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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Artigos: Teatro Oriental



O teatro oriental, que é originário de cerimônias religiosas, se desenvolveu desde o ano 2000 a.C.

O teatro chinês evoluiu ao longo de seis séculos de espetáculos ao ar livre, na porta dos templos, até se converter em uma forma artística bastante sofisticada no século XIX. O teatro japonês surgiu sob duas formas, o refinado nô; e um teatro mais popular, chamado kabuki. 

Na Ásia, o teatro de títeres continua sendo uma forma artística popular, sobretudo na Indonésia, com o wayang golek, em que se utilizam enormes bonecos, sobre um palco elevado, para contar histórias.

Teatro e arte dramática, gênero literário, em prosa ou em verso, usualmente em forma de diálogo, concebido para ser representado. As artes cênicas abrangem tudo que se refere à escritura da obra teatral: a interpretação, os figurinos e cenários, a produção. Em geral se entende como drama uma história que narra os acontecimentos vitais de uma série de personagens.

Ao longo da história, o teatro desenvolveu sua atividade em três níveis: como divertimento popular, com organização mínima; como importante atividade pública; e como arte para a elite.
Em uma representação há, pelo menos, dois elementos fundamentais: ator/atriz e público, e pode-se usar a mímica ou a linguagem verbal. Os personagens não são interpretados necessariamente por seres humanos; os títeres têm tido grande receptividade de público ao longo da história, assim como outros recursos cênicos. Uma representação pode ser valorizada por meio dos figurinos, da maquiagem, dos cenários, dos acessórios, da iluminação, da música e de efeitos especiais, que podem servir para criar a ilusão de lugares, tempos e personagens diferentes, ou para sublinhar a própria visão da representação como algo diverso da experiência cotidiana.

O teatro oriental tem algumas características em comum que o distinguem nitidamente do teatro pós-renascentista ocidental. São obras de arte unificadas — uma realização da idéia do teatro total — semelhante ao de Wagner, em que se misturam literatura, dança, música e espetáculo.
A formação dos atores dá ênfase à dança, à expressão e agilidade corporal e às habilidades vocais mais que à interpretação psicológica. Os figurinos e maquiagem são muito importantes e quase uma arte em si. A estilização estende-se ao movimento e mesmo as ações da vida diária se transformam em uma dança ou gesto simbólico.

Em termos de público, é um teatro de participação. As representações costumam ser demoradas e os espectadores se movimentam, comem, conversam e por vezes só se mostram atentos aos momentos que são de seu maior agrado. A solenidade do espectador ocidental lhes é totalmente estranha.

O teatro oriental, tal como outros aspectos da cultura oriental, só viria a ser conhecido no Ocidente em fins do século XIX. Exerceu certa influência sobre as concepções de interpretação, criação de roteiros e encenação de alguns simbolistas, como Strindberg, Artaud, Meyerhold, Reinhardt, e outros.

O teatro indiano, em sânscrito, floresceu nos séculos IV e V. Baseava-se em histórias tiradas da épica hindu, como o Mahabarata e o Ramayana. O palco apresentava decoração trabalhosa, mas não se usavam técnicas de representação. Os movimentos de cada parte do corpo, a recitação e a canção eram rigidamente codificados. As marionetes e o teatro dançado, sobretudo o kathakali, também foram grandemente apreciados em vários momentos da história da Índia.

O teatro chinês começou a se desenvolver em princípios do século IV. Era muito literário e tinha convenções bastante rígidas. No entanto, a partir do século XIX, passou a ser dominado pela Ópera de Pequim. Nela se dá importância primordial à interpretação, ao canto, à dança e às acrobacias, mais que ao texto literário. Sob o governo comunista a temática se modificou, mas o estilo e representação foi mantido.

O teatro japonês é talvez o mais complexo do Oriente. Seus dois gêneros mais conhecidos são o teatro nô e o kabuki. Nô, o teatro clássico japonês, é estilizado, uma síntese de dança-música-teatro. Tem estreita relação com o budismo zen. Outros gêneros dramáticos são o bugaku, um sofisticado teatro dançado e um teatro de bonecos ou marionetes chamado bunraku. 

Artigos: Arte Quinhentista



A arte quinhentista corresponde à arte do século XVI (1501 a 1600). É durante esse período que temos, na Itália, a Alta Renascença, a escola de Veneza e o maneirismo.
O auge do renascimento produziu gênios como Leonardo da Vinci, Michelângelo e Rafael. Em outros países do continente a renascença ganha força e espalha-se. Temos então Dürer, Bruegel, El Greco, entre outros. A literatura também teve grande importância na arte quinhentista. Em alguns países em que as artes plásticas não tiveram desempenho compatível à Italiana, é através dela que o renascimento encontra sua maior manifestação. É o caso, por exemplo, da Inglaterra de William Shakespeare, considerado um dos maiores dramaturgos da humanidade. Imortaliza-se com obras como, "Macbeth", "Hamlet", "Ricardo II", "Henrique V", "Romeu e Julieta", entre outras. Utiliza-se das medidas poéticas italianas e da adaptação do soneto a seu idioma. O humanismo, bastante fortalecido e com penetração em toda a Europa, é um dos fatores do notável desenvolvimento artístico. Expressa um homem que, ao contrário da Idade Média, em que a figura divina era a central em seu mundo (teocentrismo), torna-se o próprio centro (antropocentrismo), fortalecendo a razão sobre a fé. A ambição dos intelectuais humanistas, numa época em que a ciência ainda não tinha delimitado as áreas do saber, era a de dominarem os mais amplos níveis de conhecimento humano. Além do humanismo, outros fatores encorajavam e forneciam um terreno propício para o apogeu artístico atingido: o desenvolvimento da ciência, em especial a matemática (aperfeiçoando as noções de perspectiva) e a anatomia (estudada por grandes escultores do período para a confecção de suas obras); a disputa entre as cidades (italianas) na tentativa de mostrarem-se mais ricas e mais belas que as demais, via ostentação de grandes obras de arte; e a própria condição do artista que passa a ser visto de uma forma diferente, ganha status e liberdade - de apenas um artífice torna-se alguém que assina suas obras, conferindo prestígio às mesmas e escolhendo as encomendas que gostariam de realizar. Entretanto, apesar das condições descritas acima (que não "nasceram" nesse século, mas encontravam-se bastante desenvolvidas então) e o apogeu da arte renascentista no cinquecento, é ainda no século XVI que assistimos os primeiros sinais de decadência da Itália renascentista. As inúmeras invasões sofridas pelo país, aliadas à ascensão de Portugal e Espanha (que iniciavam o ciclo das grandes navegações) e a Contra- Reforma, que termina com a relativa liberdade do artista perante à Igreja, são apontadas como alguns dos fatores dessa decadência. Aparecem as primeiras manifestações do maneirismo, um estilo artístico que faz a transição entre a alta renascença e o barroco. Apesar de possuir características renascentistas, é uma nova forma de arte, que sobrepõe o estilo à forma e antecipa, sob alguns aspectos, o barroco. Nesse período temos ainda a chamada "Escola de Veneza", que começou a manifestar-se no século XV, chegando ao século XVI. Veneza, em constante contato com a cultura bizantina e com o norte da Europa, desenvolve uma arte própria, fora dos centros italianos renascentistas, que exerceu grande influência sobre muitos artistas europeus. Houve uma certa demora de Veneza na aceitação dos ideais renascentistas do restante da Itália, mas quando o fez, pode-se dizer que o estilo adquiriu um novo esplendor e vivacidade. A extrema valorização das cores, o uso da luz e dos espaços entre as figuras, são algumas das características que diferenciam a pintura veneziana de suas contemporâneas, (como as de seu próprio país). Outra característica temática forte da escola veneziana são as poesias gregas antigas e o desafio da transposição de seu simbolismo para as artes plásticas. Na arquitetura, a Biblioteca de São Marcos, do arquiteto Jacopo Sansovino, (1486 - 1573) é um ótimo exemplo da arte quinhentista veneziana, que apresenta grande proximidade aos edifícios do período helenístico. Giovanni Bellini (1430 - 1516), mestre da pintura veneciana, influenciou artistas como Giorgione e Ticiano no uso da cor e da luz para unificar as obras. Giorgione (1478 - 1510), seguindo a orientação do mestre, atinge resultados surpreendentes, como exemplifica "A Tempestade", harmonioso pela luz e ar que o impregnam. Ticiano (1488 - 1576), o mais famoso nome dessa escola, divide notoriedade com os grandes gênios da alta renascença em Roma, como Michelângelo. Ignorou as regras de composição de seu tempo, confiando na cor, como seus antecessores, para conferir unidade à obra. Em "Nossa Senhora com os Santos", o deslocamento da virgem do centro da pintura e o posicionamento de São Francisco e S. Pedro como participantes da cena, sem estarem simetricamente um de cada lado, dão mostras de seu gênio original. Ticiano é ainda tido como um grande retratista. Sua pintura conhecida como "Jovem Inglês", possui olhar profundo e intensa expressão. O pintores Jacopo Robustini (1518 - 1594), (um dos líderes maneiristas venecianos), Paolo Caliare (1528 - 1588) e o arquiteto Andrea Palladio (1508 - 1580), (que escreveu um tratado sobre arquitetura, Os quatro livros na Arquitetura) - são outros importantes nomes dessa escola.

