam.

Artigos: Demanda - Oferta e Equilíbrio de Mercado

A Microeconomia é a parte da teoria econômica que estuda o comportamento das famílias e das empresas e os mercados nos quais operam, a oferta e demanda, a formação dos preços no mercado de bens e serviços e fatores de produção.
Dentro desta Teoria, temos ainda o conceito deCoeteris paribus, que é uma condição que analisa um mercado isoladamente, supondo que os demais mercados sejam constantes, não sendo afetado pelos demais. Para o raciocínio econômico, essa condição serve também para verificar o efeito de variáveis isoladas, independente dos efeitos de outras variáveis como, por exemplo, a procura, a renda do consumidor, gastos e preferências do consumidor, etc. 
Quanto a Demanda de Mercado, a mesma é definida pela quantidade de determinado bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir, num dado período. É considerada como um fluxo, pois deve ser determinada em um certo período de tempo. 


A Teoria da Demanda tem alguns fundamentos:

Teoria do Valor Utilidade: valor de um bem que se forma de acordo com a satisfação que o bem representa para a comunidade. Abrange o valor de uso, que significa a utilidade ou satisfação que o bem representa ao consumidor e o valor de troca, que se forma pelo preço no mercado, pelo encontro da oferta e da demanda do bem ou serviço.
Teoria do Valor do Trabalho: Considera que o valor de um bem se forma do lado da oferta, mediante os custos do trabalho incorporado ao bem, do tempo produtivo que é incorporado ao bem depende dos cursos. 
A Utilidade Total tende a aumentar quanto maior for a quantidade consumida do bem ou serviço. A Utilidade Marginal, definida como a satisfação adicional (na margem) é obtida pelo consumo de mais de uma unidade do bem, é decrescente, porque o consumidor vai saturando-se desse bem quanto mais o consome.
A quantidade demandada considera variáveis diferentes em relação ao conceito de demanda, abrangendo o preço do próprio bem (efeito substituição e efeito renda) ou a relação de preços de outros bens e serviços (bem substitutos ou concorrentes, bens complementares). 
A Curva de Indiferença (CI) é um instrumental gráfico que serve para ilustrar as preferências do consumidor; é o lugar geométrico de pontos que representam diferentes combinações de bens que dão ao consumidor o mesmo nível de utilidade (produtos que deseja construir). 
Atrelado à Curva de Indiferença, existe a variável da Restrição Orçamentária, definida como o montante de renda disponível do consumidor, em um dado período de tempo. Ela limita as possibilidades de consumo, condicionando quanto ele pode gastar (produtos que só poderão ser adquiridos de acordo com a restrição orçamentária do consumidor). 
O consumidor sempre busca situações que maximizem sua satisfação dada a sua renda e os preços dos bens e serviços que deseja adquirir. 

Algumas variáveis afetam ainda a demanda, sendo elas: riqueza ( e sua distribuição); renda (e sua distribuição); preço de outros bens; fatores climáticos e sazonais; propaganda; hábitos, gostos, preferências dos consumidores; expectativas sobre o futuro; facilidades de crédito. 

Quanto ao preço na economia de mercado, o mesmo é determinado tanto pela oferta quanto pela procura. A quantidade que os consumidores desejam comprar é exatamente igual à quantidade de produtos que se deseja vender, não havendo excesso ou escassez de oferta ou de demanda, existindo a coincidência de desejos.
O preço relativo também é uma variável que deve ser considerada; caracteriza-se como sendo a relação entre os preços de vários bens. Se um produto de uma mesma categoria sofre uma porcentagem de desconto e o outro permanece com seu valor absoluto (real), o produto que teve o desconto, ou seja, que passou a ter um preço relativo, terá um aumento na demanda em detrimento à diminuição da demanda do produto que não sofreu queda de preços. Esta variação é importante no momento da definição dos preços dos produtos, dentro da análise microeconômica .
Encontramos ainda a definição de oferta, que  é a quantidade de determinado bem ou serviço que os produtores e vendedores  desejam em determinado período. Representa um plano ou intenção de produtores ou vendedores, e não a venda efetiva. As variáveis que afetam a oferta de dado bem ou serviço são: quantidade ofertada do bem, preço do bem, preço dos fatores e insumos de produção, preço de outros bens, substitutos na produção, objetivos e metas do empresário.
Quando ocorre um excesso de ofertas (um maior número de produtos à venda do que de consumidores para consumi-los), os vendedores acumularão estoques não planejados e terão que diminuir seus preços, concorrendo pelos escassos consumidores. No caso de excesso de demanda (muitos consumidores para comprar um número pequeno de determinado produto), os consumidores estarão dispostos a pagarem mais caro pelos produtos escassos. Assim, existe uma tendência ao equilíbrio, não existindo pressões para alterar preços e os planos dos compradores são consistentes com os planos dos vendedores, e não existem filas ou estoques não planeados nas empresas. 

Artigos: Moral e Ética

A confusão que acontece entre as palavras Moral e Ética existem há muitos séculos. A própria etimologia destes termos gera confusão, sendo queÉtica vem do grego “ethos” que significa modo de ser, e Moral tem sua origem no latim, que vem de “mores”, significando costumes.
Esta confusão pode ser resolvida com o esclarecimento dos dois temas, sendo que Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. Durkheim explicava Moral como a“ciência dos costumes”, sendo algo anterior a própria sociedade. A Moral tem caráter obrigatório.
Já a palavra Ética, Motta (1984) defini como um “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, outrossim, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social.
A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando o homem passou a fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. A Ética teria surgido com Sócrates, pois se exigi maior grau de cultura. Ela investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Vásquez (1998) aponta que a Ética é teórica e reflexiva, enquanto a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra, havendo um inter-relacionamento entre ambas, pois na ação humana, o conhecer e o agir são indissociáveis.
Em nome da amizade, deve-se guardar silêncio diante do ato de um traidor? Em situações como esta, osindivíduos se deparam com a necessidade de organizar o seu comportamento por normas que se julgam mais apropriadas ou mais dignas de ser cumpridas. Tais normas são aceitas como obrigatórias, e desta forma, as pessoas compreendem que têm o dever de agir desta ou daquela maneira. Porém o comportamento é o resultado de normas já estabelecidas, não sendo, então, uma decisão natural, pois todo comportamento sofrerá um julgamento. E a diferença prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz das morais, assim Ética é uma espécie de legislação do comportamento Moral das pessoas. Mas a função fundamental é a mesma de toda teoria: explorar, esclarecer ou investigar uma determinada realidade.
A Moral, afinal, não é somente um ato individual, pois as pessoas são, por natureza, seres sociais, assim percebe-se que a Moral também é um empreendimento social. E esses atos morais, quando realizados por livre participação da pessoa, são aceitas, voluntariamente.
Pois assim determina Vasquez (1998) ao citar Moral como um “sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal”.
Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. Ambos significam "respeitar e venerar a vida". O homem, com seu livre arbítrio, vai formando seu meio ambiente ou o destruindo, ou ele apóia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga tudo que pode dominar, e assim ele mesmo se torna no bem ou no mal deste planeta. Deste modo, Ética e a Moral se formam numa mesma realidade.