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terça-feira, 5 de maio de 2015

Fiocruz apoia carta da Conep contra PL que coloca em risco sistema de ética em pesquisas


Os Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) com seres humanos da Fiocruz - através de seu Fórum de CEPs - manifestam total repúdio ao projeto de lei n. 200/2015 em tramitação no Senado Federal. Sob o pretexto de ‘agilizar’ as pesquisas com seres humanos no Brasil, os autores acabam com o atual sistema de revisão ética da pesquisa clínica (o Sistema CEP/Conep), decretam o fim da independência dos CEPs e estimulam a criação de CEPs subordinados a empresas. Retrocede na utilização de placebo em ensaios clínicos e no acesso a medicamentos pós-estudo, tentando impor através de lei as malfadadas mudanças que macularam a Resolução de Helsinque na Coréia do Sul, em 2008. Trata-se de uma investida clara das indústrias farmacêuticas multinacionais e afins para violar a Resolução CNS 466/2012 e impor seus objetivos. Tal investida cheira a retaliação, tendo em vista a fragorosa derrota que sofreram aqui no Brasil. Em nosso país, as ‘inovações’ da Resolução de Helsinque não têm respaldo ético ou legal. A pesquisadora da ENSP/Fiocruz Angela Esher explica que o PL 200/2015, ao propor novas regras para a apreciação e aprovação das pesquisas clínicas no Brasil, retira os direitos dos participantes de pesquisa conquistados nos últimos 20 anos.

O Fórum de CEPs da Fiocruz manifesta total apoio à Conep e coloca-se à disposição para ajudá-la nesta cruzada contra a aprovação do PLS 200/2015, reafirmando o compromisso das entidades a favor da ética na pesquisa com seres humanos e na defesa dos participantes e dos pesquisadores.

Leia, abaixo, a íntegra do manifesto do Fórum de CEPs da Fiocruz na Agência Fiocruz de Notícias.

Em apoio a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) manifesta sua posição contrária ao Projeto de Lei 200/2015 do Senado, que dispõe sobre pesquisas clínicas e coloca em risco importantes conquistas que garantem direitos de participantes de pesquisas cientificas. Confira:

"Os Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) com seres humanos da Fiocruz – através de seu Fórum de CEPs – manifestam total repúdio ao projeto de lei n. 200/2015 em tramitação no Senado Federal.

Sob o pretexto de “agilizar” as pesquisas com seres humanos no Brasil, os autores acabam com o atual sistema de revisão ética da pesquisa clínica (o Sistema CEP/CONEP), decretam o fim da independência dos CEPs e estimulam a criação de CEPs subordinados a empresas.

Retrocede na utilização de placebo em ensaios clínicos e no acesso a medicamentos pós-estudo, tentando impor através de lei as malfadadas mudanças que macularam a Resolução de Helsinque na Coréia do Sul, em 2008. Trata-se de uma investida clara das indústrias farmacêuticas multinacionais e afins para violar a Resolução CNS 466/2012 e impor seus objetivos. Tal investida cheira a retaliação, tendo em vista a fragorosa derrota que sofreram aqui no Brasil. Em nosso país, as “inovações” da Resolução de Helsinque não têm respaldo ético ou legal.

Mais grave, o controle social das pesquisas envolvendo seres humanos – função primordial dos CEPs – é ferido de morte com o fim da representação dos usuários nos Comitês. É sintomático que tal supressão venha acompanhada da proposta de pagamento a pessoas saudáveis para participarem de pesquisas clínicas, além da criação de um “cadastro nacional”. Tal previsão – como afirma o manifesto do CEBES, da ABRASCO e da Sociedade Brasileira de Bioética – abre a possibilidade “de se criar uma casta de participantes de pesquisa ‘profissionalizados’, fazendo com que pessoas vulneráveis, sobretudo socialmente, ‘vendam’ seus corpos às empresas de pesquisa em troca de pagamento”.

É fato que a regulamentação da pesquisa clínica no Brasil é feita através de normas infralegais, ou seja, resoluções etc. Isto não invalida sua eficácia porque estas normas são amparadas pelo arcabouço legal do país, como a lei 8.080/1990, a própria Constituição brasileira e os Códigos Civil e Penal. As resoluções, na prática, podem ser mais facilmente alteradas para acompanhar a necessidade do avanço científico. Uma lei com o intuito de regulamentar a pesquisa clínica no Brasil seria bem-vinda, mas centrada na organização do sistema atual de revisão ética – consagrado no país e no exterior – e capaz de prever as responsabilidades legais daqueles que não observam as normas éticas.

Por todas as razões acima expostas, o Fórum de CEPs da Fiocruz manifesta total apoio à CONEP e coloca-se à disposição para ajudá-la nesta cruzada contra a aprovação do PLS 200/2015, reafirmando o compromisso das entidades a favor da ética na pesquisa com seres humanos e na defesa dos participantes e dos pesquisadores."

Leia na íntegra
 a carta da Conep.