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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Campanha visa sensibilizar novos doadores e fidelizar os existentes


Sensibilizar novos doadores e fidelizar os já existentes é o objetivo da Campanha Nacional de Doação de Sangue em 2015. A ação vai ao ar a partir desta quinta-feira (26/11) com o slogan “Doar sangue é compartilhar vida” e também uma mensagem de agradecimento aos atuais doadores. Em 2014, cerca de um milhão de pessoas praticaram o ato de solidariedade pela primeira vez, o que representa 38% do total das doações de sangue. Já outras 1,6 milhão (62%) retornaram para doar.

Atualmente, 1,8% da população brasileira doa sangue. Embora o percentual fique dentro dos parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS) – de pelo menos 1% da população – o Ministério da Saúde trabalha para aumentar o índice. A expectativa é reforçar a importância dessa atitude por meio da campanha, que contará com spot, vídeo e peças para redes sociais, além da distribuição de material gráfico nos estabelecimentos de saúde.

“O mais importante é despertar o compromisso de um gesto de solidariedade, concretizado com o ato da doação. Por isso, devemos aproveitar este dia para conclamar a população a doar vida, sendo um doador de sangue”, ressalta o ministro da Saúde, Marcelo Castro.

Entre 2013 e 2014, houve aumento de 5% nas coletas de bolsa de sangue no país, passando de 3,5 milhões para 3,7 milhões. Já as transfusões de sangue aumentaram 6,9%. Em 2013, foram realizados 3 milhões de procedimentos, sendo que no ano passado foram 3,3 milhões. O perfil dos doadores de sangue se mantém estável ao longo dos últimos anos. Em 2014, 61% eram do sexo masculino e 39% do sexo feminino. O maior percentual está na faixa etária a partir dos 29 anos, com 59% do total dos doadores, enquanto as pessoas de 18 a 29 anos representam 41%.

“A grande preocupação é sensibilizar novos doadores e agradecer aos que já doaram no sentido de mobilizar que sejam fidelizados no ato da doação. Doar sangue é compartilhar vida, já que uma simples doação pode salvar até quatro vidas. Por isso a importância de conscientizarmos cada vez mais a população para se sensibilizarem com o tema e ajudarem cada vez mais pessoas”, coordenador Geral de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, João Paulo Baccara.

Zika, chikungunya e dengue: entenda as diferenças entre as doenças

Agência Fiocruz de Notícias (AFN) publicou um especial falando sobre o vírus zika, que muitas vezes é confundido com dengue e chikungunya. As doenças são transmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti. 

E, embora zika, chikungunya e dengue apresentem sinais clinicamente parecidos, como febre, dores de cabeça, dores nas articulações, enjoo e exantema (rash cutâneo ou machas vermelhas pelo corpo), há alguns sintomas marcantes que as diferem. Confira todas as informações e esclareça duas dúvidas.
 

Evento destaca importância das práticas de monitoramento e avaliação para a saúde

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, por meio do Laboratório de Avaliação de Situações Endêmicas Regionais (Laser/ENSP/Fiocruz), e a Secretária Executiva do Ministério da Saúde, por intermédio do Departamento de Monitoramento e Avaliação (Demas/SE/MS), realizarão, de 30 de novembro a 3 de dezembro de 2015, o Seminário Internacional Monitoramento e Avaliação para Ação. O evento, que ocorre no bojo do Ano Internacional da Avaliação, resulta de uma agenda estratégica implementada pelo Ministério da Saúde em 2011, que buscou aprimorar os processos de planejamento, monitoramento e avaliação para proporcionar transparência às ações desenvolvidas e dar visibilidade àquilo que está sendo feito em prol da saúde da população. O seminário será realizado na Fiocruz Brasília, e as inscrições estão abertas para participação nas mesas-redondas.
 
Conforme explicou o diretor do Demas/MS, Paulo de Tarso Ribeiro de Oliveira, o seminário faz parte das diversas inovações propostas pelo Ministério nos processos de planejamento, monitoramento e avaliação e na compatibilização do Plano Plurianual (PPA) e do Plano Nacional de Saúde (PNS) - que estão em vigor até o final de 2015.
 
