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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

A urgência de um projeto nacional de desenvolvimento é tema do novo debate on-line da série ‘Futuros do Brasil’

“Estamos, hoje, em uma sociedade sem projeto, e uma sociedade sem projeto é uma sociedade amorfa, em risco de adotar soluções simplistas que podem destruir tudo que conseguimos construir no passado recente”. A análise do pesquisador Carlos Gadelha, coordenador do Grupo de Pesquisa sobre Complexo Econômico-Industrial e Inovação em Saúde da Fiocruz e professor do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz), norteará o novo debate on-line da série Futuros do Brasil, do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, que terá como temaDesenvolvimento – Ideias para um projeto nacional, e será realizado no dia 26 de outubro.

Gadelha participará do debate ao lado do cientista político Luis Fernandes, professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio e professor adjunto da UFRJ, ex-presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Como nos debates anteriores da série, a participação é virtual. Qualquer pessoa pode se conectar e acompanhar o debate em tempo real, e fazer perguntas on-line aos participantes.
“Neste contexto atual – de crise econômica, política, institucional e social –, a discussão de um novo projeto de desenvolvimento é mais importante, talvez, do que em qualquer outro momento vivenciado pelo Brasil desde os anos 1930”, considera Gadelha.

“Sem constituirmos novas utopias, novas perspectivas que mobilizem a sociedade, corremos o risco de ficar paralisados e de haver um profundo retrocesso, seja do ponto de vista da base produtiva, da base de inovação, seja do ponto de vista dos direitos e do Estado de Bem Estar, que começou a ser constituído no Brasil de modo mais profundo a partir da Constituição de 1988”, observa, destacando que o desenvolvimento é, antes de tudo, voltado para o social e não para o econômico, e incorpora as vertente econômica, tecnológica, regional e ambiental, entre outras. Para Gadelha, a premente e urgente discussão dos rumos e dos grandes desafios de um projeto nacional de desenvolvimento é fundamental tanto para o avanço na construção de um projeto de país quanto para a mobilização da sociedade.

Para Luis Fernandes, é urgente destacar o papel da ciência e tecnologia na geração de conhecimento com vistas a um projeto nacional de desenvolvimento. “Isso é urgente diante do que está em curso no Congresso Nacional, hoje e que afeta diretamente essa produção. Os vinte anos de congelamento de recursos para a educação (previstos na PEC 241/2016), a extinção do Ministério da Ciência e Tecnologia, a retração de mecanismos de financiamento público são exemplos desse cenário”, considera.

“Em uma crise como a que estamos vivendo, a construção de um projeto nacional de desenvolvimento acaba ficando negligenciada. Não se pode ficar só na crítica, é necessário algo afirmativo, convergente”, analisa o coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, Antonio Ivo de Carvalho. “Há um grande vazio, uma grande confusão em torno do que seja um projeto de desenvolvimento para o Brasil. Com a ofensiva de setores conservadores, ligados a uma política monetarista e rentista, negligencia-se a ideia de um projeto nacional”.

Carlos Gadelha lembra que o meio acadêmico sempre teve papel central nos períodos em que se deram grandes avanços e a introdução de novos modelos de sociedade, como na conformação do Estado de Bem Estar Social na Europa do pós-guerra, e na definição da saúde como direito na Constituição brasileira de 1988. “A revolução, a transformação, começa pelas ideias. Nós estamos sem ideias, sem propostas”

*Por Eliane Bardanachvili, jornalista do CEE-Fiocruz.

Serviço:
Debate CEE-Fiocruz – Futuros do Brasil
Desenvolvimento – Ideias para um projeto nacional
Data: 26 de outubro de 2016
Horário: 14h às 17h
Transmissão pelo blog do CEE-Fiocruz: cee.fiocruz.br
 
Informações:
(21) 3882-9133
cee@fiocruz.br