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terça-feira, 18 de março de 2014

Café Controverso discute humor e censura no Brasil

Exibindo Cafe Controverso - Charges e Marchinhas - flyer.png


O músico Flávio Henrique e o chargista Duke são os convidados do debate

Historicamente o humor e a ironia têm servido tanto para desconstruir ideias retrógradas, como para perpetuar estereótipos e preconceitos. Vale dizer que, quando bem utilizado, é uma das formas mais sofisticadas de protesto e crítica, a exemplo do que fizeram grandes mestres da arte de fazer rir, como Groucho Marx e Charles Chaplin. Este mesmo humor, que causa risos e reflexões sobre temas do cotidiano, por vezes termina, de forma inesperada, em processos judiciais, contrapondo a liberdade de expressão ao direito de manifestação da parte ofendida.
Essas e outras questões serão discutidas no dia 22 de março, às 11h, no Espaço do Conhecimento UFMG, durante o Café Controverso que traz o tema Charges e Marchinhas: Humor e Censura no Brasil. O debate conta com as presenças de figuras emblemáticas como o cartunista Duke e o compositor Flávio Henrique.

A crítica social construída pela via do humor resignifica questões de conhecimento público e fatos já divulgados pela imprensa. No entanto, mesmo em se tratando de assuntos muito comentados e de opiniões compartilhadas por um grande número de pessoas, o humor com autoria determinada pode despertar um grande desconforto em seus alvos, gerando reações diversas.
Para o músico e compositor Flávio Henrique, autor de marchinhas famosas como “A Coxinha da Madrasta” e “O Eco do Buraco”, isso acontece porque as pessoas estão acostumadas a um humor “chapa branca”, sem conteúdo que produza reflexões mais profundas. “Quando se trata de humor, as pessoas levam as coisas para um lado muito pessoal, o que é um erro porque o alvo não é o indivíduo, mas o fato em si”, comenta, explicando que charges, marchinhas e outras manifestações bem humoradas são apenas formas de retratar o cotidiano, mas que encontram reações desproporcionais.

Flávio Henrique faz questão de diferenciar a abordagem humorística das suas marchinhas e do trabalho de cartunistas como Duke, outro convidado do café Controverso, do humor comumente encontrado nos programas televisivos. “Uma coisa é criticar questões públicas, a sociedade pode e deve cobrar, outra bem diferente é fazer piadas jocosas, estereotipando mulheres, negros, pobres e outros grupos historicamente marginalizados”, conclui.

Tempos de Censura
Duke, que foi processado devido a uma charge publicada, em 2010, sobre a arbitragem do juiz de futebol Ricardo Marques Pereira, classifica como “censuras póstumas” as ações que inibem a livre expressão. “Vivemos numa sociedade mais complexa que a de 1964. Naquela época, a censura era apenas prévia e as pessoas sabiam como lidar com ela, inclusive com formas criativas de burlá-la. Hoje você tem medo do que escreve, ou diz, por não saber como será interpretado. A charge é uma metáfora, não há nada ali que possa ofender a honra de alguém, não há dano moral”, defende.

Para o ilustrador o encontro é uma boa oportunidade de discutir questões que, na sua visão, ainda estão atrasadas no Brasil, principalmente no que diz respeito à liberdade de expressão. “Condenações assim criam precedentes perigosos, porque ficamos a mercê das interpretações das pessoas”.

O Espaço do Conhecimento UFMG estimula a construção de um olhar crítico acerca da produção de saberes através da utilização de recursos museais. Sua programação diversificada inclui exposições, cursos, oficinas e debates. Integrante do Circuito Cultural Praça da Liberdade, o Espaço do Conhecimento é fruto da parceria entre a operadora TIM, a UFMG e o Governo de Minas. O Espaço conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG.

Serviço
Café Controverso: - Charges e Marchinhas – Humor e Censura No Brasil
Data:  22 de março, 11h
Local: Espaço do Conhecimento UFMG - Circuito Cultural Praça da Liberdade
Entrada Franca
Mais informações: www.espacodoconhecimento.org.br