O início do Renascimento Italiano

O Renascimento artístico surgiu na Itália, no século XV, em especial em Florença. A situação do país fornecia condições para sediar o movimento: vida urbana e comercial intensa, que amenizava as características do feudalismo, forte no resto da Europa (a Itália, ainda no século IX, auge do feudalismo, mantinha comércio com o Oriente) e emancipação pioneira da burguesia e dos artesãos livres das cidades. No caso de Florença, em especial, temos ainda as famílias de banqueiros como os Médici e os Strozzi, que acabam por patrocinar as artes. Essa nova arte, criada nesse cenário, foi inspirada por Boccaccio, Petrarca e os filósofos humanistas do século XIV e XV, bem como pelos ideais clássicos. É importante notar que o termo Renascimento foi utilizado pelos próprios artistas renascentistas para contraporem os trabalhos da época aos da Idade Média, que designavam como "Idade das Trevas". Não é um termo correto pois, além de pressupor a ausência de manifestações artísticas desde a Antiguidade, sugere que tenha havido um retorno estrito à cultura greco-romana. Apesar dos artistas do período terem efetivamente se inspirado na cultura clássica, suas obras estão impregnadas com os valores da época em que viviam. Esses valores imprimiam aos seus trabalhos características próprias. Brunelleschi (1377- 1446), Masaccio (1401-28) e Donatello (1386 -1466) são considerados os artistas mais representativos do início da renascença italiana, tendo construído as bases do movimento e inspirado seus sucessores. Na arquitetura, Filippo Brunelleschi pode ser considerado o principal mestre dos artistas italianos do quatrocento. Procurou criar um processo de construção novo, utilizando-se das formas da arquitetura clássica na criação de harmonia e beleza. Um exemplo disso é a Catedral de Florença, em que cobriu o imenso espaço entre os pilares para assentar um zimbório com a medida clássica, inspirada na arquitetura romana. Além de ser considerado um dos pais da arquitetura da renascença, a ele é atribuída a descoberta de um novo esquema de perspectiva, largamente utilizada por outro grande nome do período: o pintor Masaccio, em trabalhos como "O Imposto". (Alguns autores defendem que essa invenção foi conjunta de Brunelleschi, Masaccio e Donatello). Masaccio, apesar da vida curta e das poucas obras deixadas, provocou uma verdadeira revolução na pintura. "A Trindade", afrescos da Igreja Dominicana de Santa Maria Novella, é uma boa amostra de sua arte. A perspectiva nesse trabalho foi utilizada para conferir dramaticidade a cena representada. Na escultura do período temos o mestre florentino Donatello. Como exemplo de seu trabalho, a escultura de São Jorge realizada para a igreja florentina de Or San Michele. Seus pés estão fincados ao chão, seu rosto mostra concentração e energia. Os contornos são precisos, baseados em observação do corpo humano.