“O evento é parte de uma ampla estratégia iniciada em 2011, quando o MS inovou nas formas de monitoramento e avaliação (M&A), e também na própria concepção dos seus instrumentos de planejamento e gestão. A partir do alinhamento estratégico do PPA e do PNS, incorporamos uma cultura de avaliação e monitoramento de forma mais dinâmica. A parceria com a Fiocruz nos permitiu formar mais de 150 especialistas na área. Além disso, capacitamos cerca de 200 profissionais em oficinas de M&A para o entendimento da importância desse campo e visando criar uma cultura organizacional. Portanto, esse é um caminho que percorremos há quatro anos, e agora, por intermédio da forte parceria com o Laser/ENSP, grupo que tem expertise na área de M&A, estamos em condições de dialogar com atores no âmbito nacional e internacional”, contextualizou o diretor.
 
Para a coordenadora do Laser/ENSP, Gisela Cardoso, é preciso esclarecer que o processo de avaliação, além de promover ajustes nos programas, procura destacar aquilo que é feito de forma positiva pelos gestores. “Tentamos modificar o estereótipo da avaliação, ou seja, de algo que simplesmente julga e critica de forma negativa. Nossa compreensão de avaliação propõe mudanças no sentido positivo”. 

"Planejamento, monitoramento e avaliação fazem parte do escopo da transparência pública"
 
O seminário, que coincide com a 15ª Conferência Nacional de Saúde (15ª CNS), terá sua programação dividida em duas oficinas, nos dias 30/11 e 1/12. A primeira, coordenada por Linda Lee, consultora independente do campo da avaliação no Canadá, abordará o tema Introdução à Avaliação Participativa. A atividade do dia seguinte debaterá as Práticas de translação e avaliação de intervenções na saúde pública, e será ministrada pela pesquisadora da Universidade de Montreal, no Canadá, Louise Potvin. A conferência de abertura será no dia 2 de dezembro, com a palestra Redesigning public health for a sustainable future, a ser proferida pela pesquisadora Astrid Brousselle, da Universidade de Sherbrooke, no Canadá. Confira a programação completa e os coordenadores de cada atividade.
 
“Nos reuniremos com especialistas nacionais, internacionais e diversos parceiros para refletir acerca das nossas experiências, beber de outras fontes e aprofundar todas as ações desenvolvidas, visando, essencialmente, aprimorar o que estamos fazendo e criar novas tecnologias para os próximos PPA e PNS. Ou seja, queremos também analisar se a metodologia utilizada nesse período contribuiu para a obtenção de avanços no âmbito do MS e do SUS”, admitiu Paulo.
 
No que diz respeito à realização do Seminário juntamente com a 15ª CNS, o diretor do Demas/MS revela que o planejamento, monitoramento e avaliação ganham potência política na esfera de um sistema republicano. Um exemplo foi o prêmio conferido pelo TCU, em 2014, como experiência mais importante dentre todos os Ministérios. “Não tratamos de um assunto meramente tecnocrático ou burocrata, como era visto anteriormente. O planejamento, o monitoramento e a avaliação fazem parte do escopo da transparência pública. O cidadão precisa saber se as promessas de governo foram devidamente alcançadas. Casar o seminário com a conferencia potencializa politicamente o que buscamos refletir no seminário”.
 
A coordenadora do Laser/ENSP, além de destacar a importância da idealizadora do seminário, a pesquisadora da ENSP e consultora do Demas, Elisabeth Moreira, comentou a possibilidade de união entre os campos da academia e da gestão. “O seminário é uma forma de promover a interlocução entre a academia e a gestão, de aproximá-los, de fazê-los a pensar juntos. A academia não pode estar afastada da realidade, da mesma maneira que as pesquisas devem estar em sintonia com as reais necessidades da sociedade”, afirmou.

Seminário Internacional Monitoramento e Avaliação para Ação

Especialistas debatem relação entre saúde e desenvolvimento territorial

O Seminário Internacional Determinantes Sociais da Saúde Intersetorialidade e Equidade Social na América Latina reuniu pesquisadores, professores e representantes da sociedade civil para uma discussão sobre Estado, sociedade e saúde no desenvolvimento territorial. A mesa, moderada pela coordenadora de mestrados profissionais da Capes, Eduarda Cesse, contou também com a participação do diretor da ENSP, Hermano Castro, do pesquisador da Fiocruz Bahia Maurício Barreto, do professor da Universidade de Contestado Valdir Dallabrida, das pesquisadoras do Ifakara Health Institute, da Tanzânia, Eveline Geubbel e Masuma Mandami, e do representante do Observatório de Territórios Saudáveis e Sustentáveis da Bocaina, Wagner do Nascimento. O encontro debateu questões como a omissão dos determinantes sociais da saúde nas políticas de saúde, o conceito de território, as invasões e danos no contexto territorial, além de apresentar experiências exitosas no âmbito da saúde internacional.

