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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Escolas de Samba do Rio de Janeiro: São Clemente

Samba Enredo - Sao Clemente Escola de Samba

Bandeira - São Clemente Escola de Samba

 São Clemente

Av. Presidente Vargas, 3102
Centro

Ensaios:
Terças 20:00 / Sábados 22:00

Cores: amarelo e preto
Fundada em 1961


Fundada em 1961, principal característica São Clemente é a sua irreverência combinada com temas de samba que fazem referência à qualidade brasileiros da vida. Como muitas escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro, a São Clemente começou como bloco. O bloco, inicialmente adotando as cores azul e branca, era formado por garotos pobres do bairro de Botafogo, liderados por Ivo Gomes. No ano seguinte, querendo agradar aos meninos, um político deu aos garotos duas dúzias de camisas de um clube de futebol nas cores pretas e amarelas, quantidade suficiente para que o bloco de garotos pobres adotasse essas cores, que passaram a ser as oficiais do desfile.
Em 1984, conseguiu ascender ao Grupo Especial. A São Clemente, além da irreverência que a caracteriza, tem a sua outra metade: a consciência política e social. Estas duas características foram fundamentais para que a Escola se transformasse em uma das mais queridas da cidade, já que seus enredos sempre dão voz ao povo, aos seus asseios e necessidades, sem esquecer, entretanto, da natureza festiva do povo brasileiro e da alegria necessária ao Carnaval.
A escola de samba trouxe para Sapucaí o tema "Não Corra, Não Mate, Não Morra: O Diabo está livre nas ruas. Referindo-se ao caos e à violência do tráfico do Rio de Janeiro estrada. No ano seguinte, a escola apresentou o samba "Quem Casa, Quer Casa", uma sátira divertida sobre o grave problema do déficit habitacional no Brasil.
Em 1987, a escola quebrou novas bases, tendo à sua comissão de frente crianças de rua na vida real, com o samba "Capitães do asfalto", que falou sobre as crianças que viviam nas ruas do Rio de Janeiro.

Enredo: Uma aventura musical na Sapucaí

Compositores: Ricardo Góes, Serginho Machado, Marcos Antunes, FM, Guguinha, Vânia e Flavinho Segal

Samba Enredo

Prepare o seu coração
É pura emoção
A sirene acabou de tocar (U-lá-lá)
A orquestra começou
E entoou o meu cantar
Um violino anuncia
Vem viajar na magia
Do meu cabaré, com samba no pé
Vem exibir, pode aplaudir
Será que é sonho meu?
Sucesso aqui vou eu

Põe a máscara pra mim
Vem comigo, a hora é esta
Não sei viver sem você
És o artista, faz a nossa festa

De tudo aconteceu
Puxa! Aqui Paris é avenida
Hoje o malandro sou eu
Vi a tristeza feliz da vida
Dei um susto, o fantasma sumiu (buuu)
Sou irreverente
Se o samba empolgou, virou carnaval
Nossa aventura musical
Noviça dançou ao som da canção
E conquistou meu coração

Tem bububu no bobobó
Sem sassarico é o “ó”
Bumbum de fora, pernas pro ar
Bravo! A São Clemente vai passar


Enredo de 2012

"Uma aventura musical na Sapucaí"