Alto Renascimento na Itália

Esse curto período (1500 - 1520) concentra trabalhos brilhantes de artistas que são admirados como verdadeiros ícones da civilização ocidental. Alguns autores de história da arte tradicional (como Giorgio Vasari) chegam mesmo a afirmar que trata-se do período ápice da história da arte - afirmação bastante controversa, uma vez que os parâmetros para tal tipo de avaliação são bastante subjetivos e envolvem uma série de julgamento de valores. De qualquer forma, tamanho foram as realizações desse período, que muitos artistas e críticos que o sucederam ficavam com a impressão que não restava mais nada a ser feito, ou nada que pudesse suplantá-los. Não resta dúvida que a arte produzida na Alta Renascença pode ser considerada como elevadíssima, de uma qualidade impressionante. Teve profunda influência sobre as gerações de artistas que o sucederam e sobre os próprios parâmetros artísticos. Vários mestres conviveram nesse período desenvolvendo ótimos trabalhos, mas as figuras absolutamente geniais de Leonardo da Vinci (1452- 1519), Michelângelo (1475 - 1564) e Rafael Sanzio (1483 - 1520) ofuscam outros artistas que não fosse a comparação com esses mestres, poderiam ser considerados também gênios. Nesse período Roma torna-se o centro da cultura da renascença, ultrapassando Florença e a igreja romana, a grande patrocinadora das artes. Leonardo da Vinci, tendo pesquisado diversas áreas do conhecimento humano, personifica o ideal humanista. Atuou, em diversas fases de sua vida, como arquiteto, engenheiro, urbanista, escultor, mecânico, fisiólogo, químico, biólogo, botânico, cartógrafo, físico. Antecipou ainda a aviação, a hidráulica, o escafandro, a balística e o pára-quedas. Um dos aspectos mais intrigantes de sua personalidade é o fato de ter se dedicado a um montante incrível de projetos que raramente chegavam a um fim satisfatório. Entretanto é conhecido também por obras famosíssimas e admiradas em todo mundo, como "A Última Ceia" e "Monalisa" e por seu talento na pintura e desenho em geral. "A Última Ceia", chegou até nós em péssimo estado de conservação, mas ainda era perceptível a excelente composição e a expressividade das figuras. Os doze apóstolos, divididos em grupos de três, são interligados por gestos e movimentos. A extrema realidade com que o ato sacro é representado, aliada à utilização da luz, do volume, à perspectiva da sala, bem como à solidez das figuras, põe essa obra entre as maiores da alta renascença. "Monalisa", a esposa florentina do banqueiro Giacondo, com sua extrema vivacidade e sorriso enigmático, é considerada mesmo um dos grandes ícones da arte ocidental. A escultura renascentista tem seu auge em Michelangelo Buonarroti, cujos trabalhos como "Davi" e "Moisés", de dimensões gigantescas, provam sua maestria em desenhar o corpo humano em qualquer posição e o perfeito domínio que o artista possuía de seus movimentos. Davi, na frente do Palazzo della Signoria, pode ser um exemplo de sua enorme habilidade em esculpir, ainda que em um imenso bloco de mármore, extremamente difícil pelo tamanho e peso (Michelângelo era conhecido pelo gosto por desafios). Ele é representado como adolescente, evidenciado pelas proporções das mãos, cabeças e pés. Os afrescos do teto da Capela Sistina, que tomaram quatro anos de trabalho sistemático (1508 a 1512) do escultor são outra amostra de monumental beleza de seu trabalho. Repleto de imagens, como a anunciação da vinda de Cristo, a história da criação e de Noé, madonnas e cenas como "Tentação de Adão e Eva" e "Criação de Adão" - talvez as mais famosas. São características desse trabalho o jogo de sombras, as alternações entre o claro e escuro e a suavidade do esquema de cores. As figuras são heróicas, revelando um ideal de mundo em perfeito equilíbrio e solidez. Impressionam pela simplicidade e força. "Pietá", a virgem segurando o menino, outra famosa obra de Michelângelo e grande tema da religiosidade humanista, demonstra ainda seu domínio da pintura de afrescos e do desenho. Rafael Sanzio ou Santi (1483 - 1520), influenciado por Michelangelo e Leonardo da Vinci, pode ser considerado o expoente máximo da pintura renascentista. Famoso pelas madonnas, sua obra "Madonna del Granduca", em que a virgem segura o menino em perfeito equilíbrio, perpetuou-se como modelo de perfeição para várias gerações. A beleza pura de suas figuras, como a ninfa Galatéia no Mural da Villa Farnesina, em Roma, não inspiradas, segundo o próprio pintor, em nenhum modelo humano, mas sim num ideal de perfeição, deslumbra o observador pela simplicidade e força.

Primeiras manifestações de Arte Quinhentista em outros países europeus

Durante quase todo o século XV, a Renascença foi um fenômeno tipicamente italiano, não encontrando respaldos em outras partes da Europa. A diferença nas tradições em que vinham caminhando esses países pode ser uma das chaves para se compreender essa questão. Na Itália, por exemplo, a penetração do estilo gótico não foi tão forte quanto no resto da Europa. Os países do norte do continente absorveram muito desse estilo, que encontrou terreno fértil para se desenvolver naquelas culturas. Havia, portanto, uma certa resistência em abandonar as tradições antigas em nome da "novidade" italiana. A França, a Alemanha, Espanha, Inglaterra, Holanda e Portugal - com sua arte tipicamente nacional, o manuelismo - permaneceram fiéis aos seus próprios estilos até o cinquecento. Acredita-se que as viagens de artistas europeus para os centros da cultura renascentista na Itália, no século XVI, foi o fator que possibilitou o contato com esse estilo de arte e a sua penetração posterior nos países de origens desses viajantes. A arquitetura provavelmente foi um dos maiores focos de resistência, fora da Itália, ao estilo renascentista. Normalmente a introdução desse novo tipo de construção ocorreu por insistência de príncipes e nobres que, após visitarem a Itália, queriam estar atualizados. Os resultados são algumas construções fundamentalmente góticas, mas com alguns traços renascentistas, concessão muito superficial ao novo estilo. O pintor e artista gráfico alemão Albert Dürer é considerado o principal nome do renascimento fora da Itália e também um dos grandes responsáveis por espalhar essa escola na Europa. Acreditava ser sua "missão" transportar os ideais renascentistas à alma alemã, assimilado através de viagens à Itália, para aprender com os grandes mestres. A maneira como o artista, sem a mesma tradição italiana, experimenta incansavelmente as regras de proporção humana, no objetivo de atingir o equilíbrio proposto pelos renascentistas, é admirável. A gravura de Adão e Eva é uma das que mais se utilizam de suas descobertas nesse campo, sem contudo perder sua própria tradição artística: há o nítido destaque de seus contornos, contra o fundo escuro de uma floresta. Assinala a adaptação dos ideais do sul a sua própria cultura. Suas xilogravuras, bastante famosas, como a série "Apocalipse", ilustrando o Apocalipse de São João, em que descreve as visões aterradoras do evangelista, são tão vigorosas que influenciam na própria aceitação da expressão artística através de xilogravuras. "Os quatro cavalheiros do Apocalipse", com temática e características da arte gótica (cavalheiros sinistros, o inferno, o céu turbulento) misturam-se aos seus estudos renascentistas, (principalmente aos estudos de arte de Mantegna) e seu talento para transformar imagens verbais em artes plásticas. Interessante é contrapor Dürer, ao outro principal artista alemão do período: Grünewald, de quem temos poucos conhecimentos sobre sua vida. A temática de seus trabalhos é fundamentalmente mística. Apresenta um trabalho original, com composição e uso de cores tão próprios que dificultam identificá-lo a uma escola. Utiliza algumas técnicas renascentistas em sua composição, mas não segue outros de seus preceitos: utiliza-as somente quando elas se ajustam a seus próprios conceitos artísticos. O painel central do "Altar de Isenheim" em que ele despreza conceitos como equilíbrio de proporções e beleza em nome da "significação espiritual" do mesmo, (apesar de conhecer esses conceitos) nos dá uma noção de sua assimilação seletiva aos ideais italianos. Dürer e Grünewald exemplificam bem as diferentes maneiras como foi absorvida a renascença fora da Itália.