Para discutir a contribuição da geografia política para a abordagem territorial das políticas públicas, o professor da Universidade de Contestado - Santa Catarina, Valdir Dallabrida, admitiu que o conceito de território possui diferentes noções e concepções. “O território não é outro senão um espaço relacional que se constrói no tempo. Ele pode ser entendido como aquela porção do espaço geográfico na qual uma determinada comunidade se reconhece e se relaciona no seu agir individual ou coletivo, cuja especificidade descende do processo de interação entre esta comunidade e o ambiente. Território pode ser conhecido a partir da imbricação de múltiplas relações de poder: do poder mais material das relações econômico-políticas, ao poder mais simbólico, das relações de ordem mais estritamente cultural. Portanto, não se criam territórios – por decretos –, se reconhecem territórios historicamente construídos por grupos sociais, em processos relacionais.”, explicou o professor.

Dallabrida questionou que se o território é lugar de vivência em que se expressam múltiplas relações de poder, como podemos pensar o planejamento e a gestão do território? Segundo ele, o planejamento essas duas questões devem ser entendidas como um processo de concertação social e tomada de decisão, que envolve atores sociais, econômicos e agentes governamentais de um determinado recorte territorial, visando à definição de seu futuro. "Isso se chama governança territorial. Trata-se de um processo conflituoso, pois o grande desafio é mediar interesses e visões diferenciadas", disse.

"A governança territorial tem diversos propósitos: orientar e promover o desenvolvimento de recursos territoriais, estabelecer voluntariamente relações horizontais de cooperação e parceria territorialmente, entre outros. Mas o que ela pretende, de fato, é contribuir para a coesão territorial e o desenvolvimento sustentável e equilibrado do território. Pensar, discutir e decidir políticas públicas, na perspectiva da governança territorial, exigem espaços de concertação público-privada, uma esfera pública democrática e sem coerção, pois processos deste tipo têm o sentido de exercitar a cidadania”, defendeu ele.

Pesquisador do Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz (Fiocruz Bahia) Maurício Barreto fez um reflexão sobre a omissão de determinantes sociais da saúde nas políticas de saúde. Começando sua reflexão, citou a redução de 20% da mortalidade infantil no Brasil por conta da ampliação da cobertura da Atenção Básica, o acesso à vacinação e o crescimento das taxas de aleitamento materno. O pesquisador destacou que poucos países colocam a saúde em sua Constituição e o Brasil está nesse caminho. A lei 8080, em seu artigo 3º, define que saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais. “Os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do país”, alertou.

Maurício Barreto apresentou algumas razões para a possível pouca relevância dos DSS nas políticas de saúde, que englobam o peso das explicações biomédicas na área e a despolitização dos determinantes, entre outros fatores. Segundo o professor, nos últimos anos há uma forte ênfase nas abordagens biomédicas para tratar dos desafios da saúde global. O modelo biomédico é orientado para o indivíduo na doença e na saúde. A abordagem é largamente curativa para reparar o corpo e mal inclui medidas preventivas como os programas de imunização em massa. “Os estudos dos DSS, apesar de sua importância, têm se caracterizado por um conjunto de premissas empíricas que identificam as circunstâncias socioeconômicas como as causas-finais ou causas das causas dos desfechos em saúde e das desigualdades em saúde. Além disso, existe um conjunto de pressupostos normativos de que desigualdades sociais em saúde são injustas e, portanto, devem ser retificadas por uma questão de justiça social”, concluiu.

