FOTOGRAFIAS

AS FOTOS DOS EVENTOS PODERÃO SER APRECIADAS NO FACEBOOCK DA REVISTA.
FACEBOOK: CULTURAE.CIDADANIA.1

UMA REVISTA SEM FINS LUCRATIVOS

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Semana do ACS traz programação cultural para Manguinhos e seminário na ENSP


Tudo começa quando o ACS vai à sua casa. Com a frase estampada nas camisetas, Tatiana Suisso e Wanessa Rangel estavam a postos, com a banquinha do "Camelô educativo", na porta do Centro de Saúde Escola Germano Sinval Farias. A ação, realizada na segunda-feira, 3 de outubro e quarta-feira, 5, fazia parte da programação da Semana do ACS, realizada pela primeira vez este ano, com ampla mobilização de profissionais e usuários tanto do centro de saúde como da Clínica Victor Valla. Tatiana e Wanessa repetiam, na porta do centro de saúde, a atividade que faz parte do cotidiano delas.

- A gente leva o camelô educativo para as comunidades com informações sobre diabetes, hipertensão e distribuição de preservativos na  intenção de oferecer o máximo de educação em saúde para a população.  

Do lado de dentro, o ACS Fábio Falcão Monteiro falava aos que estavam na sala de espera do Centro de Saúde encarando a missão de apresentar o trabalho dos agentes comunitários. Ele explicou como é organizado o cronograma de visitas às casas dos pacientes.

- Muitas vezes, as pessoas reclamam que o ACS faz uma visita e demora muito a voltar. A periodicidade das visitas funciona assim: são de três em três meses para crianças até 2 anos, hipertensos e diabéticos. Para os demais casos, as visitas são feitas de seis em seis meses. É necessária essa organização, porque cada ACS atende a cerca de 500 pacientes.

Na plateia, ouvindo atenta à palestra, estava Dona Luzia Guilherme, de 63 anos.

- Eu vim ao Centro de Saúde resolver um problema com meu cartão e acabei ficando para ouvir, porque gosto de me informar.  

Perguntada sobre a importância do trabalho dos agentes comunitários de saúde, ela não titubeou.

- Foi depois de uma vista de uma delas que eu fiz exames e comecei a cuidar do meu reumatismo.

Moradora de Manguinhos durante 36 anos, Luzia aproveitou para contar, em tom calmo, porém firme, o motivo pelo qual não está mais na comunidade.

- O PAC tomou a minha casa. Pagaram uma indenização, mas não foi suficiente para comprar outra igual.

Foi no local em que um dia esteve a casa de Luzia e de muitas outras pessoas e onde ainda se veem escombros e obras inacabadas do PAC que se celebrou o dia do ACS, na terça-feira, 4 de outubro. Apesar da chuva, o campo society do Parque João Goulart, parte do território de Manguinhos que fica mais próxima à ENSP, estava cheio e animado. Havia barraquinhas com informações de saúde, um microscópio para que os moradores pudessem ver as larvas do Aedys Aegpti, pinturas, artesanato e apresentações musicais. Lúcia Helena Barreto estava numa dupla função: a de ACS e coordenadora do projeto cultural Somar, que oferece aulas de música, dança e alfabetização gratuitamente na comunidade.

- É um trabalho que acaba se relacionando com a atividade de agente comunitária de Saúde. Eu tenho uma paciente, por exemplo, que costuma ficar depressiva. Quando ela não vai às aulas de alfabetização, vou buscá-la em casa, porque sei que faz bem a ela. Ela também é hipertensa, mas esse é um problema que o médico pode tratar. Com relação ao bem estar mental dela, o médico não teria tempo, então o ACS cumpre esse papel.

Uma das lideranças dos ACS de Manguinhos Jorge Nadais estava feliz com a festa.

- Essa a primeira vez que se comemora a semana do ACS com todos os equipamentos de Saúde que atendem ao território de Manguinhos. Nós fizemos questão de estar junto da nossa comunidade. O que nós queremos é devolver o mínimo de alegria e conforto para a população. Nós temos muitos desafios, como a questão das O.S e a desorganização do SUS, mas eu vejo que, hoje, as pessoas estão começando a entender como funciona a estratégia de saúde da família, e o trabalho do ACS tem um papel fundamental nisso.



No palco da festa, as apresentações musicais se revezavam com as falas dos ACS.

Nelithon Rangel estava lá com sua guitarra.

- Eu sou ex-ACS e, hoje, trabalho com informática analisando os prontuários produzidos pelos agentes; então, ainda me sinto próximo do trabalho deles. Sobre a música, eu acho que ela é a expressão da alma, e como estamos falando de saúde, e saúde tem a ver com o entorno em que a pessoa está, eu acredito que ela seja fundamental, porque tem essa capacidade de pacificar o ambiente.

Pacíficos, porém ferinos nos versos, depois de Nelithon, foi a vez dos rappers MC Alecsander Leonício e MC Bigorna Surtado se apresentarem. Com letras fortes, denunciando os desmandos do avanço do capital sobre territórios e populações pobres, os dois ajudaram a embalar a festa.

Seminário na sexta encerra Semana do ACS

A semana do ACS segue ainda com atividades no campo da Asfoc, na quinta-feira, dia 6, e se encerra com um seminário na ENSP, na sexta-feira, 7. Durante a parte da manhã, será realizada a mesa "O Cuidado do Agente Comunitário de Saúde, capacitação e direitos, que contará, na mesa, com Christiane dos Reis Pimenta, ACS de Manguinhos, Wagner Souza, vice-presidente do Sindicato dos ACS do Rio de Janeiro, e Mariana Lima Nogueira, professora e pesquisadora da Escola Politécnica em Saúde Joaquim Venâncio. Na parte da tarde, a mesa tem por título "O aspecto histórico e político das práticas do ACS" e contará com José Welligton Gomes Araujo, pesquisador da ENSP, Maria Cecília Portugal Braga, médica da Família e Comunidade de Manguinhos, e André Luiz da Silva Lima, doutorando em História e integrante do Conselho Comunitário de Manguinhos.



Informações sobre o seminário

Local: Auditório Térreo da ENSP - Rua Leopoldo Bulhões, n.1.480
Hora: 9h às 12h / 14h às 17h
Não é necessário fazer inscrição prévia.