Renascença na Espanha

A Espanha no século XVI era uma grande potência européia, anexando a si territórios da Europa e América e extremamente rica pelos tesouros trazidos do novo mundo. Foi um dos berços da Contra Reforma que instituiu o Concílio de Trento, a Inquisição e a forte ordem religiosa dos jesuítas. A Renascença na Espanha, profundamente enraizada em seus próprios estilos artísticos, que adaptava elementos góticos à sua própria cultura, entrou através da intervenção de Charles V e Philip II, no século XVI. Sua principal influência foi a escola renascentista de Veneza. Charles V, que patronava o pintor renascentista Ticiano, da escola de Veneza, demonstrava admiração pelos preceitos artísticos italianos. Contratou, para a construção de seu palácio em Granada, o arquiteto e pintor Pedro Machucha. Determinou que a obra fosse realizada utilizando-se dos padrões renascentistas de arquitetura. Entretanto, a construção não foi finalizada. Já Philip II teve mais sucesso no comprimento de sua ordem de execução do Palácio Escorial, perto de Madrid, entre 1563 e 1584. Além de Palácio para a monarquia e residência, a enorme construção deveria incluir igreja e monastério. A influência clássica no austero complexo tem suas raízes no estilo dórico. A coleção do Museu do Prado, em Madrid, teve sua origem na coleção que foi guardada nesse palácio por Philip II. Na pintura, temos a figura de El Greco (1541- 1614), como principal expoente da arte renascentista (será desenvolvido posteriormente em verbete à parte). De origem grega, bastante influenciado pela escola de Veneza (em particular Ticiano e Tintoretto), viveu um período de sua vida na Itália, antes de mudar-se para a Espanha. Apresenta características como o descaso às formas e cores naturais; dramaticidade e emoção de suas cenas. É considerado um pintor maneirista que reflete em sua temática, a crise que se instaura durante a Contra-Reforma promovida pela Igreja Católica. "O Enterro do Conde Orgaz", na Igreja de São Tomé é considerado uma de suas principais peças e um bom exemplo de sua habilidade em lidar com temas místicos. A arte de pintar retratos também encontra bastante desenvolvimento nessa época, sendo seus maiores expoentes Antonio Moro, Sánchez Coello e Pantoja. As principais características dessas representações são a nobreza das atitudes e a fidelidade das expressões. A renascença espanhola atinge ainda um alto grau de desenvolvimento na literatura, através, principalmente de Miguel de Cervantes (1547 - 1616) e seu clássico Don Quixote de La Mancha.

Renascença na França

A França possuía uma forte tradição de arte medieval, oferecendo bastante resistência à assimilação da renascença Italiana. Luís XII (1462 - 1547) e principalmente Francis I (que governou o país de 1515 a 1547), fizeram grandes campanhas na tentativa de trazer a nova arte ao país. Francis I chega mesmo a fazer propostas de trabalho a artistas como Leonardo da Vinci (no caso, aceita). Porém, foi com o estilo maneirista que os artistas franceses melhor adaptaram-se e o que teve mais repercussão no país. O estilo observado no Palácio de Fontaineblau, logrando atender as ambições de Francis I, acabou influenciando vários artistas franceses, sendo conhecido como escola de Fontainebleau os artistas associados a seu estilo. Maneiristas italianos como Rosso e Primaticcio, responsáveis pelo reboque e pinturas decorativas da galeria com cenas mitológicas, são alguns dos nomes responsáveis pelo projeto, adaptando seus estilos próprios ao gosto francês. Resulta daí um maneirismo que incluí sensualidade, propensão para o decorativo e elegância. O arquiteto Pierre Lescot (1510 - 1578) que, a pedido de Francis I, iniciou um projeto para reconstrução do Museu do Louvre, é um dos principais nomes do movimento. O estilo clássico que ele imprimiu ao museu permaneceu às várias transformações sofridas pelo mesmo desde então. Na escultura temos, como um dos maiores artistas do renascimento francês, Germain Pilon (1535 - 1590). Apresenta profundas diferenças entre seus trabalhos no decorrer da carreira. Da influência do maneirismo de Fontainebleu das primeiras obras, suas esculturas vão progressivamente ganhando realismo, como Henry II. Outro nome importante do período é o escultor Jean Goujon (1510 - 1565), cujo estilo alongado, (sem ser desproporcional) também marcou presença na reconstrução do Louvre. A escultura é bastante presente nas construções renascentistas do norte europeu. Seus mestres foram os italianos Primaticcio e Cellini. As esculturas em relevo de Goujon, representando ninfas graciosas e elegantes na "Fonte dos Inocentes em Paris", são boas amostras de seu estilo.

Renascença nos Países Baixos

Juntamente com a Itália, os países baixos foram um importante pólo do capitalismo comercial, possuindo ainda uma vida urbana desenvolvida e um mercado que poderia consumir obras de arte. Em alguns trabalhos de Jan van Heyck, pintor famoso do século XV, a quem é atribuída a introdução da técnica de pintura à óleo, pode serem vistos alguns traços renascentistas. Entretanto, a força da tradição gótica no local dificultou bastante sua assimilação da Renascença Italiana. Costuma-se dizer que isso só foi possível no país graças à figura do alemão Dürer, que passou um período de sua vida na Antuérpia, cidade que se tornou o centro cultural da Holanda. O Pintor Quentin Massys (1465 - 1530), um dos que tiveram influência direta de Dürer, era considerado como um dos principais artistas da Antuérpia da época. Seu painel central feito para a Irmandade de Santa Ana, mostra os familiares de Maria e José. Dos modelos renascentistas italianos, absorve o ajuste simétrico das figuras; da escola de Veneza, as cores e perspectiva (é cogitada a hipótese do próprio artista ter visitado Veneza, devido a aproximação de suas obras com essa escola). Já na pintura "Lamentação", do Museu Real de Belas-Artes, na Antuérpia, pode ser notada a influência dos trabalhos de Leonardo da Vinci e Rafael, estreitando seus laços com a Renascença. As paisagens naturais ganham bastante importância nas obras dos pintores norte-europeus da época. Joachim Patinir, que imprimia importância extraordinária às paisagens em sua pintura, ficou famoso por suas vistas de campos, vilas e montanhas, tendo à frente figuras em tamanho reduzido. Seu São Jerônimo em paisagem aberta, que enfatiza mais o cenário que a vida do santo, ganhou várias versões do artista. Nelas podemos observar características da arte norte-européia como a abundância de detalhes, bem como a utilização de uma perspectiva diferente da adotada na Escola de Veneza. Mabuse, ou Jan Gossaert (1478 - 1535), visitou a Itália e procurou assimilar os preceitos renascentistas em suas obras. É claramente influenciado por Dürer e os artistas holandeses que o precederam. Especialmente conhecido pelos nus que realizava, à semelhança dos italianos, "Netuno e Anfitrite", pode ser uma boa amostra de sua habilidade. É composto de figuras mitológicas nuas em um cenário arquitetônico renascentista. Entretanto, alguns de seus críticos defendem que o pintor, ávido por mostrar conhecimento e domínio da arte italiana, por vezes apropria-se dessas técnicas, sem contudo obter resultados satisfatórios. Um exemplo disso pode ser o quadro de São Lucas pintado a Virgem. É influenciado pelo pintor holandês Jan van Eyck e pelas técnicas italianas, como a perspectiva científica e o jogo de luz e sombra. As figuras aqui também estão assentadas num cenário de arquitetura italiana. Entretanto, apesar dos valores de encanto que o quadro possui, parece não ter atingido a harmonia nem de seus inspiradores em sua própria cultura nem dos italianos. Pieter Bruegel (1525 - 1569), é considerado o maior pintor flamenco do século XVI. É conhecido pela complexidade temática, apesar de boa parte deles referirem-se ao cotidiano dos camponeses. Seu talento é continuamente comparado ao setecentista Rembrandt, principalmente no que se refere à capacidade de enxergar a natureza humana. "Caçadores na Neve" é um bom exemplo de seu trabalho.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Artigos: Sociologia da Educação