Os custos do progresso

O diretor da Escola Nacional de Saúde Pública, Hermano Castro, abordou em sua fala os danos no contexto territorial, causados principalmente pelos grandes empreendimentos. Segundo ele, o crescimento populacional humano, a globalização e o livre comércio intercontinental são alguns dos fenômenos que fortalecem os mecanismos de introdução de modelos desenvolvimentista com grandes ameaças locais, regionais e globais. Hermano citou, por exemplo, a evolução da dengue nas Américas. Enquanto no século XX apenas cinco países apresentavam casos da doença, atualmente, no século XXI, aproximadamente trinta países contam com este problema  Outro exemplo apresentado foram as emissões de carbono brasileiras provenientes 30% da queima de combustíveis fósseis e 70% pela mudança de uso do solo.



Hermano questionou que tipo de desenvolvimento queremos. “O modelo agrícola que temos hoje é o do agronegócio. No oligopólio da soja temos cinco empresas que dominam o mercado mundial. O custo de produção inicial da soja, por exemplo era de 13 dólares a saca. Com a produção aumentando ano a ano, o preço deveria cair, mas atualmente custa 33 dólares. Ainda sim, persiste o modelo de produção agrícola baseado no agronegócio, dependente do uso de agrotóxicos, com seus impactos extremamente danosos à saúde e ao meio ambiente, levando à contaminação do ar, da água e do solo. O Brasil gera, anualmente, cerca de 100 mil intoxicações agudas e crônicas e 400 óbitos por agrotóxicos. A agroecologia deve ser estimulada para substituir o modo agrícola atual”, explicou.

Hermanos citou também os impactos das mudanças climáticas nas doenças transmitidas por vetores. Dengue, malária, febre amarela, oncercose, esquistossomose e filariose linfáticas são alguns dos exemplos de doenças que terão prováveis alterações na distribuição geográfica em virtude das mudanças climáticas. O diretor da ENSP encerrou sua apresentação falando sobre os custos socioambientais para o progresso trazido pelos grandes empreendimentos, das leis de banimento do amianto em vários estados brasileiros com o fechamento de empresas, e o mais recente caso de crime ambiental da cidade de Mariana. “A lama que vazou de barragens pode provocar problemas ósseos, intestinais e agravar distúrbios cardíacos", afirmou.

Preservar é resistir!

Iniciando sua fala, o representante do Observatório de Territórios Saudáveis e Sustentáveis da Bocaina Wagner do Nascimento, apresentou ao público o documentário Preservar é Resistir. Wagner falou sobre o Fórum de Comunidades Tradicionais e a localização das comunidades, além de ressaltar que os locais que possuem mata conservada no Brasil são aqueles que contam com Comunidades Tradicionais. Segundo ele, a especulação imobiliária é um dos fatores que mais aumenta a pressão nestas comunidades. O representante citou também algumas ações que são desenvolvidas no território por meio de Arranjos Produtivos Locais, com fundos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e da Fiocruz. Entre elas estão o Turismo de Base Ecológica e a Agroecologia.

Encerrando a mesa sobre Estado, sociedade e saúde no desenvolvimento, as pesquisadoras do Ifakara Health Institute, da Tanzânia, Eveline Geubbel e Masuma Mandami apresentaram o contexto do país, localizado na África Oriental. Cem tribos vivem no local, sendo três quartos delas nas áreas rurais. Segundo as pesquisadoras, o país é extremamente marcado pelas desigualdades sociais, mas vem passando por uma agenda de equidade. Com a implantação de um Plano Estratégico de Saúde foi a primeira vez que os DSS foram contemplados no país. Eveline e Masuma falaram também sobre as pesquisas desenvolvidas no Ifakara.

Um dos trabalhos selecionou 23 distritos para investigar a situação de saúde dos locais. “Uma pesquisa que desenvolvemos identificou que em uma determinada região, crianças e adultos morriam frequentemente de malária. Fizemos uma grande analise e tentamos mudar essa situação. A consequência foi uma enorme diminuição da mortalidade infantil no país, pois milhares morriam de malária na Tanzânia”, ressaltaram as pesquisadoras. Sobre o sistema de saúde do país, ambas afirmaram que ele funciona completamente diferente do sistema de saúde brasileiro, com financiamento por impostos, por recursos próprios e de seguros de saúde. Por fim, Eveline e Masuma falaram sobre o progresso da equidade na Tanzânia e apontaram diretrizes para o futuro, destacando que “a pesquisa não tem valor se não influencia as políticas”.

Música de Câmara: Orquestra Barroca da Unirio apresenta "Amores Impossíveis"