Sinopse


A São Clemente tem uma espécie de dever: dever de sonhar, e sonhar sempre!
E assim nossa Escola se constrói em ouros e sedas,
Inventa palcos, cenários, para viver o seu sonho:
Lutar quando é fácil ceder, vencer o inimigo invencível, negar quando a regra é vender; voar num limite improvável, tocar o inacessível chão!
(Do musical Homem de La Mancha, e da Poesia de Fernando Pessoa)
ENREDO: UMA AVENTURA MUSICAL NA SAPUCAÍ
Na escuridão do terceiro-sinal, foco de luz no mestre-maestro, delirantemente aplaudido pela gente que vai assistir a aventura musical. Silêncio.
Prólogo: Seguindo o apito e a batuta, a orquestra no recuo do fosso ataca, e há música encantadora no ar; é quando a cortina amarelo-negra abre-se lentamente! "Gatos" (Cats) esgueiram-se na arquibancada/platéia, e vão evocando as "Memórias", refazendo a História: "Senhoras e senhores, bem-vindos ao desfile do 'Teatro Musical Brasileiro'! E por quê apaixona-se a São Clemente pelo início do teatro musicado no Brasil? Porque, como ela, as operetas curtas daquele tempo eram satíricas, críticas e irreverentes. E aproximavam o povão da mais fina arte! Influência francesa que gerou nos trópicos, um 'u-lá-lá' pra lá da malandragem. Mais ou menos 1850. bom humor era tudo, rapidez rimava com qualidade, e, para quem entende, um pingo é letra: a parisiense nasceu na Lapa, e ia da canção, do xote à valsa, da mazurca ao tango. Só no truque da ingênua maliciosa, e o diabo que a carregue lá pra casa!".
Luz em resistência. Um astro vai descendo a alegórica escadaria de luzinhas piscantes, acompanhado daquilo que secretamente nos bastidores chamamos da sua "Comissão de Frente": lindíssimas vedetes, em maiôs cavados com franjas de diamantes falsos e transparência sobre os seios, escoltadas por bailarinos, luxuosamente vestidos em fraques. A vida é um "Cabaret". Ouve-se a voz do Mestre de Cerimônia: "Ora, se os desfiles de Escolas de Samba são os maiores dos musicais de que se tem notícia, nada melhor que esta grande aventura musical clementiana falar em ritmo de samba, de como viveu e vive esse grande e longevo negócio, que reúne na ribalta, empresários, artistas, técnicos: a tal gente do show business – Nós! Avante legítimas representantes carnavalizadas desta verve, as Comissões de Frente, espetáculo à parte na Avenida, quando sobem pernas, arrancam roupas, despertam o aplauso e o inesperado acontece: é a Broadway tupiniquim! A abertura é mágica!".
O palco/passarela abre-se, e sobe o espetacular elevador com a sua montanha verdejante onde "A Noviça Rebelde" rodopia, cantando para as suas crianças que a "Música, é Divina Música": "Precisa de dinheiro para botar o bloco na rua, levantar cenários, contratar estrelas, fazer figurinos, vender bilhetes e acender a rica luz: aí o prazer do público é total, quando a beça Estrela seminua com cara de safadinha, faz biquinho e começa solfejando os acordes".
Desce da escuridão do urdimento a magistral teia com a "Mulher Aranha", arrebatadora Rainha e Madrinha da Companhia. Das laterais, no chão surgem as mulatas com o estonteante figurino "Sopro de Purpurina". O primeiro setor de assentos, em suspense, puxa o fôlego, sem acreditar na tamanha opulência flutuante sobre si. Confetes prateados caem salpicados. A aracnídea está em êxtase, pendurada quase solta no espaço, e declama coquete: "Leques de plumas abanam em glória a primeira das grandes: Chiquinha Gonzaga! E o Brasil era cantado em prosa, verso e música em 1885, com um pé no caipira e outro na cidade grande. Festa de São João, conversa de botequim, prosa de malandro, vida de bairro, amor feliz. Artur Azevedo apareceu logo depois, saindo através de uma cortina de gotas de vidro: adorava meter o pau (ui!) no político-social, sem jamais esquecer "pernas à mostra e seios nus...". Igualzinho ao carnaval! Olhar bem humorado, uma forma de ver a vida: temas alegres, língua apimentada e um bububú no bobobó. Duplo sentido, para um povo cujo sexto sentido avisava que de perto ninguém é normal".
Uma parede de elásticos brilhosos é atravessada por ritmistas, quando ouve-se a sirene: - Teatro?, pergunta a "Bela". – Musical?, devolve a "Fera". – Sapucaí!, Exclamam os dois juntos. Entre românticos balanços de flores, o casal avança na narrativa: "A cena, a dança, a cantoria. Sopravam ventos de influência da Liberdade, América, numa revolução cenográfica e coreográfica. Tiraram a orquestra, botaram a banda, e o público exigia que arrancassem as meias daquelas pernas que eles queriam ver em pele. E veio a fantasia musicada na Praça Tiradentes: era hora das estrelas de primeira grandeza dando ataque e atraindo multidões, divas da pá virada em decotes abissais e rabo de penas raras. Fila na porta, empurra-empurra e o ingresso a tapa: todos pagavam para ver a belíssima e talentosa Loura falsa".
Do Balcão da Casa Rosada, envolta na fumaça de gelo-seco e construído do papelão e compensado, "Evita" abre os braços. E, em vez de cantar "Não Chores por Mim Argentina", inesperadamente faz seu tributo de amor ao musical brasileiro, porque o espetáculo não pode parar (a não ser na frente do júri), e continua dobrando a esquina: "Foi aí que o jogo avançou: girou a roleta do Cassino, porque o Brasil Pandeiro esquentava seus tamborins e fazia os dados rolarem: todo o país queria Rosetá e em 1945 Walter Pinto mandava: "Canta Brasil". E não é que o país resolveu investir? A maquinaria espetaculosa em efeitos de cena se tornou tão importante quanto as Estrelas. Abre e fecha, sobe e desce, acende e apaga, ou dá ou desce! Deus é brasileiro, e do limão estrangeiro fez-se uma limonada à tropicália, e o Brasil conhecia o Brasil. Deu tão certo que o mito grego de Orfeu, quem diria, foi parar na favela brasileira; e a querida senhora Pigmaleão armou sua barraca de feira por aqui. Com Carlos Machado o musical brasileiro alcança sucesso internacional".