Várias mãos ajudando a escrever - sociologia da educação












Um dos mais influentes intelectuais de todos os tempos, Karl Heindrich Marx idealizava uma sociedade com uma justa e equilibrada distribuição de renda.
Segundo sua linha de pensamento, os indivíduos estão organizados em classes (dominante e dominada) conforme a distribuição dos meios de produção (relações de produção) – determinismo econômico.
A sociedade seria formada por uma infra-estrutura, a qual é reflexo da superestrutura e age dialeticamente sobre a mesma. A ideologia é uma inversão da realidade e garante a reprodução da dominação de classes. Para ele, o capitalismo  é um sistema no qual a burguesia concentra o capital e os meios de produção (instalação, máquina e matéria-prima) e explora o trabalho do proletariado, mantendo-o numa situação de pobreza e alienação.
Por estar baseado numa característica contraditória, a de explorar o seu próprio alicerce – a classetrabalhadora - , o sistema prepara o caminho para a sua própria destruição. O capitalismo levaria a luta de classes a um ponto crítico, em que o proletariado, privado de sua liberdade por meio da contínua exploração, acabaria por se unir. A derrota da burguesia coincidiria com a instalação do comunismo.
Existem alguns textos redigidos por Marx e Engels que abordam sobre a formação e o ensino em que a concepção de educação está proferida com o horizonte das relações sócio-econômicas daquela época.
Sua obra é bastante vasta, contemplando temas especificamente econômicos, filosóficos, históricos, antropológicos e sociológicos.
O ponto de partido para Karl Marx é a existência de indivíduos que vivem em sociedade e estabelecem relações, sendo que a essência do homem é o conjunto das relações socias. O que diferencia o homem de outros animais é que ele produz os seus próprios meios de existência. Nesse sentido a educação é um elemento de manutenção da hierarquia social.
Uma das possibilidades de viabilizar a emancipação do ser humano consiste na integração entre ensino etrabalho. A esta integração ele designou ensino politécnico, através do qual o indivíduo se desenvolverá atrvés numa perspectiva abrangente. "A integração entre ensino e trabalho constitui-se na maneira de sair da alienação crescente, reunificando o homem com a sociedade..."Gadotti (1984, p. 54-55).
Uma contradição importante refere-se a perda da autonomia do processo produtivo, ficando sujeito às decisôes tomadas pelos administradores, inclusive a partir da introdução de modernas máquinas e mudanças, visando aumentar a produção e o lucro.
O ensino seria um instrumento para o conhecimento e também para a transformação social e do mundo.
Karl Marx propõe a recuperação do sentido do trabalho enquanto atividade fundamental, na qual o indivíduo humaniza-se sempre ao invés de alienar-se do mundo. Uma educação "omnilateral" continua faltando em nossa sociedade e o atual sistema educativo exclui e domina os indivíduos.
A obra do filósofo alemão originou várias vertentes pedagógicas comprometidas com a mudança da sociedade. Combater a alienação e a desumanização era a função social da educação. Para tanto seria importante aprender competências fundamentais para a compreensão do mundo físico e social.
Marx valorizava a gratuidade da educação e percebia na instrução das fábricas, criadas pelo capitalismo, qualidades que poderiam ser aproveitadas para um ensaio transformador. Entendia que a educação deveria ser ao mesmo tempo intelectual, física e técnica.
Um dos principais objetivos da transformação prevista por Marx seria a recuperação em todos os homens o seu pleno desenvolvimento integral, sendo este o sentido no qual a educação ganha importância no pensamento marxista.
Marx propôe uma escola que qualifique melhor os trabalhadores e lhes abra caminho para a emancipação como ser humano e ser crítico diante da realidade em que vive.
Atualmente considera-se a educação um dos setores primordiais para o desenvolvimento de um país.
Sob o ponto de vista educacional atual as idéias de Karl Marx são muito significativas no sentido de orientar a atuação dos profissionais como mediadores da transformação social tão necessária para a sociedade, a fim de formar no indivíduo a consciência de que ele faz parte do todo e não deve nunca se tornar um ser alienado. Uma escola para todos é construída com a participação de todos os envolvidos neste processo, principalmente a família e a escola.
Atualmente o sistema educacional brasileiro apresenta-se em processo de mudanças: a introdução de novas tecnologias e da inclusão digital, a criação de novas instituições de ensino, propostas pedagógicas baseadas na realidade local do aluno, programas educativos voltados para a alfabetização de jovens e adultos (redução do analfabetismo) seguidos da sua inserção no mercado de trabalho, valorização do professor, a participação social, a pluralidade cultural e a formação do cidadão. Nesse sentido a educação não só ganha mais força com também mais significado para os indivíduos.
Karl Marx deixa seu legado para ser analisado e aplicado de forma a beneficiar a sociedade por inteiro, principalmente através das ações críticas dos indivíduos que a constituem.


REFERÊNCIAS
BATTINI, Okçana. Sociologia: a Ciência da Sociedade: 26/04/2006, turma 1, módulo 1, 1° semestre de 2006, noturno.
GADOTTI, Moacir. Concepção dialética da educação: Um estudo introdutório. 3a ed. São Paulo: Cortez, 1984. MARX, Karl, ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã.
MIRANDA, José Vicente Augusto das Neves. Fundamentos da Sociologia da Educação / José Vicente Augusto das Neves Miranda, Marcus Roberto de Oliveira – Curitiba: IBPEX, 2005.

Artigos: Civilizações Pré-Colombianas. Incas, Astecas e Maias


Na América, a organização de sociedades mais complexas, como a dos Astecas, Maias e Incas, não ocorreu ao mesmo tempo que no Oriente próximo ou na Europa. Aliás, os processo históricos não são nunca os mesmos em todas as sociedades. O próprio continente americano mostra evidências dessa afirmação. Na América, durante séculos, conviveram (e ainda convivem) inúmeros povos com realidades históricas bem distintas: povos nômades de cultura primitiva, como muitas tribos norte-americanas, os esquimós (Alasca), os ianomâmis e os xavantes (Brasil), que viviam (alguns ainda vivem) basicamente da caça e da coleta, os tupis-guaranis (América do Sul), os pueblos (América do Norte) e os aruaques (América Central), sedentários e agrícolas; e, finalmente, os povos de culturas mais complexas – maias, incas e astecas.


