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terça-feira, 20 de junho de 2017

Pesquisadores do IBRE avaliam conjuntura econômica em ambiente de incerteza política

O Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV realizou, no dia 12 de junho, o segundo Seminário de Análise Conjuntural de 2017. O evento, realizado no Centro Cultural da FGV, reuniu pesquisadores do IBRE para debater o cenário econômico brasileiro em meio a um ambiente de incerteza, causada pelo agravamento da crise política no último mês.
Coordenador do Boletim Macro e organizador do seminário, Regis Bonelli fez uma introdução aos temas debatidos justamente falando sobre o ambiente político. Ele destacou que apesar da forte reação nos dias que se seguiram ao agravamento da crise, os mercados tornaram-se mais “bem comportados”, uma sinalização de que a área macro não está à deriva e que as reformas econômicas serão votadas.
“O crescimento do PIB no primeiro trimestre foi muito elevado (1%), algo que a gente não experimentava há muito tempo, mas esse crescimento foi concentrado em alguns poucos setores, em especial a agropecuária. Pelo lado da demanda, por sua vez, foi muito mais por conta da demanda externa, pois a demanda interna continuou a cair. O pano de fundo para o futuro próximo não é totalmente desanimador. Inflação em queda, taxa SELIC também. O setor externo com bom desempenho. O desemprego ainda está alto, mas a massa salarial apresenta uma modesta expansão. O que preocupa é o quadro fiscal e os riscos associados a ele”, destacou.
Na sequência, José Julio Senna falou sobre a política monetária nos EUA e no Brasil. Ele observou que a economia mundial não apresenta comportamento exuberante, mas com bons sinais de recuperação. Essa nova fase, segundo ele, é caracterizada pelo sincronismo das taxas de crescimento dos EUA, Europa e Japão, o que é bom para o Brasil. O economista destacou que a atual crise política impactou no ajuste fiscal brasileiro e que será ainda mais difícil aprovar as reformas que a equipe econômica propõe. Sobre a inflação, ele disse que a queda das taxas é fruto não só do trabalho da equipe de política monetária, mas também da conjuntura econômica mundial atual.
Aloisio Campelo, por sua vez, falou sobre os indicadores qualitativos sobre confiança empresarial e dos consumidores. Ele destacou que esses índices vinham apresentando alta moderada desde o início do ano, mas que a crise política pode afetar essa tendência de crescimento. Ele explicou que as expectativas futuras, tanto para empresas quanto para consumidores, estão bem mais elevadas do que a percepção sobre a situação atual.
O assunto abordado em seguida foi a inflação. Salomão Quadros apresentou a variação da taxa no último ano e que chegou ao patamar mais baixo no mês de maio, atingindo 3,18%. Ele destacou que além dos alimentos, contribuíram para a queda da inflação os bens de consumo, que apresentaram comportamento mais favorável do que o previsto. O economista explicou ainda que a entrada em vigor da bandeira verde nas tarifas de energia pode levar o IPCA a taxa negativa ao final do mês. Sua previsão é que a inflação feche 2017 na casa dos 3,4%.
Silvia Matos, por fim, fez as projeções macroeconômicas. Ela destacou que as expectativas têm sido frustradas a partir de março, sem muita clareza sobre a força da recuperação da economia brasileira. Os sinais, segundo ela, são de que o PIB do segundo trimestre volte a ser negativo. A pesquisadora também explicou que a crise política vai impactar no crescimento de longo prazo, com a recuperação da economia apresentando taxas mais modestas do que o previsto anteriormente. Ao término de sua apresentação, a economista destacou que a rearticulação do sistema político será fundamental para a aprovação da reforma da Previdência, na qual está projetada grande parte da recuperação econômica do país.
Após as exposições, o seminário foi aberto para comentários. Manoel Pires destacou que sua perspectiva era de que 2017 representaria um ano de transição para a estabilização e retomada econômica, mas que a crise política pode afetar essa previsão. Já Samuel Pessôa falou sobre as péssimas condições fiscais da economia brasileira e que é preciso dar sequência ao trabalho realizado pela equipe econômica, de modo a não comprometer o futuro.
O próximo Seminário de Análise Conjuntural do IBRE será realizado no dia 11 de setembro.