Uma gaiola espelhada é trazida pelo ciclone do "Mágico de Oz" e dentro está a menina Dorothy. Guardas com cassetetes de strass batem no pobre Homem de Lata. "Os Miseráveis" surgem pelas laterais, tentando socorrer. Parte triste da História, tentam calar os Musicais Brasileiros: " A língua do Zé-Povinho estava afiada e fazia anedotas com a vida dos poderosos. Tudo devidamente amordaçado pela censura, que fez a cortina fechar pelos idos dos 60. Proibido proibir deu nó em pingo d'água e fez a tigresa (Sonia Braga) estrelar e deixar todo mundo de cabelo (Hair) em pé, tal a força deste libelo, que duas vezes o Brasil aclamou seduzido por tanta qualidade ideológica e musical. Acordes para os hippies. Faça humor, não faça a guerra, nós temos um sonho: deixe o sol entrar! Foi uma Roda-Viva para os brasileiros, cuja profissão sempre foi a esperança. Como Calabar resistiram, a Gota d'água no oceano da incompreensão".
Deitada numa lua de paetês surge "Vitor ou Vitória". A indecifrável fala sobre gays, machões e lembranças musicadas: "Nisso jogaram gliter. Anunciada a era de Aquarius, houve o rompimento, a mudança, a fuga dos padrões e a busca do novo. Deboche de músculos másculos, pernas cabeludas, cílios postiços e saltos altos. Foi com os Dzi croquetes que devolvemos à Europa o que dela tínhamos recebido um século antes: o vigor do teatro musicado, desta feita, andrógino. Mas isso era só um lado da moeda. Faltava um pedaço, aquela marca de pegador do brasileiro, do machão que não é Mané. E a sacada da Ópera do Malandro foi fazer do Brasil um bordel, quando o homem brasileiro assumiu de vez sua vocação para o cantar, dançar e interpretar. No rodopio dos 80 e 90, do conteúdo político partimos para revisitar os mitos de nossa música popular. Ganhou o samba, que viu de novo Assis Valente, as Irmãs Batista e Elizeth Cardoso, revividas e exaltadas em grandes montagens; a música popular brasileira virou fio condutor de uma torrente de paixões".
Todo o elenco internacional de imorredouros personagens, para sempre em nossos corações, estão em cena. Entraram Arlequins, Pierrots e Colombinas para receberem calorosos a carroça brasileira dos Saltimbancos, que fez cantar gerações seguidas de crianças, e "Sassaricando, e o Rio inventou a Marchinha...". O flash, a emoção do sassarico, porque sem sassaricar, esta vida é o "ó"! Maria Escandalosa junto com a Galinha e o Jumento, brasileiríssimos, cantam "Yes, Nós temos Bananas". Pós modernos, falam da virada do terceiro milênio.: O Brasil e o mundo, a aldeia global fazendo prosperar abaixo da linha do Equador o que antes era reserva de Nova York, Las Vegas, Paris e Londres: o trânsito de diretores, produtores, autores, a festa das platéias brasileiras. O mistério extraordinário do musical: Raia equilibrava-se na pequena Loja dos Horrores; esfregávamos os olhos para saber se era verdade que a mesma Bibi que cantava o pequeno pardal Piaf, também se rasgava nas entranhas ao cantar os fados de Amália; Marília podia ser Dalva de Oliveira ou Elis, ou todas Elas por Ela; e agora José Mayer é o definitivo Violinista no Telhado.
Grande dança final, com toda a companhia executando impecavelmente a marcação coreográfica e o canto afinado do Samba-Enredo. Ciclorama da vida, mágica do Teatro, entretenimento profissional apaixonado. A fagulha que restará eterna. Milhares de microlãmpadas formam palmeiras artificiais, orgulhosas de serem simulacros. Micos leão- dourados de acetato caem pendurados. "Deus lhe pague": "Dizer que conseguimos copiar de maneira impecável as montagens estrangeiras é pouco: damos um passo à frente, vamos além da virtuose técnica, adicionamos à perfeição deles o chica-chica-boom da gente bronzeada que faz pulsar o já montado, de maneira diferenciada. Há um quê de povo renovador em nós".
Epílogo: surge o Fantasma da Ópera voando a bordo de seu colossal lustre de cristal. Por trás da mascara misteriosa, há uma lágrima verde-amarela, de amor a esta gente incansável que monta Musicais. São os sonhadores: "Musicais são janelas para o imaginário de um povo, cuja qualidade é viver no País das Maravilhas. Que a Ópera de Paris seja a Marquês de Sapucaí e que o fantasma vague em nossas memórias, reafirmando o direito ao sonho. Mascaradas, faces de papel em desfile, é chegada a hora. Avante brincantes do mundo do carnaval musical, pois não há, no mundo dos humanos, gente parecida contigo. Vai ter fim a infinita aflição, e o mundo vai ver uma flor brotar, do impossível chão!".
Feliz é a São Clemente, que da grandeza deste gênero faz o seu carnaval. Feliz meu samba, que sai pela vida em alegria incontida, nessa maravilhosa aventura musical.
Revoada de graças translúcidas parte em direção ao pôr-do-sol, no infinito. O perfil de Carmem Miranda vai beijando Renato Russo, até desaparecer no Black-out.
Cai o Pano.