Os astecas

Origens

A influência dos olmecas entre os astecas também foi muito grande, sobretudo porque eles viveram, em tempos diferentes, basicamente na mesma região. Após a hegemonia olmeca, a região sofreu várias invasões de povos vindos da América do Norte.
Os primeiros povoadores procedentes do norte, da região de Nahua (família lingüística do nahuatl), construíram, entre 500 e 600 d.c, baseados nas tradições olmecas, uma grande cidade, Teotihuacán, com gigantescas pirâmides homenageando o Sol, a Lua e seu deus maior, Quetzacoatl. Nesse centro urbano desenvolveu-se uma sociedade  sobre a qual , infelizmente, temos poucas informações.
Os toltecas, uma das tribos nahuas do norte, chegaram à América Central entre 850 e 900 d.c., e talvez tenham se submetido aos sacerdotes de Teotihuacán, pois deram continuidade à construção e manutenção dessa grande cidade. Em razão do gigantismo de suas construções, muitos povos consideravam que ela havia sido construída por gigantes, antes da chegada dos homens à região. Eles organizaram um forte Estado e  uma rica civilização, que, após disputas internas, guerras externas e invasões, chegou ao fim em 1194 d.c.

Escultura de um calendário asteca

Calendário Asteca


O povo mexica, mais conhecido como asteca, é originário da região de Aztlán (daí a palavra asteca), no sul da América do Norte. Ele se estabeleceu no planalto mexicano (especificamente nas ilhas do lago Texcoco), junto com outros povos, após uma longa marcha, em 1168 d.c. No ano de 1325 eles começaram a construção de sua cidade, Tenochtitlán, que no século XV  seria uma das maiores cidades do mundo. 
Organização Política - A formação do Império Asteca    
A formação do Império asteca baseou-se na aliança de três grandes cidades, texcoco, Tlacopán e a capital, Tenochtitlán, estendendo seu poder por toda a região. As relações políticas que se estabeleceram entre elas e as regiões que controlavam anda não são muito claras. Contudo, pode-se afirmar que não era  uma estrutura rigorosamente centralizada, como ocorreria entre os incas.
Na confederação Asteca conviviam inúmeras  comunidades com  idiomas, costumes e culturas diferentes (zapotecas, mixtecas, totonacas, etc.) A unidade entre elas dava-se em torno de aspectos religiosos e, principalmente, através da centralização militar dos astecas e da arrecadação dos impostos em Tenochtitlán. As diversas províncias da região que, além dos tributos, elas deveriam fornecer contingentes militares e submeter-se aos tribunais da capital.
O Império asteca atingiu seu apogeu entre 1440 e 1520, quando foi inteiramente destruído pelos colonizadores espanhóis liderados por Cortés. Após diversas incursões colonizadoras em agosto de 1521 o Império Asteca foi inteiramente conquistado. Diversas razões levaram à derrota asteca a primeira é propriamente militar: a guerra, para os astecas, tinha como objetivo a dominação político-militar, para os espanhóis  a guerra era de conquista e extermínio. Além disso as estratégias militares e, principalmente, o armamento bélico dos colonizadores eram bem mais avançados. Outro motivo importante foi a proliferação de várias doenças e epidemias entre os astecas (a mais forte  foi a varíola). Um fato adicional que contribuiu muito para a derrota asteca foi a aliança estabelecida  entre alguns povos da região (tlaxcaltecas, totonecas, etc.) e os espanhóis. A intenção imediata desses povos era derrotar a hegemonia dos astecas na região, e os espanhóis eram fortes aliados para alcançar esse objetivo. Todavia, eles não puderam prever o que lhes aconteceria após a derrota asteca, com a consolidação da colonização européia.
Economia asteca
A sustentação da economia do Império estava baseada  justamente no pagamento dos tributos  em mercadorias. A não-destruição das cidades submetidas e a manutenção relativa do poder local incluíam-se nessa lógica de arrecadação dos tributos, que variavam muito. Estima-se que,  no final do Império, Tenochtitlán recebia toneladas de milho, feijão, cacau, pimenta seca; centenas de litros de mel, milhares de fardos de algodão, manufaturados têxteis, cerâmicas, armas, além de animais, aves, perfumes, papel, etc.
A produção agrícola estava baseada essencialmente nos cereais, sobretudo no milho que, na verdade, foi a base da alimentação das civilizações pré-colombianas. É bem provável que essas sociedades  não teriam se desenvolvido sem o milho, pois ele as sustentava e possibilitava o crescimento  de suas populações.
A posse das terras tinha uma característica muito interessante: o Estado asteca era proprietário de todas as terras e as distribuía aos templos, cidades e bairros (calpulli). Já nas cidades e bairros, a exploração da terra tinha um caráter coletivo, todo adulto tinha direito de cultivar um pedaço de terra para sobreviver e o dever de trabalha-la. Na fase final do Império, essa relação foi se modificando, pois sacerdotes, comerciantes e chefes militares se desobrigaram de trabalhar na terra, criando uma forma de diferenciação social. 
Sociedade asteca
Pode ser uma sociedade fundada em aspectos religiosos e na guerra, aqueles que detinham mais poder eram os sacerdotes, seguidos dos chefes militares e dos altos funcionários do Império. Os altos funcionários militares e do Estado recebiam a denominação tecuhtli (dignitário), eram escolhidos pelo soberano e tinham uma série de privilégios (não pagavam impostos e viviam em grandes residências).
Logo abaixo estavam os calpullec, espécies de administradores dos bairros (calpulli). Inicialmente eles eram escolhidos pelos habitantes dos bairros, mas com o tempo passaram a ser indicados pelos soberano.
O comércio externo era realizado por poderosas corporações de comerciantes, os pochtecas. O comércio de luxo entre as cidades era monopolizado por eles. Em razão do rápido enriquecimento desse setor da sociedade, ele foi ganhando gradativamente poder e distinção.
A maioria dos artesãos trabalhava vinculada a algum senhor (tecuhtli), e muitos mantinham oficinas em palácios e templos. O imposto era pago em artigos de sua especialidade e não eram obrigados ao trabalho coletivo.
A maior parte da população estava entre os macehualli, que eram homens livres com direito a cultivar um pedaço de terra para sua sobrevivência,embora devessem obrigações como pagamento de impostos em mercadorias (a maior fonte de arrecadação), prestar o serviço militar e o trabalho coletivo (construir, conservar e limpar estradas, pontes e templos).
Os tlatlacotin formavam os estrato social mais baixo, composto geralmente por prisioneiros de guerra, condenados, desterrados. Em troca de casa, comida e trabalho, eles se vinculavam a um amo. Isso não significava que eram escravos, pois podiam torna-se livres e possuir bens.
Religião e cultura dos Astecas
Os astecas eram considerados o povo mais religioso da região. Sua religião era essencialmente  astral, isto é, baseada nos astros, e foram absorvendo deuses e ritos das mais importante era Uitzlopochtli, que representava o sol do meio-dia.
Os mitos e ritos astecas eram muito ricos e variados, e relacionavam-se com a natureza. Os cultos mais importantes sempre envolviam o Sol. Eram muito comuns rituais com sacrifícios humanos; a guerra, portanto, era uma grande fornecedora de prisioneiros para os sacrifícios.     Geralmente toda a energia da comunidade estava canalizada para as atividades ritualísticas, realizadas com uma série encenações e procedimentos minunciosos.
As atividades artísticas dos astecas foram muito influenciadas pelas tradições olmecas e toltecas. A escultura em jade e as grandes construções são exemplos claros dessas influências. A arquitetura estava ligada à vida religiosa, a forma mais freqüentemente utilizada era a pirâmide com escadarias, culminando em um santuário no topo.

Pirâmide - Maias

Pirâmide construída no Império Maia


Os afrescos coloridos e as pinturas murais também tinham destaque entre as artes astecas. O escriba  ostentava o título de pintor, pois os hieróglifos eram acompanhados por uma série de quadros cuidadosamente desenhados.
A música e a poesia estavam intimamente ligadas. Quase sempre acompanhadas  ´pr instrumentos, danças e encenações, as músicas tinham caráter religioso.
Infelizmente, a violência da colonização espanhola acabou destruindo grande parte dessa rica produção. 


Os maias 

Origens

Antes que os maias se radicassem em alguma regiões da América Central, existiam aí povos originários, como os otomies e otoncas. Vindos da  América do Norte , após décadas vagando  pela América Central, os mais estabeleceram-se no Yucatán e áreas próximas, por volta de 900  a . C. A produção do milho e a influência dos olmecas forram mito importante para o seu desenvolvimento
A área ocupada pelos maias pode ser dividida em duas regiões. A das terras altas (área abrangida hoje por El Salvador e Guatemala)  estava voltada para o Pacífico e, apesar de possuir boas condições naturais, não teve muita importância para a construção da civilização maia.
É comum  dividir-se o processo de construção da civilização maia  em uma primeira fase (317-987) e uma segunda fase (987-1697). A primeira  fase teria se iniciado em 317 d.C. Essa data , na realidade, tem como referência o mais antigo objeto maia encontrado até hoje. Sabe-se que essa civilização já existia antes de 317, mas não se dispõe ainda de informações precisas a respeito desse período.
Sociedade maia
A sociedade começou a desenvolver-se , com destaque para três cidades: Chichen-Itzá, Mayapan e Uxmal. Em 1004 foi criado a Confederação Maia, que reuniu essas três grandes cidades. Dezenas de cidades e povoados são criados ao longo dos duzentos anos seguintes, expandindo seu poder político na região. Após o período de união (entre os séculos X e XI), as cidades da Confederação entram em confronto, sendo Mayapan a vitoriosa. A hegemonia política dessa cidade  foi sustentada por uma forte base guerreira. Inúmeras revoltas explodem na região, e em 1441 Mayapan é incendiada; As grandes cidades são abandonadas por causa das guerras.
As lutas internas, as catástrofes naturais (terremotos, epidemias, etc.), as guerras externas e principalmente, o declínio da agricultura levaram a sociedade maia à decadência. Auando os europeus chegaram à região (1559), os sinais de enfraquecimento dos maias eram evidentes, tornando a conquista mais fácil. Em 1697, a última cidade maia (Tayasal) é conquistada e destruída pelos colonizadores.
Cada cidade tinha um chefe supremo (halach uinc), e o cargo era hereditário.
Os camponeses e artesãos compunham a maioria da população (mazehualob) eram obrigados a pagar os tributos, a trabalhar nas grandes obras e moravam nos bairros mais distantes dos centros. Os escravos, geralmente por conquinsta serviam a um senhor, mas não trabalhavam na produção 
Religião dos Maias
A sociedade maia tinha um caráter fortemente religioso; a religião dava legitimidade ao poder, que era exercido basicamente por algumas famílias.
O Ahaucan (senhor da serpente) é o supremo sacerdote. Ele indica os outros sacerdotes, rege as cerimônias, recebe tributos e decide sobre as coisas do estado. Existiam também sacerdotes com funções específicas, como os adivinhos, os encarregados dos sacrifícios humanos, os escribas, etc.
A organização do Estado 
Os maias não chegaram a organizar um forte e poderoso Estado centralizado.
Na realidade, as cidades maias importantes controlavam as aldeias e terras próximas. Não havia nenhum poder ou instituição que as unificasse. Elas tinham autonomia econômica e política, e geralmente eram governadas por famílias.
Houve períodos  em que a unidade foi estabelecida entre algumas cidades, como durante a Confederação Maia. N entanto, a regra era a independência e a luta entre  cidades por novas terras, tributos, matérias primas, etc.   
Economia maia
A economia dos maias baseava-se na agricultura. A tecnologia empregada nas atividades agrícolas era bastante primitiva. Contudo, eles conseguiam uma extraordinária produtividade, principalmente do milho. É justamente em virtude dessa produção do milho, gerando excedentes, que um grande contingente de mão-de-obra podia ser liberado das atividades agrícolas para a construção de templos, pirâmides, reservatórios de água, etc.
As terras pouco férteis da região obrigavam os maias a realizar um rodízio, que geralmente mantinha a terra boa durante oito a dez anos. Após esse período era necessário procurar novas terras, cada vez mais distantes das aldeias e cidades. O esgotamento das terras, as distâncias cada vez maiores entre elas e as cidades e o aumento da população imseram à civilização maia uma dura realidade. A fome, um dos fatores que a levaram à decadência. 
Cultura maia
Os conhecimentos de astronomia dos mais eram realmente avançados, e seus observatórios, bem-equipados. Eles podiam prever eclipses e elaboraram um calendário de 365 dias. Para o desenvolvimento da astronomia, a matemática era um elemento fundamental, daí terem acumulado conhecimento nessa área.
A atividade médica e a farmacêutica também eram bastante desenvolvidas, o que foi reconhecido até pelos colonizadores.
As peças teatrais, os poemas, as crônicas, as canções, tinham uma função literário-religiosa bem evidente.
Mas a arquitetura e a engenharia representam as áreas do conhecimento mais desenvolvidas pelos maias. Seus grandes centros religiosos, as pirâmides, as cidades com edifícios de vários andares, os canais de irrigação e os reservatórios de água maravilham os conquistadores europeus. 


Os incas 

Origens 

O povo incaico é originário de uma região entre o lago Titicaca e a cidade de Cuzco, no Peru. A partir daí os incas expandiram-se por uma área que abrangia desde o sul da Colômbia, passando pelo Equador, Peru, Bolívia e norte da Argentina, até o sul do Chilel Esse Império chegou a reunir cerca de 15 milhões de pessoas, de povos com línguas, costumes e culturas diferentes.
Antes da construção do Império incaico viviam nessa região povos com culturas e formações sociais avançadas, que se costuma denominar pré-incaicos. Eles estavam distribuídos por toda a costa leste do continente sul-americano, nas serras e no altiplano andino; os chavin viviam nas serras peruanas; os manabi, no litoral do equador; os chimu, no norte do Peru; e havia ainda os chinchas, mochicas, nazca, e outros.
Talvez grande demonstração do desenvolvimento desses povos pré-incaicos seja Tiahuanaco. Tratava –se de um grande centro cerimonial (hoje suas ruínas estão a cerca de 100 Km de La Paz, capital da Bolívia) que recebia periodicamente milhares de pessoas por Ano. Estima-se que essa civilização que parece ter sido influenciada pelos chavin, estabeleceu-se na região por volta do século X d. C.
A organização política dos Incas
O Império Inca absorveu as diversas culturas das civilizações preexistentes, colocando-as  a serviço da expansão e manutenção do Império. A vitória sobre os chancas, em 1438 d. C., liderada pelo inca Yupanqui, marcou o início da formação do Império. Ele ocupou quase todo o Peru, chegando até a fronteira do Equador. Seus sucessores expandiram o Império para o altiplano boliviano, norte da Argentina, Chile (Tope Inca) e equador,até o sul da Colômbia (Huayana capac, 1493-1528).
A expansão foi interrompida em razão da disputa entre dois irmãos, filhos de Huayana: Huascar, que centralizou seu Império em Cuzco, e Atahualpa, sediado em Quito. A rivalidade entre os irmãos levou oi Império a uma verdadeira guerra civil, enfraquecendo-º A vitória de Atahualpa não lhe trouxe vantagens, pois, junto dela, chegaram os colonizadores, liderados por Pizarro, que destruíram todo o Império Inca.
Para controlar seur Império o Estado inca mantinha um constante censo populacional, um instrumento fundamental para o censo era o quipo,uma espécie de elaborada colculadora manual feita de cordões coloridos e nós. Quem realizava o levantamento e a leitura eram os funcionários chamados de quipucamayucus.
Esse imenso Império inca, controlado de perto pelo Estado, precisou de uma infra-estrutura que permitisse a circulação de funcionários, mensageiros, impostos, populações, exércitos, etc. Para que isso ocorresse, foi construída uma incrível rede de pontes e caminhos lajeados. Ao longo desses caminhos havia os tambos, pequenas construções que continham alimentos e água, servindo de alojamento para os viajantes. 
Sociedade inca
O Estado inca era imperial, capaz de controlar rigidamente tudo o que ocorria em sua vasta extensão territorial. O chefe desse Estado era o Inca, um imperador com poderes sagrados hereditários, reverenciado por todos.
Ao lado do inca havia uma rede de sacerdotes, escolhidos por ele entre a nobreza.
Para manter o Império íntegro, criou-se uma complexa burocracia administrativa e militar. Os cargos administrativos eram distribuídos entre membros da nobreza e acabaram adquirindo hereditariedade. O caráter guerreiro do Império privilegiava a formação e educação militar. Como os burocratas, essa camada privilegiada era mantida graças aos tributos arrecadados pelo Estado.
Os camponeses, chamados de llactaruna, em troca do direito  de trabalho nos ayllus, eram obrigados a cultivar as terras do Inca e dos curacas e a pagar os impostos em mercadorias. Além disso, o estado os obrigava a trabalhar nas obras públicas, como as pirâmides, caminhos, pontes, canais de irrigação e terraços.
Havia também os artesãos especializados, considerados artistas (pintores, escultores, ceramistas, tapeceiros, ourives, etc.), e os curandeiros e feiticeiros (cirurgiões, farmacêuticos, conhecedores de plantas medicinais, etc.).
Os yanaconas, originários da sublevação da cidade de Yanacu, eram escravos. Às vezes algum povo conquistado também se tornava escravo.  Eles não trabalhavam na produção, e suas funções eram eminentemente domésticas.
Economia inca
A base da economia inca estava nos ayllu, espécie de comunidade agrária. Todas as terras do Império pertenciam ao Inca, logo, ao Estado. Através da vasta rede de funcionários, essas terras eram doadas aos camponeses para a sua sobrevivência. Os membros de cada ayllu deveriam, em troca, trabalhar nas terras do Estado e dos funcionários, nas obras públicas e pagar impostos.
A base da produção agrícola era o milho, seguido pela batata, tomate, abóbora, amendoim, etc. Nas áreas mais altas e com dificuldades de obtenção de água, o milho tinha de ser plantado nos terraços feitos nas encostas das serras com canais de irrigação.
A domesticação de ilhamas, vicunhas e alpacas foi importante para o fornecimento de lã, couro e transporte. Os cachorros-do-mato e porcos tinham importância secundária.
O comércio era muito precário e restringia-se basicamente aos bens de luxo destinados à corte.
Religião dos Incas
Havia uma rede de sacerdotes, escolhidos entre a nobreza. Suas funções variavam desde a manutenção dos templos, realização de sacrifícios, adivinhações, curas milagrosas, até feitiçarias e oráculos. A grande maioria dos cultos e cerimônias religiosas dos incas era em homenagem ao Sol. Os sacerdotes também tinham a função de ensinar e divulgar, junto com historiadores oficiais, os mitos, lendas e histórias sobre o inca. É interessante notar que existia uma religião para a nobreza e outra divulgada entre a população mais pobre. 
Cultura inca
Lembrando o que já foi dito, o Estado inca utilizou-se das inúmeras conquistas das civilizações pré-incaicas para controlar e manter seu Império.
Eles faziam um uso abancado da matemática, conheciam inclusive o zero; conheciam  muito bem a astronomia, pois o Sol representava o deus mais importante, podendo prever eclipses e fazer calendários; usavam pesos e medidas padronizados.
Os trabalhos dos incas na manufatura do ouro, da prata e do cobre maravilharam os espanhóis. Além disso, produziam cerâmica, tecidos coloridos, esculturas e pinturas


Cidade Inca de Machu Pichu

Machu Pichu


Talvez as maiores produções incaicas estejam relacionadas com a arquitetura e a engenharia. Por meio delas foi possível construir pirâmides, palácios, pontes e caminhos; cidades como Cuzco e Machu Pichu, que reuniam milhares de pessoas e mantinham uma rica ordem urbanística. E os famosos terraços irrigados nas serras e montanhas para a produção agrícola.